Inter (INTR) mergulha 14,4% após resultados e caminha para pior queda em 3 anos; o que pesou?
O papel do Inter (INTR) caminha para o pior tombo em três anos após entregar resultados que ligaram o sinal amarelo para a qualidade dos ativos do banco. Por volta das 15h42, a ação mergulhava 14,41%, a US$ 6,71 na Nasdaq. Trata-se da maior queda desde janeiro de 2023, segundo dados da Investing.
Apesar do lucro recorde, de R$ 395 milhões, alta de 37,8%, e do ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 15,5%, avanço de 0,4 ponto percentual, o mercado fechou a cara para o índice de inadimplência.
Os indicadores de qualidade de ativos pioraram: o índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 5,1%, alta de 0,5 ponto percentual no ano. Na chamada inadimplência curta, também houve piora, de 0,3 ponto percentual, para 4,6%.
Com o cenário econômico cada vez pior, o custo do risco aumentou para 5,6%, sugerindo, na visão da XP, que o crescimento está vindo, cada vez mais, às custas da qualidade dos ativos.
“Na nossa avaliação, essa deterioração se torna um ponto de atenção na medida em que superou a alta de NPLs (empréstimos bancários em atraso) tipicamente observada no padrão sazonal do início de 2025, mesmo com um mix mais colateralizado”.
Para os analistas, a queda reflete um ambiente macroeconômico mais fraco, além do aumento do saldo de cartões de crédito remunerados, da evolução do consignado privado e dos efeitos sazonais.
Inter: Bem abaixo
Há outras preocupações, no entanto. Segundo o Safra, os resultados ficaram abaixo da estimativa e do consenso, com o desempenho decepcionante impulsionado pela queda na receita líquida de juros.
Ainda de acordo com os analistas, os empréstimos consignados privados mantiveram um ritmo de expansão moderado (+R$ 600 milhões em relação ao trimestre anterior), enquanto o crescimento dos empréstimos imobiliários continuou se destacando, limitando os efeitos da composição da carteira.
“Por esse motivo, chamamos a atenção para algumas tendências na qualidade dos ativos, especialmente o aumento de 60 pontos-base na inadimplência de curto prazo em relação ao trimestre anterior, como um possível sinal de deterioração, e não apenas um efeito da composição da carteira”.
Para o Safra, as atuais preocupações com as tendências do setor podem levar o mercado a questionar o apetite ao risco do Inter.
Vale lembrar que o banco tem a ambiciosa meta estratégica “60-30-30” para 2027, que projeta alcançar 60 milhões de clientes, 30% de índice de eficiência e um ROE de 30%. A estratégia foca na rentabilidade da carteira de crédito e no controle de custos para acelerar a lucratividade.
A recomendação é neutra, com preço-alvo de US$ 10.
Perdas e perdas
Segundo o BB Investimentos, a percepção de perda gradual de ímpeto, mesmo quando considerado o caráter sazonalmente mais fraco do primeiro trimestre para o setor bancário.
“Ainda que o lucro e ROE tenham avançado, o fizeram de forma modesta, com o custo do crédito se configurando como o principal detrator do período”.
Para os analistas, as métricas de qualidade de crédito, por sua vez, mostraram deterioração mais incômoda e em certa medida desalinhada em relação aos outros bancos que já divulgaram resultados até o momento.
“Diante do contexto menos exuberante que paira sobre o Inter, mantemos nossa recomendação Neutra, refletindo a ausência de visibilidade, neste momento, quanto a uma nova rodada mais contundente de expansão dos principais indicadores do banco”.