Selic deve cair menos do que o esperado, diz XP; veja nova projeção
A XP elevou sua projeção para a taxa Selic ao fim de 2026, em meio à piora do cenário inflacionário global e doméstico. Agora, a casa espera que os juros terminem o próximo ano em 13,75%, acima da estimativa anterior de 13,50%, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (7).
A revisão ocorre em um ambiente marcado pela escalada do conflito no Oriente Médio, alta persistente do petróleo e pressão crescente sobre a inflação brasileira. Apesar da valorização do real ajudar a suavizar parte do choque externo, os economistas da XP avaliam que o Banco Central precisará manter uma postura mais cautelosa nos próximos meses.
Com isso, a corretora passou a projetar três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na Selic, seguidos de uma pausa no ciclo de flexibilização monetária. Antes, a expectativa era de reduções mais intensas, de 0,50 ponto por reunião, até 13,50%.
Segundo a XP, a deterioração das expectativas de inflação foi um dos principais fatores por trás da mudança. A casa destaca que as projeções para 2027, horizonte mais relevante para a política monetária, já se aproximam de 4%, bem acima da meta contínua de 3% perseguida pelo BC.
“O cenário de inflação continua se deteriorando”, afirmam os economistas no relatório, citando a combinação entre choque global de petróleo, demanda doméstica aquecida e risco de um El Niño mais severo, que pode pressionar os preços dos alimentos no segundo semestre.
Com isso, a XP também elevou sua projeção para o IPCA de 2026, de 5,1% para 5,3%. Para 2027, a estimativa foi mantida em 4%, sustentada por um câmbio mais apreciado e pela expectativa de política monetária mais restritiva.
Do lado da atividade, a casa segue vendo uma economia resiliente, impulsionada pelo mercado de trabalho aquecido e por medidas de estímulo do governo. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 foi mantida em alta de 2%.
Além da revisão para os juros, a XP reduziu sua projeção para o dólar no fim de 2026, de R$ 5,30 para R$ 5,00, refletindo a entrada de fluxo estrangeiro e a visão de que o Brasil aparece como um “vencedor relativo” no atual cenário geopolítico por ser exportador líquido de commodities.