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R$ 400 por arroba? A via de mão dupla que pressiona o mercado do boi — e pode impulsionar os preços no fim do ano

03 jul 2026, 10:22 - atualizado em 03 jul 2026, 10:22
china boi carne bovina
(iStock.com/Murilo Gualda)

Os preços da arroba do boi vivem um momento de pressão desde a máxima de R$ 367,30 registrada pelo indicador Cepea/Esalq em 15 de abril. O movimento reflete o avanço da entressafra e, principalmente, a proximidade do esgotamento da cota de exportação de carne bovina estabelecida pela China para o Brasil.

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O primeiro semestre foi marcado por preços mais firmes, sustentados pela baixa oferta de boi gordo pronto para abate, pela valorização do bezerro, pela menor disponibilidade de matrizes e pela forte demanda internacional pela carne bovina brasileira, especialmente da China.

No entanto, a cota anual brasileira de 1,1 milhão de toneladas para exportação de carne bovina ao mercado chinês já teve mais de 70% utilizada e deve ser esgotada em agosto. Com isso, diferentemente do observado nos últimos anos, o terceiro trimestre tende a ser marcado por preços mais fracos para a arroba.

“Estamos passando por uma pressão de preços entre junho e julho, mas desde setembro de 2024 tivemos uma valorização bastante expressiva do boi gordo, próxima de 80%, impulsionada pela virada do ciclo pecuário, que reduziu o número de matrizes e valorizou o bezerro. O melhor preço que vimos neste ano na Bolsa foi de R$ 356 por arroba, e agora o mercado opera mais próximo de R$ 330”, afirmou Jean Miranda, analista de commodities do BTG Pactual, durante o Radar das Commodities.

O momento atual do mercado

Apesar de a reposição continuar cara, alguns mercados físicos já começam a registrar recuo nos preços dos bezerros.

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Ao mesmo tempo, junho foi marcado por um aumento no abate de vacas. Segundo Miranda, caso o preço do bezerro deixe de subir, parte dos pecuaristas volta a considerar economicamente vantajoso descartar matrizes, ampliando a oferta de carne e contribuindo para a pressão sobre os preços da arroba.

Outro reflexo da desaceleração da demanda externa já aparece na indústria. Segundo o analista, algumas plantas frigoríficas do Centro-Oeste passaram a conceder férias coletivas devido à redução do ritmo de abates destinados às exportações, evidenciando os efeitos do esgotamento da cota chinesa sobre toda a cadeia pecuária.

O fator China que pode levar a arroba a R$ 400

Se, por um lado, o esgotamento da cota chinesa pressiona os preços no mercado doméstico durante o terceiro trimestre, por outro, a própria dinâmica das exportações para a China pode devolver sustentação à arroba no fim de 2026.

“Em um cenário-base, não vemos fundamentos suficientes para que a arroba alcance R$ 400, até porque esse é um preço bastante esticado. No entanto, a partir de outubro, teremos um reset da cota da China. Ou seja, a partir de janeiro de 2027, toda a carne embarcada passa a contar dentro de uma nova cota”, explicou Miranda.

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O analista ressalta que, embora a nova cota passe a valer oficialmente apenas em janeiro de 2027, há um intervalo de aproximadamente dois a três meses entre a compra do boi, o abate e a chegada da carne ao mercado chinês.

Na prática, isso significa que os frigoríficos devem voltar a intensificar as compras de animais já entre outubro e novembro, para embarques que serão contabilizados na nova cota. Esse movimento tende a reaquecer a demanda por boi gordo destinado à exportação e oferecer um novo suporte aos preços da arroba no último trimestre do ano.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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