Petrobras (PETR4): BTG vê espaço para dividendos robustos e projeta balanço forte; veja novo preço-alvo
O BTG Pactual fixou o preço-alvo da Petrobras (PETR4) para R$ 56 considerando o fim de 2027 e reiterou a recomendação de compra para as ações. Na avaliação do banco, a estatal deve entregar resultados fortes nos próximos trimestres, impulsionados pelas margens elevadas de refino, o que deve sustentar uma geração robusta de caixa e o pagamento de dividendos atrativos.
Segundo o BTG, o mercado ainda não reconhece totalmente a relevância dos preços elevados dos combustíveis para a tese de investimento da companhia. Como cerca de 70% da produção de petróleo da Petrobras é utilizada como matéria-prima em suas refinarias, a empresa está bem posicionada, na avaliação do banco, para capturar o cenário de margens de refino mais altas.
O banco estima yield de fluxo de caixa ao acionista de aproximadamente 10% em 2026 e de 12% em 2027, enquanto o dividend yield deve ficar em torno de 10% nos dois anos. Caso a atual dinâmica das margens de refino se estenda pelo segundo semestre de 2026 e por 2027, o BTG acredita que a geração de caixa e a capacidade de pagamento de dividendos da estatal poderão melhorar ainda mais.
Em um cenário mais otimista, com Brent e margens de refino acima das premissas-base, o banco calcula que o yield de fluxo de caixa ao acionista poderá alcançar cerca de 22% em 2027, enquanto o dividend yield pode chegar a aproximadamente 14%.
BTG espera resultados fortes no 2T26
Para o segundo trimestre de 2026, o BTG projeta EBITDA ajustado de US$ 18,9 bilhões, alta de 67% na comparação trimestral e de 106% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O banco também estima lucro líquido de US$ 9,5 bilhões, avanço de 53% frente ao primeiro trimestre e de 102% na comparação anual.
Já o fluxo de caixa ao acionista é estimado em US$ 2,6 bilhões, enquanto os dividendos referentes ao período devem somar cerca de US$ 2,5 bilhões.
Na visão dos analistas, embora o mercado já espere um segundo trimestre sólido, as estimativas ainda não incorporam totalmente o impacto das margens de refino sobre os resultados a partir do terceiro trimestre de 2026 e, principalmente, em 2027. Por isso, o BTG vê espaço para novas revisões positivas de lucro nos próximos meses.
Margens de refino sustentam a tese
O BTG atribui o cenário favorável à manutenção de um mercado global de combustíveis apertado. Segundo o banco, três fatores explicam as margens elevadas de refino: anos de subinvestimento e fechamento de refinarias, a proibição russa das exportações de diesel combinada aos ataques ucranianos contra refinarias e os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os fluxos de petróleo e as operações de refino.
Na avaliação dos analistas, esses fatores sustentam um déficit estrutural de oferta de combustíveis, o que deve manter os preços elevados mesmo se o petróleo recuar.
Além disso, o BTG acredita que a Petrobras pode manter os preços domésticos dos combustíveis em níveis mais altos por mais tempo para se realinhar à sua política de preços, o que também favoreceria a rentabilidade do segmento de refino.
Com a atualização das premissas, o banco estima que o breakeven de fluxo de caixa livre da companhia fique mais próximo de US$ 60 por barril, ante estimativa de US$ 67 por barril em janeiro de 2026. Segundo o BTG, isso pode permitir que a Petrobras reduza sua dívida bruta para perto de US$ 65 bilhões, preservando uma remuneração atrativa aos acionistas.