‘Bitcoin parado’ leva analistas a buscar novas formas de ganho; veja o que eles estão fazendo
Com o Bitcoin (BTC) lateralizado na faixa entre US$ 70 mil e US$ 80 mil, analistas têm buscado alternativas para gerar retorno além da comum compra e manutenção do ativo digital.
Durante evento realizado pelo Crypto Times, em parceria com a OKX, nessa quarta-feira (13), em São Paulo, Vinícius Bazan, head de research e co-fundador da Underblock, afirmou que o atual momento do mercado cripto tem favorecido estratégias mais estruturadas, especialmente após períodos prolongados do setor “andando de lado”.
“Eu passei a olhar menos para essa coisa de ‘vou comprar narrativas e moedas’. Eu acho que isso até vai voltar em algum momento, mas, hoje, vejo uma vantagem muito grande em trabalhar com operações de renda”, disse.
De acordo com o analista, a lógica funciona de forma semelhante a opções sobre ações negociadas em bolsa e permite gerar rendimento mesmo quando o ativo não apresenta grandes movimentos.
Na prática, o mecanismo combina compras programadas de Bitcoin com preços pré-definidos. Com isso, caso a criptomoeda não atinja o valor estipulado, o investidor recebe rendimento sobre o capital alocado. Já se o nível for atingido, a compra é executada automaticamente.
“Eu quero fazer o DCA (Dollar Cost Averaging, em inglês) em Bitcoin, ou seja, eu quero comprar semanalmente, mas só vou fazer abaixo de um certo preço”, afirmou Bazan, ao citar exemplos.
“O Bitcoin agora está em US$ 80 mil. Então, eu vou comprar um dual investment com USDT para US$ 75 mil. Se ele não chegar a esse valor, ou seja, se ele não cair tanto, no final desse período, vou receber um rendimento sobre o meu USDT. É um juro sobre o meu caixa”, explicou, ressaltando que esse tipo de mecanismo pode gerar retornos em determinados cenários, mas há risco assumido.
Na conversa, também estavam presentes Paulo Boghosian, diretor de relações com clientes VIP da OKX, e Valter Rabelo, head de research da Empiricus.
Alavancagem no Bitcoin e menor apetite a altcoins
Além das operações estruturadas, o analista destacou que, em vez de ampliar exposição a altcoins, tem utilizado alavancagem no próprio Bitcoin — num movimento parecido com o adotado pelo empresário Michael Saylor, CEO da Strategy, maior “Bitcoin treasury company” do mundo.
“Hoje, eu vejo mais sentido em comprar Bitcoin alavancado do que comprar muitas altcoins”, afirmou Bazan, pontuando, porém, não se tratar de recomendação de investimento e ressaltando que usar o mecanismo de alavancagem para investir aumenta ainda mais os riscos desse mercado, não indicando esse tipo de operação para investidores.
“Com essa estratégia [de alavancagem], posso gerar o retorno de uma altcoin estando num ativo que eu vejo muito menos risco de dar errado, que é o Bitcoin, controlando a minha exposição”.
Questionado pela reportagem sobre a aplicação em outras criptomoedas, o analista contou que o modelo de alavancagem não se aplica da mesma forma.
“Quando penso no Ethereum, por exemplo, vejo um ativo que vai continuar existindo e sendo importante como tecnologia daqui a 10 anos. Mas eu não tenho a mesma segurança de que o preço dele vai subir por conta disso”, disse. “No bitcoin, vejo uma demanda muito mais clara.”
Mercado lateral é mais desafiador
Para Bazan, o atual ambiente de baixa volatilidade na indústria cripto tem sido mais difícil do que operar em períodos de forte queda ou alta.
“Eu sou muito mais um mercado que está caindo sem parar do que um mercado como o de agora, que está parado”, afirmou.
Segundo ele, é justamente essa lateralização que leva à busca por alternativas como derivativos, estratégias de carrego e produtos de geração de rendimento.
“Não tem narrativa. Não tem notícia. Não tem nem muita movimentação que você pode fazer. Mercados que caem muito rápido, sobem muito rápido. São mercados voláteis em que você tem mais chance de reversões”, explicou.
“Então, é muito mais fácil você comprar um Bitcoin extremamente sobrevendido. Agora, o mercado que fica parado, eu o acho bem mais difícil, porque ele é entediante e dá menos oportunidades de curto prazo. Obviamente, para o longo prazo, não faz tanta diferença”, prosseguiu.
Bitcoin pode voltar a US$ 100 mil?
Ao ser questionado sobre o preço do Bitcoin, Bazan afirmou que há, sim, probabilidade de o ativo voltar ao máximo patamar de US$ 100 mil, embora o cenário ainda dependa da confirmação de demanda consistente.
“Alguma chance existe. Segundo o Polymarket (plataforma de mercado de previsões), há mais de 50% de chance de chegar a US$ 100 mil ainda em 2026”, disse. “Mas também há 50% de chance de cair abaixo de US$ 60 mil”, brincou.
O analista ponderou que a indústria cripto ainda convive com incertezas relevantes, como tensões geopolíticas e impacto potencial sobre inflação e juros globais.
De acordo com ele, esse ambiente mantém parte dos investidores mais cautelosos em relação a uma entrada mais forte no ativo.
“Precisa ter algum elemento de demanda que jogue o preço [do BTC] de volta para essa região para virar um fundo mais claro e fazer o varejo voltar a compra.”