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Banco do Brasil (BBAS3) pode andar para trás no 1T26, veem analistas, e ação cai forte; ‘riscos significados’

15 abr 2026, 13:06 - atualizado em 15 abr 2026, 13:06
Banco do Brasil
(Imagem: iStock/Rmcarvalho)

Tudo indicava que o primeiro trimestre de 2026 seria de recuperação para o Banco do Brasil (BBAS3), após um quarto trimestre considerado positivo. As ações, inclusive, chegaram a encostar em R$ 27, muito próximo do patamar anterior à piora dos resultados.

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Mas relatórios de analistas jogaram um pouco de água nessas perspectivas. Com isso, a ação do BBAS3 caía 3,11%, a R$ 24,59, por volta das 12h27 — desempenho pior do que o de outros bancos.

O Itaú BBA, por exemplo, projeta lucro de R$ 3,6 bilhões, queda de 36% em relação ao quarto trimestre, e um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de apenas 7,5%, contra 12,1% no período anterior.

Para os analistas, enquanto a carteira de crédito desacelera, as despesas com provisões devem permanecer elevadas, em cerca de R$ 17,4 bilhões, impulsionadas pela deterioração dos estágios de crédito em diferentes carteiras.

Com um início de ano mais fraco, o banco deverá correr se quiser atingir o piso do guidance de lucro para 2026, entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A estimativa do Itaú BBA está em R$ 21 bilhões.

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Trimestre fraco

E o Itaú BBA não está sozinho. O BTG Pactual também enxerga um trimestre fraco, com o lucro líquido provavelmente entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões — de 30% a 15% abaixo do consenso.

Os analistas lembram que o resultado do quarto trimestre, de R$ 5,7 bilhões, foi inflado por um efeito tributário positivo extraordinário e bastante expressivo.

‘Portanto, uma comparação com um trimestre mais fraco não deve ser surpresa na ausência de evidências claras de melhorias operacionais’.

Mesmo assim, para o BTG, a magnitude da queda sequencial nos lucros e no ROE, em comparação com o quarto trimestre, ainda pode surpreender.

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Além disso, o banco destaca que as ações subiram cerca de 10% no último mês e aproximadamente 17% no acumulado do ano, superando concorrentes como o Bradesco (BBDC4). ‘Reiteramos uma postura mais cautelosa’.

Banco do Brasil: pior do que o esperado

Ainda segundo o BTG, a principal inflexão era esperada a partir dos reembolsos da última colheita, após o banco ‘apertar’ as exigências para empréstimos a agricultores. No entanto, a avaliação é de que o primeiro trimestre já ficou aquém das expectativas iniciais.

Combinado à deterioração contínua das condições do agronegócio — especialmente devido aos custos mais elevados do diesel e ao câmbio —, ‘vemos um risco crescente de que o segundo trimestre também possa decepcionar’.

Isso porque o aumento dos preços do diesel e dos fertilizantes, devido à guerra no Irã, deve representar um obstáculo principalmente para a próxima safra, ao elevar os custos de produção. Já a desvalorização do real provavelmente já pressiona as margens dos produtores no curto prazo.

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‘Embora anteriormente esperássemos alguma melhora no lucro antes de impostos (EBT), agora vemos uma probabilidade maior de queda de aproximadamente 20% em relação ao trimestre anterior’.

Dia do investidor, importante termômetro

Ainda segundo o BTG, o Dia do Investidor da próxima semana deverá ser um termômetro importante, particularmente em relação:

  • a trajetória do portfólio do agronegócio;
  • as tendências de provisionamento; e
  • o momento de uma possível recuperação.

‘O momento é crucial, visto que nos aproximamos do final de abril, um período crítico para avaliar os primeiros pagamentos da última safra’.

Neste momento, no entanto, o BTG vê riscos significativos de revisão para baixo nas projeções, no consenso e nas orientações.

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Atualmente, as ações são negociadas a cerca de 0,8x o valor patrimonial mais recente, ‘com um ROE que pode ter dificuldades para atingir 10% em 2026 e um rendimento de dividendos na casa de um dígito médio, que não parece particularmente atraente em relação aos padrões históricos’.

Para o BTG, se o mercado reduzir a estimativa de lucros deste ano em cerca de 20%, para R$ 20 bilhões, as ações passariam a ser negociadas a aproximadamente 7,3x o P/L, com um dividend yield ao redor de 4% — níveis que não parecem particularmente atraentes pelos padrões históricos do banco.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intesivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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