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Tratores chineses até 40% mais baratos elevam pressão sobre indústria nacional de máquinas agrícolas

03 ago 2026, 12:30
tratores china máquinas agrícolas
(iStock.com/JR Slompo)

A entrada das fabricantes chinesas de máquinas agrícolas no Brasil ganha força e começa a redesenhar a disputa por um mercado historicamente dominado por gigantes como John Deere, CNH e AGCO. Com tratores vendidos entre 30% e 40% mais baratos, além de planos para instalar fábricas e ampliar a oferta de crédito, as empresas asiáticas elevam a pressão competitiva sobre a indústria nacional.

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É o que aponta um levantamento da Cogo Inteligência em Agronegócio, que cruzou dados oficiais de comércio exterior, registros da Receita Federal e informações corporativas das próprias fabricantes chinesas.

Segundo o estudo, entre janeiro e junho de 2026, o Brasil importou US$ 200,4 milhões em tratores, o equivalente a 14.985 unidades. Desse total, 67% vieram da China.

Na avaliação da consultoria, a competitividade dos fabricantes chineses é resultado de uma estrutura de custos mais eficiente. A Cogo estima que essas empresas conseguem produzir tratores com custo até 27% inferior ao das indústrias instaladas no Brasil, beneficiadas pela escala industrial, menor custo do aço e da mão de obra.

Na prática, essa diferença já chega ao produtor rural. De acordo com o levantamento, os tratores chineses desembarcam no mercado brasileiro com preços entre 30% e 40% inferiores aos praticados pelas líderes tradicionais do setor, fator que pode influenciar diretamente a decisão de compra.

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“Não estamos mais falando de um movimento tímido de importação. Estamos falando de fábrica anunciada, banco próprio operando e rede de distribuição em expansão acelerada. É uma ofensiva industrial completa, e o setor nacional precisa reagir com a mesma velocidade”, afirma Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio.

Fábricas e financiamento entram na estratégia

O estudo mostra que a estratégia das fabricantes chinesas vai além da importação de equipamentos.

A YTO, líder do mercado chinês de tratores, já anunciou a instalação de uma fábrica em Caruaru (PE), com investimento estimado entre R$ 150 milhões e R$ 500 milhões. A unidade deverá iniciar as operações no fim de 2026, com capacidade para produzir entre 100 e 120 tratores por mês.

Além disso, a consultoria identificou outro projeto de fabricação local, com investimento previsto de R$ 200 milhões e capacidade para produzir 5 mil tratores por ano — volume equivalente a aproximadamente 10% de todo o mercado brasileiro registrado em 2025.

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Outro diferencial é a oferta de crédito. A XCMG, quarta maior fabricante de máquinas do mundo, já opera no Brasil o Banco XCMG, que possui uma carteira de crédito de R$ 697 milhões. Embora atualmente o foco esteja em outros segmentos, a estrutura pode ser direcionada ao financiamento de máquinas agrícolas.

Já a Zoomlion, que faturou cerca de US$ 10 bilhões globalmente, declarou como meta conquistar 10% do mercado brasileiro por meio de uma estratégia que integra a venda de máquinas agrícolas e serviços financeiros.

Alerta para a indústria nacional

Para a Cogo, a concorrência chinesa representa um dos maiores desafios enfrentados pela indústria brasileira de máquinas agrícolas nos últimos anos.

A própria Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) já classificou o avanço das fabricantes chinesas como um desafio maior do que as tarifas impostas pelos Estados Unidos, em declaração feita à imprensa em julho.

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O levantamento também aponta que a ofensiva não se restringe aos tratores. Empresas como Boshiran, CRCHI e Swan já comercializam colhedoras de algodão em Mato Grosso, enquanto marcas como Lovol, YTO e Zoomlion ampliam sua atuação no segmento de colheitadeiras de grãos utilizando a mesma rede comercial criada para os tratores.

Na avaliação de Carlos Cogo, o histórico de outros setores da economia mostra que a estratégia chinesa costuma seguir um roteiro conhecido: entrada via importação, expansão da rede de distribuição, nacionalização da produção e acesso às linhas públicas de financiamento.

Para o executivo, a resposta da indústria instalada no Brasil não deve se limitar à defesa comercial ou à adoção de barreiras tarifárias.

“Proteger mercado sem investir em eficiência, tecnologia e qualidade de pós-venda é uma estratégia com prazo de validade curto. Quem vai vencer essa disputa não é necessariamente quem cobra menos, mas quem constrói rede, crédito e confiança mais rápido”.

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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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