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Os dois motivos que fazem São Martinho (SMTO3), Jalles (JALL3) e Raízen (RAIZ4) dispararem nesta quinta (20)

20 ago 2026, 12:40 - atualizado em 20 ago 2026, 15:14
Vista aérea da usina de açúcar e álcool
Vista aérea da usina de açúcar e álcool (iStock.com/JR Slompo)

As ações da São Martinho (SMTO3), Jalles (JALL3) e Raízen (RAIZ4) disparam na manhã desta quinta (20). Por volta de 12h17, as ações subiam 6,32%, 8,11% e 4,55%, respectivamente.

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Entre os motivos que ajudam a explicar esse movimento, está: a alta nos preços do açúcar e o sinal verde da Índia para importações.

O contrato do açúcar com vencimento para outubro de 2026 na ICE atingiram US$ 0,1785, maior patamar em 16 meses, desde abril de 2025.

Depois de meses pressionados, os contratos futuros da commodity engataram uma forte recuperação nas últimas semanas, com o açúcar bruto negociado em Nova York saindo da região dos 15 centavos de dólar por libra-peso.



Além disso, a Índia autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de tarifas, confirmando os rumores que ganharam força no mercado nos últimos dias. Segundo notificação do Ministério do Comércio e Indústria do país, publicada nesta quinta-feira (20), as compras poderão ser realizadas por meio de uma cota tarifária (TRQ) até 31 de outubro de 2026.

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A decisão ganha relevância para o mercado global porque a Índia, um dos maiores produtores e consumidores de açúcar do mundo, vinha há anos sem recorrer a importações relevantes. Fora a cota de 1 milhão de toneladas, o governo permitiu, sob determinadas condições, a conversão de autorizações já emitidas para o novo regime.

O que muda com a Índia?

Para Marcelo Di Bonifacio Filho, analista de açúcar e etanol da StoneX, a entrada da Índia como compradora adiciona uma demanda relevante de 1 milhão de toneladas em um intervalo curto, de pouco mais de dois meses, ajudando a explicar a reação das cotações.

Segundo ele, a decisão indiana ocorre em meio à forte alta dos preços domésticos do açúcar. Em Kolhapur, no estado de Maharashtra, as cotações avançaram 56% desde o início das monções, de 4.100 para 6.400 rúpias por quintal.

A preocupação também passa pelos estoques. A Índia já encerrou setembro de 2025 com apenas 4,9 milhões de toneladas, volume equivalente a cerca de dois meses de consumo. Sem importações, a StoneX estimava que o país poderia chegar ao fim de setembro deste ano com aproximadamente 4 milhões de toneladas.

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O problema é que outubro e novembro ainda marcam o início da colheita indiana e concentram importantes festivais e feriados, período de maior consumo. A autorização para importar, portanto, reduz o risco de uma disponibilidade extremamente apertada justamente nessa janela.

“A adição de uma demanda volumosa, de 1 milhão de toneladas, com prazo curto, de pouco mais de dois meses, pressiona de forma relevante e ‘assusta’ o mercado”, afirma Di Bonifacio.

Apesar disso, o analista avalia que há açúcar disponível para atender à Índia, especialmente no Brasil. O desafio está no tempo: uma carga saindo do Brasil levaria aproximadamente dois meses para chegar aos portos do oeste indiano, aumentando a urgência das compras.

A StoneX calcula que o açúcar doméstico indiano esteja próximo de US$ 615 por tonelada, líquido de impostos, enquanto o VHP brasileiro, considerando origem em Santos e chegada à Índia, ficaria entre US$ 430 e US$ 450 por tonelada.

Rally pode encontrar resistência

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Di Bonifacio pondera, porém, que o movimento recente não significa que o açúcar tenha caminho livre para continuar subindo. O analista vê pressão vendedora das usinas do Centro-Sul brasileiro no curtíssimo prazo, aproveitando a recuperação das cotações para garantir margens mais atrativas.

Esse movimento apareceu justamente nesta quinta-feira (20). O açúcar chegou aos 18 centavos de dólar por libra-peso após o anúncio indiano, mas rapidamente recuou para a faixa de 17,60 a 17,70 centavos e acabou fechando em queda intradiária.

“Os contratos mais longos, de maio de 2027 em diante, operam praticamente estáveis ou em queda, indicando que as altas recentes têm sido momentos das usinas garantirem margens mais atrativas”, diz.

Por outro lado, a forte presença dos fundos pode ampliar a volatilidade e provocar novas altas. Segundo a StoneX, ainda há dúvidas relevantes sobre o tamanho das próximas safras da Tailândia e da União Europeia, além do próprio Centro-Sul brasileiro.

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Na Índia, as monções estão mais de 10% abaixo da média, enquanto a StoneX também projeta quebra da safra tailandesa em 2026/27. Na União Europeia, estiagem e temperaturas elevadas devem ampliar a necessidade de importação do bloco, sobretudo nos três primeiros trimestres de 2027.

No Brasil, a atenção para os contratos de outubro de 2026 e março de 2027 estará principalmente sobre as chuvas a partir de setembro. Precipitações acima da média poderiam dificultar a colheita de toda a cana disponível no Centro-Sul e também prejudicar o processo de cristalização do açúcar.

Assim, apesar da pressão vendedora das usinas no curto prazo, Di Bonifacio entende que os fundamentos ainda deixam espaço para volatilidade — e eventualmente novas altas — caso os fundos ampliem as compras ou os riscos para as próximas safras se confirmem.

Conab eleva previsão para etanol e reduz cana

E mais cedo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a previsão de produção de etanol do Brasil no ciclo em 2026/27 para 41,88 bilhões de litros, com expectativa de um crescimento na fabricação do biocombustível de milho e de cana-de-açúcar, enquanto a agência estatal reduziu mais estimativa para o açúcar.



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O novo número da Conab representa um aumento de mais de 1 bilhão de litros no comparativo com a projeção divulgada ao final de abril, que já estava em patamar recorde, com o etanol de cana contribuindo com cerca de 700 milhões de litros, enquanto o de milho registrando um avanço adicional de quase 500 milhões de litros. Na comparação com o ciclo passado, o crescimento esperado é de 11,7%.

Para a safra de cana, a Conab reduziu sua projeção em 2026/27 para 705,2 milhões de toneladas, ante 709,1 milhões de toneladas projetadas anteriormente.

Ainda assim, isso representará um aumento de 4,7% da produção nacional de cana frente à safra anterior, refletindo tanto um aumento na área colhida, quanto a melhora da produtividade média nacional.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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