Raízen (RAIZ4): venda de usina é positiva, mas não basta para reduzir dívida, diz Citi; Adecoagro amplia moagem em 24%
A venda da Usina Caarapó para a Adecoagro representa mais um passo da Raízen (RAIZ4) na estratégia de simplificar seu portfólio de ativos, mas o impacto financeiro da operação ainda está longe de resolver o principal desafio da companhia: a elevada alavancagem. Por volta de 14h33, as ações da Raízen recuavam 3,45%.
É o que avalia o Citi em relatório divulgado nesta segunda-feira (20), após a Adecoagro anunciar a compra da unidade localizada em Mato Grosso do Sul por R$ 760 milhões, valor que inclui os ativos da usina e os contratos de fornecimento de cana-de-açúcar. O pagamento será feito integralmente em dinheiro na conclusão da transação.
Vale lembrar que no final de junho, após a divulgação do balanço da Raízen no 4T26 (quarto trimestre da safra 2025/2026), o banco colocou a ação em revisão.
Na visão dos analistas, a entrada de caixa é positiva por contribuir para a otimização do portfólio da Raízen. Com a venda, a companhia deixará de operar usinas em Mato Grosso do Sul e passará a contar com 23 unidades, com capacidade de moagem de aproximadamente 69 milhões de toneladas de cana por safra.
Apesar disso, o Citi pondera que o montante levantado é insuficiente para promover uma desalavancagem relevante ou reequilibrar a estrutura de capital da empresa.
“A venda é positiva, mas insuficiente para ajudar a companhia a desalavancar e ajustar sua estrutura de capital”, resumem os analistas Gabriel Barra e Pedro Gama.
Negócio fortalece posição da Adecoagro
Para a Adecoagro, por outro lado, o banco vê a aquisição como uma oportunidade atrativa de crescimento.
A Usina Caarapó moeu cerca de 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26 e está localizada a cerca de 100 quilômetros das usinas de Angélica e Ivinhema, já pertencentes à companhia.
Com a incorporação do ativo, a capacidade de moagem da Adecoagro deverá crescer 24%, alcançando aproximadamente 17,7 milhões de toneladas de cana por safra.
Segundo o Citi, a operação foi fechada a um múltiplo considerado atrativo, de cerca de US$ 42 por tonelada de capacidade de moagem, abaixo do observado nas transações mais recentes do setor.
Fundamentos seguem desafiadores
Embora enxergue valor estratégico na aquisição, o Citi mantém uma visão cautelosa para o setor de açúcar e etanol.
Os analistas destacam que o aumento da produção doméstica de etanol pressiona os fundamentos do mercado, enquanto os preços do açúcar podem encontrar suporte caso um evento de El Niño reduza a produção global.
Por outro lado, o banco ressalta que o crescimento da demanda por açúcar pode perder força com o avanço dos medicamentos para perda de peso, fator que tende a limitar parte do potencial de alta da commodity.