O que esperar do balanço da São Martinho (SMTO3) no 1T27?
A São Martinho (SMTO3) divulga nesta segunda-feira (10), após o fechamento do mercado, seus resultados do primeiro trimestre do ano-safra 2026/27 (1T27), em um período marcado pela queda dos preços de açúcar e etanol com o avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul.
As projeções de Citi e XP Investimentos apontam para um trimestre mais fraco na comparação anual, principalmente devido aos preços mais baixos das commodities e à possibilidade de a companhia ter postergado parte das vendas de etanol diante da piora das cotações no início da safra.
O Citi estima receita líquida de aproximadamente R$ 1,6 bilhão e EBITDA ajustado de R$ 513 milhões, queda de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a XP projeta receita líquida de R$ 1,58 bilhão, recuo de 15% na comparação anual, e Ebitda ajustado de R$ 571 milhões, queda de 29%.
Para a XP, a receita deve ser pressionada principalmente pela redução dos volumes de etanol de cana vendidos, estimados em 199 mil metros cúbicos, ante 230 mil metros cúbicos no 1T26, queda de 14%. O banco também projeta preço médio do açúcar de R$ 1.928 por tonelada, contra R$ 2.396 por tonelada um ano antes.
A menor rentabilidade deve ser refletida nas margens. A XP estima margem EBITDA ajustada de 36,1%, ante 43,3% no 1T26, enquanto o EBIT deve ficar em R$ 200 milhões, com margem de 12,6%, contra 16,3% um ano antes.
SMTO3: etanol em foco
Um dos principais pontos de atenção para o balanço será a estratégia comercial da São Martinho para o etanol.
Segundo o Citi, a companhia pode ter optado por estocar parte da produção e postergar vendas diante da forte queda dos preços do biocombustível com a entrada da nova safra no mercado.
A XP também trabalha com a hipótese de postergação de vendas, o que contribuiria para uma comparação anual ainda mais fraca no trimestre.
O Citi, porém, pondera que a São Martinho possui uma capacidade relevante de armazenagem de etanol, o que permite à companhia aguardar melhores condições de mercado para comercializar os volumes.
Apesar disso, o banco não vê grande probabilidade de uma recuperação relevante dos preços do etanol no curto prazo, diante do excedente de oferta no mercado doméstico.
Açúcar pode ser o principal ponto positivo
Embora o cenário de curto prazo seja mais desafiador para o etanol, o açúcar aparece como uma das principais possíveis fontes de alta para a tese da São Martinho.
O Citi mantém uma visão positiva para os preços do açúcar, principalmente diante dos riscos climáticos associados ao El Niño e de possíveis impactos sobre a oferta global.
Uma safra de cana potencialmente mais curta no Brasil também poderia incentivar uma maior produção de açúcar, especialmente em um cenário de preços internacionais mais favoráveis.
Para o banco, portanto, uma eventual alta do açúcar é o principal risco positivo para a tese da companhia.
Custos e alavancagem
Do lado dos custos, a XP espera algum benefício da diluição dos custos fixos diante da recuperação dos indicadores de produtividade no campo e do avanço da colheita.
A companhia havia sinalizado anteriormente uma redução de aproximadamente 15% nos custos caixa. No entanto, a alta dos preços dos combustíveis após o pico relacionado ao conflito entre Estados Unidos e Irã pode limitar parte desses ganhos.
O Citi, por sua vez, espera aumento da alavancagem da São Martinho no trimestre, refletindo principalmente os investimentos na segunda fase do projeto de etanol de milho e as necessidades de capital de giro.
Balanço deve ter pouco poder de reprecificação
Apesar da expectativa de recuperação operacional no campo, os bancos não veem o 1T27 como um grande catalisador para as ações.
A XP avalia que o mercado ainda carece de visibilidade sobre a magnitude das possíveis perdas na produção de açúcar no Sudeste Asiático. Enquanto não houver uma avaliação mais clara sobre um eventual déficit de oferta, o potencial de alta dos preços das commodities deve permanecer limitado.
O Citi, assim como a XP Investimentos, também mantém recomendação neutra para São Martinho, com preço-alvo de R$ 16 por ação, citando os preços ainda fracos de açúcar e etanol e uma geração recorrente de fluxo de caixa livre pouco atrativa. A XP tem preço-alvo de R$ 14,80 para a ação.