Comprar ou vender?

‘Há empresas que deveriam valer 50%, 70% ou até 100% mais’, diz estrategista-chefe de gestora; veja as ações favoritas

20 jul 2026, 7:00 - atualizado em 20 jul 2026, 16:39
Marcos Saravalle
Com passagem pela XP e Safra, Saravalle acaba de lançar um novo fundo de ações para a Krivo Capital, o FIA Krivo Exponencial (Imagem: Divulgação)

Qual é o melhor momento para investir em Bolsa: quando os índices batem recordes e o mercado está eufórico ou em meio às incertezas que fazem os ativos perderem valor?

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Na lógica, a segunda resposta parece a mais sensata. Momentos de crise geram oportunidades em empresas cujas ações caíram, mas que continuam entregando resultados.

A questão é separar o joio do trigo: quais ações caíram pelo efeito manada do mercado e não por algum problema na entrega de resultados ou por uma questão setorial. E é exatamente essa a aposta do analista, e agora estrategista-chefe, Marco Saravalle.

Com passagem por XP e Safra e mais de 20 anos de experiência no mercado, Saravalle acaba de lançar um novo fundo de ações para a Krivo Capital, o FIA Krivo Exponencial, com meta de captar R$ 20 milhões no primeiro mês de operação.

Voltado para investidores comuns, o fundo permite aplicações a partir de R$ 500. Outro ponto importante é a liquidez. O prazo de resgate será relativamente curto, de cerca de D+10, considerando o período de liquidação. Na prática, o cotista recebe os recursos aproximadamente entre 10 e 12 dias após solicitar o resgate.

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A ideia é ‘garimpar’ boas ações escondidas na Bolsa. Mas não só: o fundo também poderá investir em ações fora do Brasil.

“Se enxergarmos melhores oportunidades nos Estados Unidos, podemos aumentar a exposição por lá. Se encontrarmos oportunidades em commodities ou em outros mercados internacionais, também podemos investir nesses ativos”, diz Saravalle, em entrevista ao Money Times.

Compre na baixa…

Para Saravalle, momentos como o atual costumam oferecer boas oportunidades justamente porque oferecem ativos de qualidade negociando a “preços de banana”.

“No Brasil, encontramos empresas de qualidade sendo negociadas a sete ou oito vezes o lucro, por exemplo. Ou seja, os preços atuais refletem muito mais as incertezas macroeconômicas do que uma deterioração dos fundamentos.”

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Em abril, o Ibovespa chegou a encostar nos tão sonhados 200 mil pontos, quando uma enxurrada de capital de investidores estrangeiros aportou no Brasil. Até meados deste mês, o fluxo internacional acumulado batia a marca de R$ 70 bilhões, mais que o dobro do total registrado em 2025, quando o saldo anual alcançou R$ 25,47 bilhões.

Porém, a guerra no Irã freou essa disparada: o petróleo acima de US$ 90 o barril mexeu com as expectativas para os juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Resumo da ópera: os juros podem ficar mais altos por mais tempo. Uma notícia nada boa para a Bolsa.

“Existe uma máxima no mercado que devemos comprar quando há medo e vender quando há euforia. Na prática, isso é muito difícil, porque o investidor normalmente faz exatamente o contrário”, explica.

Na visão dele, hoje há diversas empresas cujo valor justo está muito acima dos preços atuais. “Em alguns casos, enxergamos potencial de valorização de 50%, 70% ou até 100% no longo prazo. É justamente esse tipo de assimetria que buscamos capturar.”

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Ele explica que o fundo foi estruturado com uma estratégia de total return, ou seja, o objetivo é gerar retorno independentemente do comportamento dos juros, da Bolsa brasileira ou de um mercado específico.

Quais empresas?

No receituário do estrategista-chefe, o remédio para atravessar o momento de incerteza é seguir pelo caminho mais seguro: apostar em empresas com qualidade comprovada. Entre os papéis que cita está um velho conhecido do mercado: o Itaú (ITUB4).

Nos seus cálculos, o banco negocia a um múltiplo inferior a oito vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, enquanto sua média histórica gira entre 10 e 11 vezes.

Além disso, a instituição entrega um retorno sobre o patrimônio (ROE) acima de 20%, “com resultados bastante consistentes”.

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“Isso significa que a ação não pode cair mais? Claro que não. Se o cenário macroeconômico piorar, ela pode sofrer como qualquer outra empresa.”

Mas, ele explica, se o investidor olhar além do curto prazo e imaginar um ambiente de inflação em queda e redução dos juros nos próximos 12 a 24 meses, “é fácil enxergar um potencial importante de valorização”.

“Talvez ela não seja a ação mais barata da Bolsa, mas qualidade também tem preço. Em momentos como este, preferimos pagar um pouco mais caro por uma empresa excelente do que comprar um ativo muito barato apenas porque ele parece descontado.”

Outra empresa é a C&A (CEAB3). Pelas estimativas do estrategista, a companhia negocia a cerca de três vezes o EV/Ebitda (valor da empresa sobre o Ebitda), enquanto empresas comparáveis costumam negociar entre cinco e sete vezes.

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“Isso significa que a ação necessariamente vai dobrar? Não. Mas mostra que o mercado está atribuindo um desconto muito elevado para um ativo que, caso o cenário econômico melhore, pode passar por uma reprecificação relevante. É justamente isso que queremos dizer quando falamos em assimetria.”

Segundo Saravalle, existem diversas empresas de qualidade negociando com descontos significativos. Evidentemente, diz, é preciso avaliar caso a caso, analisar a estrutura de capital, o nível de endividamento e os riscos específicos de cada companhia.

“Mas, para quem investe olhando o longo prazo, acreditamos que há boas oportunidades.”

Por fim, ele cita a Cury (CURY3). A companhia atua em um segmento considerado bastante resiliente, principalmente ligado ao programa Minha Casa, Minha Vida.

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Além disso, na sua visão, possui uma estrutura de capital saudável, com baixa alavancagem quando comparada a outras incorporadoras. Esse perfil, diz, faz com que a empresa consiga atravessar períodos de juros elevados muito melhor do que boa parte do setor.

“É verdade que empresas de maior qualidade normalmente negociam com múltiplos superiores aos da média. Ainda assim, quando vemos ações como Itaú, C&A e Cury caindo 20%, 30% ou até 40%, entendemos que surgem oportunidades interessantes para quem tem uma visão de longo prazo.”

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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