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Tim Maia entende mais sobre Fake News do que o STF?

Gustavo Kahil - 18/04/2019 - 1:22
Toffoli teria criado um novo modelo de fake news? (Will Shutter/Câmara dos Deputados)

Qual é o maior problema para o Brasil: a “fake news” ou a “dumb news”?

Para começar, vamos definir o que é uma “notícia mentirosa”. A explicação mais comum utilizada hoje é fazer o uso de um texto jornalístico, ou que contenha alguns traços disso, para disseminar um fato que não é verdade.

Eu tenho uma outra explicação que também pode ser incluída nisso.

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Alguns jornalistas de esquerda (já disse aqui que há uns 10 anos me perdi nesta definição ideológica do Brasil), por exemplo, não entendem nada sobre a reforma da Previdência e publicam notícias contrárias ao projeto.

Pois bem, se você não entendeu o fato e o reportou com base neste entendimento, parabéns! Você criou uma Fake News.

Já o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, que não é especialista em notícias, acha que fake news são “denunciações caluniosas, ameaças e infrações revestidas de ânimos caluniantes, difamantes e injuriantes”.

Veja que Toffoli, que deveria é mesmo entender sobre Justiça e Constituição, amplia bem o escopo da definição de fake news para além da disseminação da mentira e adentra ao campo da “honra” ou “calúnias”.

O próprio ministro, nesta quinta-feira (17), destacou que a liberdade de imprensa, por exemplo, não pode servir para “alimentar a desinformação”. É verdade, a liberdade de imprensa deve alimentar a informação.

Mas, ao associar uma reportagem da Crusoé que cita documentos já conferidos por outros veículos de imprensa, às “fake news”, Toffoli inaugura com a sua leitura equivocada sobre o que é a liberdade de expressão, na verdade, uma nova modalidade de “Fake News”: a “Dumb News”. E isso, como lembrava Tim Maia, é uma “Fake News” pura, pois cria desinformação.

Aqui está o que o STF não quer que você saiba: Veja trechos da reportagem da Crusoé

Cantou o poeta em sua fase mais lúcida, na faixa Universo em Desencanto do disco Racional: “Se a lição foi mal passada, quem aprendeu não sabe nada”.

Ou seja, o ministro alimenta a desinformação ao propagar a sua leitura errada da liberdade de expressão.

Última atualização por Gustavo Kahil - 18/04/2019 - 1:35