Banco Master

Gestora que administrava fundo ligado a primo de Vorcaro desmonta posição na Gafisa (GFSA3)

20 jul 2026, 15:59 - atualizado em 20 jul 2026, 22:27
Gafisa
Logo da Gafisa (Imagem: Money Times/ Gustavo Kahil)

A gestora LAD Capital reduziu, na última sexta-feira (17), em cerca de 35% a posição de fundos sob sua gestão na Gafisa (GFSA3), apenas 11 dias após comunicar uma participação superior a 20% no capital da incorporadora.

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Em 6 de julho, a gestora informou que seus fundos passaram a deter conjuntamente 36,2 milhões de ações da companhia, ou cerca de 22,61% do capital da Gafisa. Já no dia 17, a posição havia caído para 23,5 milhões de papéis, ou 14,70% do capital.

Foram vendidas 12,7 milhões de ações no período, sem que os comunicados informassem quem comprou os papéis, os preços das negociações, quais fundos realizaram as operações ou o resultado financeiro obtido.

A LAD foi parte dos noticiários anteriormente neste ano por ter administrado e gerido o FIP Green Energia, que tinha entre seus cotistas Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Em maio, a gestora deixou o fundo após ele ser citado na Operação Compliance Zero. A LAD afirmou que colaborou com as autoridades e que a Green já pertencia a Felipe Vorcaro antes de ser integralizada ao veículo.

O episódio indica que a LAD já prestou serviços a um veículo que tinha um integrante da família Vorcaro entre seus cotistas.

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Segundo fonte escutada pelo Money Times, a gestora, no episódio da Gafisa, representa o empresário carioca Nelson Tanure, que também tem participação na incorporadora através de outros veículos.

Hoje mais cedo, foi noticiado que a Gafisa vendeu, sem comunicar ao mercado, seus principais ativos no Rio de Janeiro: Hotel Praia Ipanema, Fashion Mall e Shopping Jardim Guadalupe. A companhia, que enfrenta uma crise econômica, tenta consertar seu balanço, mas acionistas minoritários vêm apontando problemas recorrentes no processo e até mesmo tentativas de esvaziamento da empresa.

Gafisa, Tanure e Master

A relação entre a Gafisa e o entorno do Banco Master remonta a 2019. Após a entrada de Tanure no conselho da companhia, recursos da incorporadora passaram pelos fundos Bergamo e Panarea até o fundo imobiliário Brazil Realty (BZLI11), que tinha entre seus principais cotistas o então Banco Máxima — posteriormente rebatizado como Banco Master — e empresas ligadas à família Vorcaro. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, a exposição da Gafisa a essa estrutura chegou a R$ 325,6 milhões entre 2019 e 2022.

Em investigações relacionadas ao Banco Master, a Polícia Federal apontou Tanure como possível sócio oculto da instituição, o que ele nega. Já a ESH Capital acusou fundos ligados ao Master, à Planner, à Trustee e à MAM Asset de atuar de forma coordenada em favor do empresário na Gafisa. As instituições negaram as acusações e a assembleia da companhia rejeitou a suspensão dos direitos políticos desses investidores.

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No começo deste ano, a própria defesa de Tanure tentou levar uma denúncia de manipulação de mercado envolvendo a Gafisa ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando conexão com o caso Master, que corre na corte.

Em janeiro, outra movimentação foi foco de atenção: segundo matéria do NeoFeed, a Wotan Realty, apontada pela ESH Capital como um veículo ligado a Tanure, elevou sua participação para 14,72% da Gafisa. Quase ao mesmo tempo surgiu o GERF, fundo de cotista único e não identificado, com 19,75% da companhia.

Somado à Fator Capital (13,63%), o grupo passou a concentrar cerca de 48% do capital da incorporadora. Não há prova pública de atuação coordenada entre esses investidores, mas a proximidade das movimentações gera dúvidas sobre quem financiou cada posição e se havia algum acordo entre eles.

O GERF diminuiu sua posição na Gafisa ao vender 1.581.00 ações em abril, antes do aumento do capital. A posição, porém, voltou a aumentar após a conversão de dívidas em ações.

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O fundo tem apenas um cotista e quem faz sua administração fiduciária é a Planner. A gestão era inicialmente da Redwood, pertencente ao grupo Planner, mas depois passou para a LAD, sem que a data ou os motivos da substituição fossem divulgados.

A Planner também é investigada pela Polícia Federal por sua atuação como intermediária entre a Rioprevidência e o Banco Master. A corretora nega irregularidades.

Outro fundo com posição na Gafisa que tem a Planner como administradora, mas que mantém a gestão com a Redwood, é o Ravello. Também apontado por fontes do mercado como um veículo de Tanure, em dezembro de 2025 ele tinha uma posição ajustada de cerca de 10 milhões de ações, número que, hoje, saltou para mais de 42 milhões, também por conta da conversão de dívidas.

Anteriormente, o Ravello era gerido pela MAM, gestora do Master. A mudança para a Redwood apareceu na CVM apenas em 2026.

Participação cresceu após aumento de capital

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A ampliação recente da posição do GERF ocorreu após o aumento de capital da Gafisa por conversão de créditos em ações, concluído em julho.

Depois da operação, que incorporou cerca de R$ 196,6 milhões ao capital da companhia após a correção de um erro material, a LAD informou que seus fundos haviam alcançado 22,61% da incorporadora, percentual significativamente superior aos 13,30% anteriormente declarados pelo GERF.

A diferença pode indicar que o próprio GERF ampliou sua posição, que outros fundos sob gestão da LAD receberam ações ou que ocorreram as duas situações. Como o aumento foi realizado por meio da conversão de créditos, também é possível que veículos administrados pela gestora fossem credores da companhia.

A Gafisa, porém, não divulgou quem participou da operação nem quantas ações foram destinadas a cada investidor. Também não está claro se toda a participação anunciada pela LAD estava concentrada no GERF ou distribuída entre diferentes fundos.

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Em maio, a LAD renunciou à administração e à gestão do FIP Green Energia depois de o veículo ser citado em uma fase da Operação Compliance Zero. Segundo reportagens da época, Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, era um dos cotistas do fundo, que possuía participações na Green Investimentos e na Trinity.

A Polícia Federal investiga se essas empresas foram utilizadas para gerar dividendos e transferir patrimônio de forma indireta ao núcleo investigado no caso Banco Master.

A LAD não foi alvo da operação. A gestora afirmou na ocasião que colaborou com as autoridades, entregou a documentação solicitada e que a Green já pertencia a Felipe Vorcaro antes de ser integralizada ao fundo.

A LAD tem outros fundos ligados ao ecossistema do Banco Master. Ela herdou, por exemplo, o Touring, fundo exclusivo, com um único cotista, que era administrado pela Reag e que detinha, em sua carteira pública mais recente, praticamente todo seu patrimônio na BeFly Travel, empresa que aparece ligada a Daniel Vorcaro.

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Além disso, outros fundos da gestora têm posições relevantes em nomes como Ambipar e EMAE, empresas que foram investidas pelo Master, e em próprios fundos da MAM, gestora do banco.

Procurados, Tanure e Gafisa não responderam até a publicação dessa matéria. A reportagem tentou, mas não conseguiu contato com a LAD Capital. Os espaços seguem abertos para manifestação.

A Planner afirmou que, em observância à legislação vigente e ao sigilo bancário, não comenta informações sobre a identidade de cotistas e estratégias de integralização. A companhia também defendeu que não possui qualquer relação institucional com o Master.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br

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