É hora de comprar Irani (RANI3)? BTG vê 2T26 sólido, destaca forte geração de caixa e remuneração de até 11% ao acionista
A Irani (RANI3) entregou um segundo trimestre de 2026 (2T26) em linha com as expectativas do BTG Pactual, mas com indicadores que reforçam a tese de investimento da companhia.
Entre os destaques, o banco aponta a forte geração de caixa, a continuidade da remuneração aos acionistas e o valuation considerado atrativo. Por volta de 10h34 desta segunda (3), as ações avançavam 2,84%.
O Ebitda (métrica do mercado que avalia a geração de caixa de uma empresa) somou R$ 132 milhões, praticamente em linha com as estimativas da instituição. Para os analistas, porém, o principal ponto positivo do trimestre foi o fluxo de caixa livre (FCF), que alcançou R$ 118 milhões, equivalente a um yield anualizado de aproximadamente 25%.
Segundo o BTG, o resultado reflete a elevada capacidade de conversão de caixa da Irani e contrasta com o desempenho recente das ações, que acumulam queda de cerca de 20% desde as máximas registradas em março, sem que tenha havido deterioração relevante dos fundamentos da companhia.
“O principal destaque foi a geração de fluxo de caixa livre”, afirmam os analistas Marcelo Arazi, Leonardo Correa e Rodrigo Gotardo.
Além disso, o banco destaca a política de remuneração aos acionistas. Considerando os dividendos distribuídos nos últimos 12 meses, que representam um dividend yield de aproximadamente 7%, e o programa de recompra de ações, a estimativa é de um retorno total entre 10% e 11% ao acionista em 2026.
Operação segue resiliente
No operacional, a Irani registrou crescimento de 5% no volume consolidado de vendas na comparação anual, para 76 mil toneladas, desempenho superior às projeções do BTG.
O segmento de papelão ondulado foi o principal destaque, com avanço de 6% nos volumes vendidos, acima da expansão de 3,5% observada pelo mercado brasileiro, segundo a Empapel. Com isso, a participação de mercado da companhia subiu para 4,1%, já alcançando o teto do guidance divulgado para 2026.
As vendas de papel para embalagens também avançaram em relação ao trimestre anterior, impulsionadas pela normalização da produção após as paradas programadas do início do ano e pela evolução da máquina PM#5, modernizada no âmbito do Projeto Gaia XI.
Embora os custos do papel reciclado (OCC) tenham aumentado no trimestre devido às maiores despesas logísticas, o BTG avalia que os níveis atuais ainda permitem à empresa sustentar margens de EBITDA superiores a 30% e ampliar o retorno sobre o capital investido (ROIC).
BTG mantém compra para RANI3
Outro fator positivo destacado pelo banco foi a redução da alavancagem financeira. A relação entre dívida líquida e Ebitda caiu de 2,11 vezes no primeiro trimestre para 2,07 vezes no 2T26, reforçando a expectativa de manutenção de um payout de dividendos de 50% até o fim do ano.
Diante do conjunto de resultados, o BTG reiterou a recomendação de compra e preço-alvo de R$ 14 (potencial de alta de 67,46%) para as ações da Irani.
Na avaliação dos analistas, a companhia continua sendo uma das empresas mais resilientes de sua cobertura, sustentada pelos investimentos realizados no programa Gaia, pela capacidade de repassar custos ao mercado e por um valuation considerado descontado.
Atualmente, a ação negocia a cerca de 4,3 vezes o EV/EBITDA (valor da empresa sobre geração de caixa) projetado para 2026, patamar que, segundo o banco, ainda não reflete o potencial de crescimento e de geração de valor da companhia.