Banco do Brasil (BBAS3) pode andar para trás no 1T26, veem analistas, e ação cai forte; ‘riscos significados’
Tudo indicava que o primeiro trimestre de 2026 seria de recuperação para o Banco do Brasil (BBAS3), após um quarto trimestre considerado positivo. As ações, inclusive, chegaram a encostar em R$ 27, muito próximo do patamar anterior à piora dos resultados.
Mas relatórios de analistas jogaram um pouco de água nessas perspectivas. Com isso, a ação do BBAS3 caía 3,11%, a R$ 24,59, por volta das 12h27 — desempenho pior do que o de outros bancos.
O Itaú BBA, por exemplo, projeta lucro de R$ 3,6 bilhões, queda de 36% em relação ao quarto trimestre, e um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de apenas 7,5%, contra 12,1% no período anterior.
Para os analistas, enquanto a carteira de crédito desacelera, as despesas com provisões devem permanecer elevadas, em cerca de R$ 17,4 bilhões, impulsionadas pela deterioração dos estágios de crédito em diferentes carteiras.
Com um início de ano mais fraco, o banco deverá correr se quiser atingir o piso do guidance de lucro para 2026, entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A estimativa do Itaú BBA está em R$ 21 bilhões.
Trimestre fraco
E o Itaú BBA não está sozinho. O BTG Pactual também enxerga um trimestre fraco, com o lucro líquido provavelmente entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões — de 30% a 15% abaixo do consenso.
Os analistas lembram que o resultado do quarto trimestre, de R$ 5,7 bilhões, foi inflado por um efeito tributário positivo extraordinário e bastante expressivo.
‘Portanto, uma comparação com um trimestre mais fraco não deve ser surpresa na ausência de evidências claras de melhorias operacionais’.
Mesmo assim, para o BTG, a magnitude da queda sequencial nos lucros e no ROE, em comparação com o quarto trimestre, ainda pode surpreender.
Além disso, o banco destaca que as ações subiram cerca de 10% no último mês e aproximadamente 17% no acumulado do ano, superando concorrentes como o Bradesco (BBDC4). ‘Reiteramos uma postura mais cautelosa’.
Banco do Brasil: pior do que o esperado
Ainda segundo o BTG, a principal inflexão era esperada a partir dos reembolsos da última colheita, após o banco ‘apertar’ as exigências para empréstimos a agricultores. No entanto, a avaliação é de que o primeiro trimestre já ficou aquém das expectativas iniciais.
Combinado à deterioração contínua das condições do agronegócio — especialmente devido aos custos mais elevados do diesel e ao câmbio —, ‘vemos um risco crescente de que o segundo trimestre também possa decepcionar’.
Isso porque o aumento dos preços do diesel e dos fertilizantes, devido à guerra no Irã, deve representar um obstáculo principalmente para a próxima safra, ao elevar os custos de produção. Já a desvalorização do real provavelmente já pressiona as margens dos produtores no curto prazo.
‘Embora anteriormente esperássemos alguma melhora no lucro antes de impostos (EBT), agora vemos uma probabilidade maior de queda de aproximadamente 20% em relação ao trimestre anterior’.
Dia do investidor, importante termômetro
Ainda segundo o BTG, o Dia do Investidor da próxima semana deverá ser um termômetro importante, particularmente em relação:
- a trajetória do portfólio do agronegócio;
- as tendências de provisionamento; e
- o momento de uma possível recuperação.
‘O momento é crucial, visto que nos aproximamos do final de abril, um período crítico para avaliar os primeiros pagamentos da última safra’.
Neste momento, no entanto, o BTG vê riscos significativos de revisão para baixo nas projeções, no consenso e nas orientações.
Atualmente, as ações são negociadas a cerca de 0,8x o valor patrimonial mais recente, ‘com um ROE que pode ter dificuldades para atingir 10% em 2026 e um rendimento de dividendos na casa de um dígito médio, que não parece particularmente atraente em relação aos padrões históricos’.
Para o BTG, se o mercado reduzir a estimativa de lucros deste ano em cerca de 20%, para R$ 20 bilhões, as ações passariam a ser negociadas a aproximadamente 7,3x o P/L, com um dividend yield ao redor de 4% — níveis que não parecem particularmente atraentes pelos padrões históricos do banco.