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China fecha a torneira da carne brasileira, mas Estados Unidos podem aliviar pressão, diz BofA

08 set 2026, 13:45
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(Foto: Reuters/Jose Luis Gonzalez)

A forte redução das compras chinesas deve pressionar as exportações brasileiras de carne bovina no terceiro trimestre de 2026, segundo relatório do Bank of America (BofA). Em contrapartida, uma cota temporária dos Estados Unidos com isenção tarifária pode aliviar parte do impacto.

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As exportações brasileiras de carne bovina recuaram 27% em agosto na comparação anual. No acumulado de 2026, porém, os embarques ainda avançam 5%, sustentados pelos volumes enviados à China durante o primeiro semestre.

Somente em julho, as vendas para o mercado chinês caíram 48% ante o mesmo período do ano passado. A desaceleração ocorreu à medida que a cota de importação da China para 2026, de 1,106 milhão de toneladas, se aproximou do esgotamento. Entre janeiro e agosto, os embarques somaram 872 mil toneladas.

Apesar do recuo das compras chinesas, o BofA observou um impacto limitado sobre os preços. O valor médio da carne bovina exportada permaneceu firme na comparação anual, embora tenha caído 3%, em dólares, ante julho.

O banco espera que os volumes exportados continuem enfraquecidos no terceiro trimestre, antes de uma recuperação gradual nos últimos três meses do ano. A melhora deve ocorrer conforme os frigoríficos comecem a contabilizar embarques para a China dentro da cota de 2027.

União Europeia adiciona pressão

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O cenário para os exportadores ficou mais desafiador após a União Europeia suspender, em 3 de setembro, as importações de proteínas brasileiras. O bloco alegou garantias insuficientes sobre o controle e a rastreabilidade do uso de antimicrobianos na produção animal.

A exposição brasileira à região é limitada em volume. Em 2025, o país exportou para a União Europeia 109 mil toneladas de carne bovina, 27 mil toneladas de frango e 220 mil toneladas de carne suína. Juntos, esses volumes representaram menos de 4% das exportações brasileiras das três proteínas.

No caso da carne bovina, contudo, a relevância financeira é maior. Segundo o BofA, a União Europeia costuma pagar preços 56% superiores à média das exportações brasileiras, devido à demanda por cortes de maior valor agregado.

Estados Unidos podem compensar parte da perda

Do outro lado, a decisão dos Estados Unidos de suspender por 90 dias a tarifa de importação de 26,5% sobre a carne bovina deve proporcionar algum alívio ao setor no terceiro trimestre.

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O Brasil deverá ficar com 193 mil toneladas da cota total de 300 mil toneladas com isenção tarifária. O volume restante será destinado ao Paraguai.

A cota será liberada em parcelas mensais de 100 mil toneladas. O BofA pondera, porém, que sua utilização no curto prazo pode ser limitada por questões logísticas, pela elegibilidade das plantas frigoríficas e por contratos já existentes.

Além disso, o programa está condicionado à manutenção de um desconto relevante da carne importada em relação ao produto doméstico norte-americano.

Mesmo com essas limitações, o banco espera crescimento dos embarques para os Estados Unidos, capaz de compensar parcialmente a redução das vendas para a China durante o terceiro trimestre.

Operações nos EUA ganham perspectiva favorável

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Para as companhias com exposição à indústria de carne bovina dos Estados Unidos, o BofA identifica uma perspectiva mais favorável para os resultados.

A reabertura da fronteira entre México e Estados Unidos, combinada à redução da capacidade de abate dos frigoríficos, deve elevar a utilização das plantas e ampliar os spreads do setor.

Na avaliação do banco, essa melhora será o principal fator positivo para os resultados das empresas expostas ao mercado norte-americano de carne bovina daqui para frente.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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