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BrasilAgro (AGRO3): 1T27 tem venda de fazenda como destaque, mas Itaú BBA cobra recorrência e mantém cautela

04 nov 2026, 12:15 - atualizado em 04 nov 2026, 12:20
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Banco vê potencial de valorização de 28,1% para AGRO3, mas avalia que novas transações envolvendo propriedades rurais são fundamentais. (iStock.com/Igor Alecsander)

A BrasilAgro (AGRO3) registrou EBITDA ajustado de R$ 95 milhões no primeiro trimestre do exercício fiscal de 2027 (1T27), em linha com as projeções do Itaú BBA. O resultado teve como principal destaque a contribuição de R$ 50 milhões da venda da Fazenda Rio do Meio, operação que já havia sido comunicada pela companhia ao mercado.

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Em relatório divulgado nesta quarta-feira (4), o banco manteve recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 22 para 2027. Considerando a cotação de R$ 17,18 utilizada pelos analistas, o valor representa um potencial de valorização de 28,1%.

Na avaliação do Itaú BBA, a venda da propriedade ajudou a reduzir os riscos relacionados ao negócio de transações com terras da companhia. No entanto, os analistas ressaltam que os investidores ainda precisam de maior visibilidade sobre novas oportunidades de venda de propriedades rurais para avaliar a tese de investimento de maneira mais favorável.

O banco estima que a BrasilAgro realize R$ 100 milhões em desinvestimentos de terras ao longo do exercício de 2027. Os R$ 50 milhões reconhecidos no primeiro trimestre, portanto, já representam metade dessa projeção e ajudam a reduzir os riscos de execução.

BrasilAgro prioriza redução da dívida

Outro ponto destacado pelo Itaú BBA é a preferência da administração por reduzir o endividamento em vez de realizar novas aquisições de terras. A companhia considera a desalavancagem uma utilização de capital mais eficiente enquanto as taxas reais de juros permanecerem elevadas.

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O banco também chama atenção para os ativos rurais mais líquidos da BrasilAgro na Bahia, que devem continuar no radar como potenciais fontes de realização de valor.



A alavancagem ajustada da companhia recuou no trimestre, refletindo a redução da dívida líquida e o aumento do saldo de recebíveis. O Itaú BBA espera que essa tendência continue melhorando nos próximos períodos.

Hedge de soja e algodão avança

Nas operações agrícolas, os resultados ficaram, de maneira geral, em linha com as estimativas do banco. A receita líquida do segmento ficou apenas 2% abaixo das projeções, com poucas surpresas entre as culturas.

Na cana-de-açúcar, os volumes menores refletiram desafios climáticos e o adiamento de uma quantidade relevante de produção para o trimestre seguinte.

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O Itaú BBA também destacou o avanço da estratégia de comercialização da BrasilAgro, que ampliou a proteção de preços para a safra 2026/27.

Os contratos de hedge de soja passaram a cobrir 57% dos volumes esperados, a US$ 12,26 por bushel, ante 21% na divulgação anterior, quando o preço era de US$ 11,86.

No algodão, a cobertura avançou de 17% para 52%, com preços de US$ 0,77 por libra-peso, cerca de 10% acima dos níveis anteriormente informados.

Do lado dos custos, a aquisição de insumos também está avançada. A companhia já contratou metade de suas necessidades de cloreto de potássio (KCl) para a safra 2027/28, antecipando compras para melhorar a previsibilidade dos custos e reduzir a exposição a uma eventual alta dos fertilizantes.

El Niño segue como risco para a safra

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Apesar dos avanços na comercialização, o Itaú BBA avalia que as condições climáticas continuam sendo uma variável importante para os resultados da BrasilAgro.

Diante dos potenciais efeitos do El Niño e da recuperação ainda limitada dos preços do milho, a companhia revisou o planejamento agrícola em Mato Grosso.

Áreas de menor produtividade destinadas ao milho foram realocadas para a soja, que oferece retornos mais atrativos em relação aos riscos envolvidos.

O plantio de soja também começou em ritmo superior ao do ano passado, o que representa um fator positivo para a safra 2026/27. Ainda assim, os analistas alertam que o fenômeno climático pode afetar tanto a produtividade dos grãos quanto as operações de cana-de-açúcar.

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As interrupções recentes nas chuvas na região Centro-Sul aumentaram as preocupações com volumes menores de cana e com a possibilidade de transferência de parte da produção para a próxima safra.

Na avaliação do banco, a combinação de preços mais altos das commodities e de um real mais desvalorizado tende a favorecer as margens operacionais das empresas agrícolas exportadoras. Por outro lado, os riscos climáticos e o ambiente de juros elevados podem pressionar a geração de caixa do setor, especialmente entre operadores menores e mais endividados.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.

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