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JBS (JBSS32): Novo negócio reforça DNA de ‘comprar barato e vender caro’ e pode gerar até US$ 1,4 bilhão, diz BTG

10 ago 2026, 11:16
jbs jbss3
(Foto: Divulgação)

A nova joint venture da JBS (JBSS32) com a Danantara Investment Management (DIM), braço do fundo soberano da Indonésia, reforça o DNA da companhia de “comprar barato e vender caro” e pode gerar até US$ 1,4 bilhão em valor para os acionistas, segundo o BTG Pactual.

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Para o banco, a operação representa uma nova fronteira de crescimento para a JBS e pode destravar entre 5% e 16% de valor para a companhia, com potencial de geração adicional conforme os recursos captados sejam utilizados em novas oportunidades de expansão.

“Acreditamos que esse negócio, em última instância, reflete a disposição permanente da JBS de ‘comprar barato e vender caro’”, afirmaram os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG.



JBS mira expansão na Indonésia

Pelo acordo anunciado pela JBS, a companhia contribuirá para a joint venture com sua participação integral nas operações da Austrália e da Nova Zelândia. A Danantara, por sua vez, investirá US$ 2,5 bilhões para adquirir inicialmente 25% da nova empresa.

A integração entre as duas empresas terá como objetivo buscar crescimento orgânico e por meio de aquisições na Indonésia e no Sudeste Asiático. A participação da Danantara poderá aumentar para até 30%, dependendo do desempenho do EBITDA da operação em 2026 e 2027.

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Na avaliação do BTG, a operação coloca a JBS em uma região com elevado potencial de crescimento no consumo de proteínas.

A Indonésia tem cerca de 290 milhões de habitantes, mas apresenta um dos menores níveis de consumo per capita de proteínas animais do mundo, o que, na visão do banco, cria uma oportunidade relevante para expansão.

Até US$ 1,4 bilhão em valor

O BTG estima que as operações australianas da JBS gerarão US$ 760 milhões de EBITDA em 2026. Considerando os termos iniciais do negócio, a joint venture terá cerca de US$ 8,5 bilhões em valor de firma (EV), incluindo aproximadamente US$ 1 bilhão em dívida líquida.

Isso implica um múltiplo de 11,2 vezes EV/Ebitda, enquanto a JBS é negociada atualmente a cerca de 7 vezes EV/Ebitda estimado para 2026.

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É justamente essa diferença de múltiplos que, segundo o BTG, está no centro da criação de valor da operação.

Inicialmente, os analistas calculavam uma criação de valor de US$ 2,5 bilhões para a JBS, equivalente a 16% de sua capitalização de mercado.

Existe, porém, um mecanismo de ajuste na participação da Danantara. Para cada queda de 5% no EBITDA médio da JBS Austrália em 2026 e 2027 em relação a 2025, a participação do fundo na join venture aumentará em 1 ponto percentual, até o limite de 30%.

Como o BTG projeta que o Ebitda médio no período ficará 16% abaixo do registrado em 2025, a expectativa é de que a participação da Danantara chegue a 28%.

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Nesse cenário, o valor patrimonial pré-money implícito da joint venture cairia para aproximadamente US$ 6,4 bilhões. Ainda assim, o negócio representaria uma criação de valor de aproximadamente US$ 1,4 bilhão para a JBS, equivalente a cerca de 9% da capitalização de mercado da companhia.

Plataforma para novas aquisições

Além da criação de valor imediata, o BTG vê a joint venture como uma possível plataforma para a JBS acelerar sua expansão na Ásia.

Historicamente, a companhia não demonstrou grande apetite por parcerias com outros grupos, embora tenha feito algumas exceções recentes, como a parceria no Oriente Médio e a entrada no segmento de ovos.

Na visão do BTG, a nova estrutura reúne governança sólida, balanço patrimonial robusto e uma trajetória estratégica clara, condições que podem permitir à JBS buscar ativos de aquisição negociados a múltiplos baixos.

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“Agora, sob uma joint venture com governança sólida, um balanço patrimonial extremamente robusto e uma trajetória estratégica clara, acreditamos que ela buscará alvos de aquisição negociados a múltiplos baixos”, afirmaram os analistas.

BTG mantém recomendação de compra

O BTG mantém a recomendação de compra (buy) para a JBS e preço-alvo de R$ 100 em 12 meses.

O preço-alvo representa um potencial de valorização de 43,1%. Somado ao dividend yield projetado de 7,2%, o retorno potencial total chega a 50,3%.

“Considerando nosso universo de cobertura de proteínas nos Estados Unidos e no Brasil, a JBS continua oferecendo a combinação mais atraente de valuation, diversificação, disciplina na alocação de capital e geração de fluxo de caixa no médio prazo”, afirmaram os analistas.

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Para o BTG, o anúncio da parceria reforça essa tese ao adicionar uma nova camada de desalavancagem e, ao mesmo tempo, abrir espaço para novos investimentos em crescimento.

A JBS continua como a única recomendação de compra do BTG no segmento de proteínas.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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