M. Dias Branco (MDIA3): Bradesco BBI corta preço-alvo, apesar de recuperação esperada no 2T26
A M. Dias Branco (MDIA3) deve apresentar uma recuperação operacional no segundo trimestre de 2026, mas ainda insuficiente para dissipar as dúvidas sobre a consistência de seus resultados. Essa é a avaliação do Bradesco BBI, que reduziu o preço-alvo da companhia de R$ 26 para R$ 23 por ação, mantendo recomendação neutra.
Na prévia para os resultados, que serão divulgados em 13 de agosto após o fechamento do mercado, o banco projeta receita líquida de R$ 2,7 bilhões, queda de 1% na comparação anual. Apesar do recuo, os analistas esperam crescimento de 3% nos volumes vendidos em relação ao mesmo período de 2025 e avanço de 16% frente ao primeiro trimestre, refletindo ganhos de participação de mercado.
Segundo o BBI, a melhora nos volumes ocorre após a normalização dos embarques, depois do descompasso entre vendas para distribuidores e vendas ao consumidor final observado no início do ano, além de sinais de uma recuperação gradual da execução comercial.
Por outro lado, os preços médios devem cair 4% na comparação anual, acompanhando a redução dos custos das matérias-primas.
A expectativa é de que esse cenário favoreça uma expansão da margem bruta para 34,2%, alta de 0,8 ponto percentual em um ano. No entanto, o banco avalia que esse benefício será mais do que compensado pelo aumento das despesas comerciais, principalmente com logística e marketing.
Com isso, o Bradesco BBI estima margem Ebitda de 11,5%, uma queda de 1,1 ponto percentual na comparação anual, mas recuperação de 3,4 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre.
As projeções apontam para um Ebitda de R$ 311 milhões, recuo de 10% em um ano e avanço de 72% na comparação trimestral. Já o lucro líquido deve atingir R$ 187 milhões, queda de 14% frente ao segundo trimestre de 2025, mas alta de 76% sobre os três primeiros meses deste ano.
MDIA3: recuperação, mas com ressalvas
Na avaliação do Bradesco BBI, o mercado tende a receber positivamente os números do segundo trimestre, principalmente porque a base de comparação é fraca após o desempenho decepcionante do primeiro trimestre.
Ainda assim, os analistas afirmam que a recuperação ainda não altera a leitura estrutural sobre a companhia. A margem Ebitda projetada de 11,5% continua abaixo da média histórica de 15 anos, de 13,7%, mesmo em um ambiente favorável de custos.
Para o banco, a visibilidade sobre o ritmo da recuperação operacional segue limitada e a empresa ainda precisa demonstrar maior consistência na expansão das margens e dos lucros antes que haja uma visão mais otimista sobre a ação.