BEEF3, JBSS32 e MBRF3: Safra vê apenas uma ação ganhando com suspensão de tarifa de Trump
A suspensão temporária de tarifas dos Estados Unidos sobre a importação de carne bovina moída pode trazer um vento favorável aos frigoríficos brasileiros, mas o Safra enxerga a medida como especialmente positiva para a Minerva Foods (BEEF3) — justamente a única ação do setor para a qual o banco mantém recomendação de compra.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma suspensão, por 90 dias, das tarifas aplicadas às importações fora da cota para até 300 mil toneladas de carne bovina moída. A iniciativa busca reduzir os preços do produto no varejo norte-americano em 25%, enquanto o rebanho bovino do país, atualmente em níveis historicamente baixos, passa por um processo de recomposição.
O Safra ressalta, porém, que até a publicação do relatório o anúncio havia sido feito apenas por Trump em sua rede social, a Truth Social, sem documento oficial da Casa Branca ou de outro órgão do governo norte-americano.
Na avaliação do banco, a medida é ligeiramente positiva para a Minerva e neutra para JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3).
Entre os três frigoríficos, a Minerva é também a única com recomendação de compra pelo Safra, com preço-alvo de R$ 5,50. Para a JBS, o banco mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 77, enquanto a MBRF também possui indicação neutra, com preço-alvo de R$ 19.
Por que a Minerva pode se beneficiar mais?
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) citados pelo Safra, o consumo norte-americano de carne bovina gira em torno de 13,3 milhões de toneladas, sendo aproximadamente 20% atendidos por importações.
As 300 mil toneladas contempladas pela suspensão equivalem a cerca de 11% das importações de carne bovina dos Estados Unidos, considerando os 12 meses encerrados em junho de 2026, e a aproximadamente 2% do consumo doméstico.
Apesar de não enxergar um impacto estruturalmente relevante, o Safra avalia que a medida representa um vento favorável para os frigoríficos sul-americanos, especialmente os brasileiros.
Atualmente, a Austrália responde por cerca de 26% das importações norte-americanas de carne bovina, enquanto o Brasil detém uma fatia próxima de 16%. A diferença, segundo o banco, está justamente no tipo de produto contemplado pela medida.
Como a suspensão se concentra na carne bovina moída, os frigoríficos brasileiros estariam mais bem posicionados para aproveitar a abertura. A Austrália, por outro lado, costuma direcionar aos Estados Unidos cortes de maior valor agregado.
Para dimensionar o potencial, as 300 mil toneladas correspondem a 9,2% de todo o volume de carne bovina exportado pelo Brasil e a cerca de 55% da diferença entre o volume enviado pelos frigoríficos brasileiros à China em 2025 e a cota estabelecida pelo país asiático para 2026.
Mesmo que o Brasil não capture integralmente o volume adicional liberado pelos Estados Unidos, o Safra avalia que a mudança ainda teria um efeito líquido marginalmente positivo para os frigoríficos brasileiros.