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Entrevista

Roberto Jefferson: Sem votar Previdência, não teremos bandeira para eleição

Conrado Mazzoni - 07/12/2017 - 11:52

Um adiamento da apreciação da reforma da Previdência comprometerá o discurso da base aliada do governo nas eleições de 2018. E mais: a derrota poderá ser explorada por Lula como um troféu. Esta é a avaliação do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson. “Vamos gerar uma baita frustração que vai aumentar a raiva contra nós.”

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O ex-deputado, que denunciou o escândalo do mensalão em 2005, participou da reunião ocorrida na noite de quarta-feira (6) no Palácio da Alvorada com o presidente Michel Temer, parlamentares e líderes partidários. Na saída do encontro, o vice-líder do governo na Câmara Beto Mansur (PRB) admitiu um apoio à matéria de apenas 260 votos dos parlamentares.

Um número inferior aos 308 votos exigidos pela PEC e distante dos 340 que Jefferson previu em entrevista ao Money Times, por telefone, antes do jantar, e no dia em que o PTB fechou questão a favor do projeto, assim como o PMDB. Para ele, a reforma deveria ser votada na Câmara na semana que vem. “Se nós não votarmos agora, ela só haverá de ser votada depois do Carnaval, em março. E, em março, não vota mais nada. Será o ano perdido do Brasil.”

A seguir, leia os principais trechos da conversa:

O PTB foi o primeiro partido a fechar questão a favor da reforma da Previdência e o senhor tem participado de reuniões com parlamentares para debater o tema. Qual é a sua expectativa em torno dessa pauta?

Eu creio, com sinceridade, que todo mundo vai votar a favor. Os partidos da base vão dar aprovação na próxima semana a essa emenda que cria a regra fundamental para a sobrevivência da Previdência Social. Por que eu creio nisso? Se nós não votarmos agora a reforma da Previdência, ela só haverá de ser votada depois do Carnaval, em março. E, em março, não vota mais nada. E será o ano perdido do Brasil. E perdido lato sensu: porque se a base quer ganhar a eleição, não pode ficar com essa conversinha fiada de se achar protegida pela elite funcional federal. Não adianta querer julgar para procurador, juiz, delegado de polícia, auditor da receita que são os mais onerosos salários de aposentadorias do Brasil porque eles não terão clemência de ninguém. Esse é um ponto.

O segundo é permitir que o Lula explore a derrota da previdência como um troféu para ele, pois isso vai levar à destruição da reforma trabalhista e à destruição do teto de gastos. Para a gente fechar com sucesso esses dois sacrifícios que ja foram feitos, precisa vir a reforma da Previdência. Se não votarmos, não teremos bandeira para a eleição. O pais não terá investimentos, não terá crescimento do PIB, nem do nível de emprego. Vamos gerar uma baita frustração que vai aumentar a raiva contra nós.

Temos que dar ao povo a satisfação de ter o crescimento do emprego formal no ano que vem. São 14 milhões de desempregados. Eu creio que a gente chega a meados do ano que vem com ao menos 10 milhões, 4 milhões a menos. Começa a tomar fôlego a economia em 2018, o que dá robustez e esperança ao povo para o ano de 2019. Esse é o caminho.

O senhor nota entre parlamentares alguma sensibilidade quanto ao comportamento do mercado, ciente dos riscos aos ativos brasileiros em caso de fracasso na reforma?

Eu tenho feito esse discurso para dentro do PTB e fiz para fora na reunião dos líderes com o presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Teve um impacto muito grande.

Eu disse: ‘olha, nós começamos a escrever nosso livro com a estabilidade fiscal, a partir do teto de gastos, e a segurança aos contratos, a partir da reforma trabalhista. A Previdência vai consolidar esses dois primeiros passos. Se a gente não escrever o epílogo e andar para trás, nós teremos de novo um processo inflacionário, um começo de recessão, um desinvestimento, e a manutenção desse brutal desemprego que está no país’.

Todo mundo que estava sentado à mesa ficou me ouvindo. Eu fui o terceiro a falar, depois de Maia e Temer. Se era para a gente enfrentar uma parada dura na eleição, não devíamos ter tirado a Dilma. Poderíamos ter deixado a Dilma, seria mais fácil vencê-la. Mas a gente tenta resolver, acabar com aquela pedalada no orçamento fiscal da União, põe um homem para governar o país dentro das regras da economia aberta, de mercado, para arrumar a casa e as contas e, no final, por medo de uma minoria da elite funcional federal a gente joga fora a oportunidade de consolidar isso. Então vamos perder a eleição. A bandeira que nós podemos dizer na rua no ano que vem é: voltou a crescer o nível de emprego, tem investimento, tem trabalho para oferecer.

O senhor acredita que o Lula será candidato nas eleições de 2018?

Eu não sei se o Lula vai ser candidato. Vai ser fundamental a decisão do Supremo sobre a prisão naqueles condenados da segunda instância. Ano passado o Supremo disse que a condenação em segunda instância permitia a prisão do acusado. Agora eles estão revendo isso e houve um pedido de vistas do ministro Dias Toffoli. Vai acontecer a decisão do Tribunal Regional Federal do Rio Grande do Sul sobre a sentença condenatória de nove anos do Lula no ano que vem. Se o Supremo permitir a prisão, eu tenho certeza que o TRF vai decretar a prisão e ele não será candidato.

O que pensa dos extremos representados por Lula e Jair Bolsonaro?

O Lula sabe que o candidato mais frágil para ele bater é o Bolsonaro. O Bolsonaro tem um teto que é bem inferior ao do Lula. Então ele quer polarizar para evitar surpresas e o surgimento de uma candidatura de centro, que é 75% do perfil do eleitorado brasileiro. Ele quer insistir em uma candidatura como a do Bolsonaro, escolhendo o adversário. Mas já surgiu uma grande candidatura de centro que pode arrebatar o Brasil nas próximas eleições.

O senhor se refere ao Geraldo Alckmin pelo PSDB?

Para mim é o nome ideal para o Brasil. Foi vereador, prefeito, deputado, vice-governador, quatro vezes governador. Tem um nome testado e é o homem do estado mais importante do Brasil que é São Paulo, o segundo orçamento do país. Simpático, sereno, centrado… ‘ah, mas ele é o picolé de chuchu’, e daí? Nós não precisamos do mister simpatia. Precisamos de um grande gestor que tenha sensibilidade social. E seja honrado, homem correto, como o Geraldo é. A minha torcida é para que ele arrume a casa dentro do PSDB para depois poder arrumar a casa de todo mundo no Brasil.

A posição do PTB é firmar essa aliança com o PSDB?

É a minha torcida que ele saia candidato no PSDB. Eu tenho que discutir isso internamente no PTB. Mas eu percebo que a grande maioria de meu partido caminhará ao lado dele.

Como vê a possibilidade de ascensão de um ‘não-político’?

Os resultados dos outsiders são um desastre. Eu vi o Doria: ‘um grande outsider, empresário de sucesso, ganhou a eleição’… não pinta o meio-fio, não tapa o buraco, não varre a rua. Os jornais já estão mostrando isso. Uma baita insatisfação do paulistano com a gestão ruim que ele vem fazendo. Esse negócio de outsider, nós temos exemplo, não resolve. Quem é que tem experiência, com responsabilidade social e sabe fazer gestão pública? Você para, olha e diz: só tem um nome aí colocado que é o do Geraldo.

O Lula é um desastre. Quebrou o Brasil, assaltou a Petrobras, todo mundo viu. O Bolsonaro nunca governou lugar nenhum. Não tem nenhuma experiência de gestão É um cara empolgado, faz um discurso bonito, um homem correto, mas não tem nenhuma noção de gerência, nem consegue juntar gente em torno dele em um projeto.

Então é fundamental que tenhamos um homem equilibrado, um homem de centro para poder levar adiante com paz sem ódio, sem extremos, sem derramamento de sangue, o governo do Brasil.

Em comparação com as últimas eleições, o senhor acha que o nível do debate será melhor ou teremos mais extremismos?

Vai ser extremamente acalorado se o Lula ficar e o Bolsonaro estiver. Mas eu penso que isso é até bom para o Geraldo. Enquanto eles se destroçarem, nós teremos um candidato bombeiro e pacífico, a terceira via que é o sonho de todo o Brasil.

O senhor mudou o domicílio eleitoral para São Paulo. Qual é a sua situação política?

Eu disputo a eleição para deputado federal pelo PTB-SP. O PTB ainda é um partido de médio porte e só será grande se for grande em Sao Paulo. Eu quero ajudar a construir um PTB forte no estado de São Paulo, ao lado do povo de São Paulo, que tem aspirações semelhantes às nossas e ideias muito parecidas com o PTB. Nós temos posições a favor do estado mínimo, que prestigia a boa qualidade de gestão, o partido moderno. Não abrimos mão da proteção social, mas sabemos que o empreendedor e o trabalhador têm que ter o respeito pelo valor de gerar emprego e pagar impostos. Trabalhador para nós não é só o que tem a carteira assinada, mas também aquele que assina a carteira. Somos mais de centro e conservadores, defendemos a família e os valores judaico-cristãos.

(Colaborou Gustavo Kahil)

 

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