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JBS (JBSS32): Queima de caixa e carne bovina dos EUA decepcionam no 1T26; o que dizem os analistas?

13 maio 2026, 12:10 - atualizado em 13 maio 2026, 12:10
jbs-jbss32
(Foto: Divulgação)

A temporada de resultados começou com um gosto amargo para a JBS (JBSS32) no primeiro trimestre de 2026 (1T26). Embora a receita tenha crescido em praticamente todas as divisões, analistas destacaram uma combinação de margens pressionadas na operação de carne bovina dos Estados Unidos e uma forte queima de caixa como os principais pontos negativos do balanço.

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Por volta de 11h46, o BDR da JBS recuava 6,39%, em R$ 69,27.

O consenso entre os bancos é que o trimestre veio abaixo das expectativas, especialmente no nível de Ebitda e geração de caixa livre, ainda que a companhia siga vista como uma das empresas mais resilientes do setor global de proteínas.

A XP Investimentos afirmou que os números ficaram “no alvo — mas não onde o mercado esperava”. O EBITDA ajustado IFRS atingiu R$ 6 bilhões, praticamente em linha com as estimativas da corretora, mas cerca de 8% abaixo do consenso de mercado.

O principal ponto negativo, segundo a XP, foi a geração de caixa. A JBS consumiu US$ 1,5 bilhão no trimestre, muito acima da expectativa da casa, de US$ 731 milhões. O impacto veio principalmente do consumo maior de capital de giro, além de despesas financeiras e de arrendamento mais elevadas.

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Para a XP, a reação das ações tende a ser negativa no curto prazo diante da conversão de caixa mais fraca, do resultado abaixo do consenso e da baixa visibilidade operacional tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Ainda assim, a corretora mantém recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 112,20.

Na visão do Bradesco BBI, o trimestre mostrou “pressão por todos os lados”. O banco destacou que, apesar do crescimento de 11% da receita líquida consolidada, a lucratividade sofreu forte deterioração. O EBITDA ajustado caiu 26% na comparação anual, enquanto a margem consolidada recuou 2,6 pontos percentuais.

A operação de carne bovina nos Estados Unidos voltou a ser o principal problema. Mesmo com avanço de 12% na receita, os spreads permaneceram próximos das mínimas históricas, levando a divisão a registrar margem EBITDA negativa de -3,2%.

Além disso, a geração de caixa livre negativa em US$ 1,5 bilhão chamou atenção do banco, refletindo forte consumo de capital de giro e aumento relevante nos investimentos. O BBI ressaltou ainda que a alavancagem subiu para 3,1 vezes dívida líquida/EBITDA.

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Apesar do cenário desafiador, o banco mantém recomendação de compra para a JBS, com preço-alvo de R$ 117, citando valuation descontado frente aos pares globais e diversificação geográfica como fatores de suporte.

O BTG Pactual também avaliou que os resultados vieram levemente abaixo das expectativas, especialmente por causa da operação de carne bovina nos EUA. Segundo o banco, os spreads historicamente baixos da indústria em janeiro e fevereiro pressionaram as margens da divisão.

Por outro lado, a operação de carne suína nos Estados Unidos foi apontada como o principal destaque positivo do trimestre, com margens acima do esperado e desempenho operacional considerado forte.

O BTG também destacou a queima de caixa de cerca de US$ 1,4 bilhão, explicada principalmente pelo consumo sazonal de capital de giro em um cenário de aumento dos custos de matérias-primas, especialmente gado e grãos.

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Mesmo assim, o banco segue vendo a JBS como sua única recomendação de compra no setor de proteínas, sustentada por valuation atrativo, balanço sólido e potencial suporte técnico com possível inclusão em índices americanos. O preço-alvo é de R$ 110.

Já o Banco Safra afirmou que o Ebitda ajustado veio 16% abaixo de sua estimativa e 11% inferior ao consenso, refletindo margens mais fracas em várias divisões, incluindo bovinos nos EUA, Austrália, Pilgrim’s Pride e Seara.

Assim como os demais bancos, o Safra ressaltou que a indústria bovina americana continua sendo o principal foco de pressão para os resultados da companhia. A combinação de oferta restrita de gado e preços mais altos dos animais segue comprimindo os spreads do setor.

Na Austrália, o cenário também decepcionou. Apesar do forte crescimento de receita, os custos do gado dispararam 30% no comparativo anual, reduzindo as margens da operação.

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O Safra também destacou que o fluxo de caixa livre negativo de US$ 1,5 bilhão deve levar a revisões baixistas de lucro e pressionar as ações no curto prazo. Ainda assim, manteve recomendação outperform para a companhia, com preço-alvo de US$ 22.

Entre os poucos consensos positivos do trimestre, a Seara e a divisão de suínos nos EUA apareceram como destaques operacionais mais resilientes. Ainda assim, os analistas avaliam que o ambiente para o setor de proteínas começa a ficar menos favorável, especialmente com a deterioração do ciclo pecuário nos Estados Unidos e a expectativa de normalização das margens no Brasil.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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