Bitcoin (BTC) terminou agosto em alta de 25% — e impulso não é ‘fogo de palha’, diz DeFiLlama; veja análise
O início de agosto não prometia muitas mudanças para o bitcoin (BTC). A criptomoeda passou os primeiros 18 dias do mês praticamente estagnada, sendo negociada entre US$ 62 mil e US$ 66 mil.
Porém, quando 19 de agosto chega, o mercado percebe uma mudança no comportamento do ativo digital e, seis dias depois, o bitcoin chegou a aproximadamente US$ 81,5 mil.
Na prática, esse movimento representou uma alta de quase 27%, fazendo daquela semana uma das mais fortes para o BTC nos últimos cinco anos. Em casos de altas tão rápidas em pequenos períodos de tempo, a interpretação mais comum costuma a ser o uso excessivo de alavancagem — isto é, tomada de dívidas para fazer investimentos, uma prática altamente arriscada.
Para o DefiLlama Research, porém, há outra explicação para o movimento que pode sinalizar que a alta de agosto é mais resiliente — e pode ajudar os preços em setembro.
Alta do Bitcoin não foi alavancagem, segundo a DefiLlama Research
A plataforma, em parceria com a Binance, usou da comparação entre os volumes negociados no mercado spot e nos contratos perpétuos para avaliar a alta.
Até o dia 18 de agosto, foram negociados US$ 6,02 em contratos perpétuos para cada US$ 1 movimentado no mercado à vista. Na semana em que o BTC disparou, essa proporção diminuiu para US$ 4,97 — uma queda de 17,4%.
O movimento foi resultado de uma aceleração mais intensa das compras à vista, explicam os analistas.
O volume médio diário do mercado spot saltou 153% no período, para US$ 50,79 bilhões, enquanto os contratos perpétuos avançaram 109%, alcançando US$ 252,59 bilhões.
Na prática, isso sugere que a valorização foi acompanhada por uma entrada mais forte de capital em negociações diretas do ativo do que por operações apoiadas em alavancagem, sugerindo que o avanço atual de preços não foi meramente especulativo e mais sustentado.
Fluxo para os ETFs de BTC
Os fluxos para os ETFs de bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos contam uma história semelhante.
Após registrarem resgates líquidos ao longo da semana entre 10 e 14 de agosto, os fundos voltaram a captar recursos em duas sessões consecutivas às vésperas do rompimento dos preços. Desde então, não houve mais saídas líquidas, mostrando o apetite dos investidores pela criptomoeda.
O mercado de derivativos, por sua vez, também seguiu aquecido. O volume negociado em contratos perpétuos — que não têm data para expirar — praticamente dobrou durante o período analisado, enquanto o open interest medido em dólares avançou de cerca de US$ 21,9 bilhões para quase US$ 26 bilhões em 24 de agosto. Mas a leitura muda quando o indicador é medido em bitcoins.
Antes da disparada, havia aproximadamente 341 mil unidades de BTC em posições abertas. Hoje, esse número está próximo de 312 mil BTC, uma retração de 8,5%. Segundo a plataforma, a redução do open interest em termos equivalentes à criptomoeda, mesmo com os preços em alta, sugere que o movimento não foi sustentado por um aumento expressivo das posições alavancadas.
Portanto, para o DefiLlama Research, a combinação de crescimento acelerado do volume spot, retomada das entradas nos ETFs e queda do open interest em BTC aponta para um rali alimentado principalmente por capital novo entrando no mercado, e não por uma expansão das apostas alavancadas.
Binance e OKX foram as plataformas mais escolhidas
De acordo com o levantamento da DefiLlama Research, 57% do volume spot negociado das exchanges monitoradas veio da Binance (46%) e da OKX (11%).
Na prática, isso reforça a ideia que o novo capital não se distribuiu de maneira uniforme pelo mercado.
“Em vez disso, concentrou-se em poucas plataformas, com Binance e OKX capturando a maior parte tanto das entradas de capital quanto da atividade de negociação resultante”, afirma o estudo.
A criptomoeda conseguiu trocar de marcha?
Com o open interest já tendo atingido um pico e começado a recuar, enquanto a liquidez volta ao mercado e o efeito do short squeeze parece perder força, os próximos movimentos do bitcoin devem depender principalmente da demanda no mercado spot e dos fluxos para os ETFs, segundo o estudo.
Para os investidores, o principal sinal a ser monitorado a partir de agora está na relação entre o mercado à vista e os derivativos.
“Isso fornece aos traders um sinal claro para monitorar. Se o open interest voltar a crescer mais rapidamente do que o volume spot e a relação entre contratos perpétuos e mercado à vista voltar a subir, o mercado terá migrado de um cenário impulsionado por capital novo e uma descoberta de preços mais sustentável para outro novamente alimentado por alavancagem”.
*Sob supervisão de Renan Sousa