Raízen altera ticker de ações preferenciais a partir desta terça-feira (3); veja como fica
A Raízen informou ao mercado que, a partir desta terça-feira (3), suas ações preferenciais classe A (PNA) passam a ser negociadas na B3 sob o novo código RAIZ55, substituindo o ticker RAIZ4.
A mudança ocorre em continuidade ao comunicado divulgado pela companhia em 26 de outubro e faz parte da reorganização da negociação dos papéis preferenciais da empresa.
Segundo a Raízen, as ações PNA passarão a ser negociadas com fator de cotação de 100 ações e lote padrão de 100 papéis. Já as posições inferiores ao lote padrão continuarão sendo negociadas normalmente no mercado fracionário.
A companhia ressaltou que a alteração não afeta a participação dos investidores nem os direitos vinculados aos ativos. De acordo com a empresa, a mudança também não modifica o valor das posições detidas pelos acionistas, impactando apenas a forma de expressão do preço dos papéis, conforme as regras operacionais da B3.
A Raízen destacou ainda que a quantidade de valores mobiliários em carteira permanece inalterada, sem necessidade de qualquer ação por parte dos investidores.
Raízen atravessa processo de reestruturação financeira
A mudança do ticker ocorre em meio ao momento mais desafiador da história da Raízen. A companhia entrou em recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, após um período marcado por forte alavancagem, juros elevados, impactos climáticos sobre a produção de cana e pressão nas margens dos negócios de açúcar, etanol e bioenergia.
Nos resultados mais recentes, a empresa reportou prejuízo líquido de R$ 7,3 bilhões no quarto trimestre da safra 2025/26 e encerrou o período com dívida líquida de R$ 58,2 bilhões. Ao longo do exercício, a companhia contabilizou baixas contábeis (impairments) de R$ 22,5 bilhões relacionadas à reavaliação de ativos e à deterioração de sua situação financeira.
Como parte do plano de recuperação, a Raízen obteve apoio de mais de 80% dos credores para sua reestruturação, que prevê aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell, conversão de parte dos créditos em ações e refinanciamento das dívidas remanescentes.
A companhia também acelerou a venda de ativos para reduzir a alavancagem. Segundo a administração, os desinvestimentos já somaram R$ 12 bilhões, enquanto a estratégia atual prioriza geração de caixa, corte de investimentos e simplificação do portfólio, após anos de expansão.