SLC (SLCE3) vai às compras e ação salta no Ibovespa, mas XP vê ponto desfavorável
A SLC Agrícola (SLCE3) anunciou um acordo revisado com o Grupo Radar para a aquisição do “Bloco Mato Grosso”, após negociações entre os arrendatários que também haviam exercido seus direitos de preferência. A transação, na avaliação da XP Investimentos, é positiva, mas o timing da negociação segue desfavorável.
Para a corretora, apesar de a SLC adquirir uma área menor do que o inicialmente esperado, o desembolso será significativamente menor, de R$ 669 milhões, ante R$ 1,85 bilhão previsto anteriormente, o que reduz a pressão sobre a alavancagem e o risco de execução do balanço da companhia.
Por volta das 11h18 (horário de Brasília), SLCE3 avançava 2,65% (R$ 13,56), como a quinta maior alta do Ibovespa (IBOV) nesta quinta-feira (9). Na máxima, a ação chegou a subir 4,01% (R$ 13,74).
Momento errado
Para a XP, do ponto de vista operacional, o negócio com o Grupo Radar continua atrativo, uma vez que a SLC assegura a propriedade de terras produtivas já integradas à infraestrutura operacional.
Em termos de valuation, porém, a transação revisada parece mais cara em uma base de reais em relação aos hectares agriculturáveis do que o acordo original, avalia a corretora. “Ainda assim, o maior preço implícito por hectare é parcialmente compensado pelo menor tamanho da aquisição”, afirma.
Na avaliação da XP, no geral, a estrutura revisada do acordo é vista como preferível, dado o menor desembolso e o impacto sobre a alavancagem.
Agora, a corretora estima uma alavancagem de 3,7x a dívida líquida em relação ao Ebitda estimado em 2026, ante projeção de 3,4x no pré-acordo e abaixo dos 4,1x previstos sob a proposta inicial.
“Apesar dos méritos estratégicos, continuamos vendo a transação como realizada em um momento desafiador do ciclo, embora reconheçamos que as perspectivas para os preços das commodities tenham melhorado recentemente”, diz a XP.
Além disso, a corretora considera que a reação negativa inicial do mercado à aquisição já foi absorvida pela ação, o que leva os analistas a esperarem uma sessão positiva para o papel hoje.
A compra
Pelo novo arranjo, a SLC irá adquirir 8,9 mil hectares agricultáveis, uma redução significativa em relação à primeira proposta, de 28,8 mil hectares agricultáveis. Os ativos adquiridos incluem infraestrutura instalada, como silos, algodoeira e outras benfeitorias operacionais.
De acordo com o comunicado da empresa ao mercado, o valor da transação é de R$ 669,04 milhões.
O fechamento da transação, no entanto, ainda está sujeito às condições precedentes, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e assinatura de documentos definitivos.