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Bradesco (BBDC4): Lucro sobe 16,2% e chega a R$ 7,1 bilhões no 2T26, pouco acima das expectativas

05 ago 2026, 18:05 - atualizado em 06 ago 2026, 0:02
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Apesar da economia mais morna -- o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu apenas 0,4% no trimestre, após alta de 1,3% no trimestre anterior

O Bradesco (BBDC4) reportou lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 16,2% em comparação com o mesmo período de 2025, mostra documento enviado ao mercado nesta quarta (05).

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O número ficou pouco acima do consenso da Bloomberg, que aguardava lucro de R$ 6,9 bi no período. Foi o décimo trimestre seguido de aumento do lucro líquido e alta da rentabilidade.

Após resultados tenebrosos do Santander (SANB11), o mercado ligou o alerta para algum risco de crédito. Por aturarem em carteiras parecidas, o temor era que o Bradesco também sofresse alguma piora.

Até aqui, o banco trabalha para melhorar a qualidade dos ativos, mesmo que isso implique em um crescimento de crédito menor.

Como o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, não cansa de repetir, um crescimento step by step (passo a passo).

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“Mantivemos boa tração comercial, apesar do apetite ao risco moderado, pois crescemos mais ano versus ano do que no trimestre anterior. Gerimos bem os riscos na tesouraria e no crédito. Fizemos ajuste fino nos modelos e na nossa exposição a linhas e clusters mais arriscados”, afirma.

Além disso, o CEO destaca o cenário complicado pela frente, com efeitos da Guerra do Irã e das eleições presidenciais. “Seguiremos com moderação em nosso apetite ao risco. Nossas despesas operacionais estão controladas e continuamos a ganhar eficiência.”

Rentabilidade sobe

O ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) mostrou nova evolução e subiu 1,6 ponto percentual em um ano, para 16,2%. Com a Selic, a taxa básica de juros, em 14%, o banco voltou a superar o custo de capital.

A média das projeções da Bloomberg apontava para um ROE de 16%.

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Com isso, o banco ampliou a vantagem sobre o rival espanhol, o Santander, que encerrou o período com rentabilidade de 12,5%. Ainda assim, segue distante do líder do setor, o Itaú Unibanco (ITUB4), cujo ROE alcançou 24,3%.

Em Nova York, as ADRs, que haviam encerrado o pregão em leve baixa, passaram a subir após a divulgação dos resultados.

Margens em disparada

Entre os destaques do trimestre estão as margens, que cresceram em todas as linhas.

A margem financeira somou R$ 20,8 bilhões, alta de 4,1% na comparação trimestral e de 15,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

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“A margem com mercado também teve bom desempenho, mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, refletindo uma gestão eficiente de riscos e o bom desempenho dos negócios com derivativos e produtos estruturados para clientes”, disse o banco.

Já a margem com clientes atingiu R$ 20,1 bilhões, crescimento de 3,6% no trimestre e de 13,8% em um ano.

“A margem com clientes avançou com o aumento do volume de crédito e dos spreads, com destaque para a margem com passivos”, afirmou.

As receitas totais alcançaram R$ 37,6 bilhões no trimestre, avanço de 2,1% na comparação trimestral e de 10,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Segundo o banco, o desempenho das receitas, mesmo diante do cenário macroeconômico, reflete três fatores principais:

  • diversificação das receitas, com peso relevante de negócios como alta renda, consórcios e seguros;
  • transformação digital, que aumentou a competitividade;
  • originação de crédito priorizando linhas com garantias e melhor retorno ajustado ao risco.

Já as receitas de prestação de serviços cresceram 1,1% no trimestre e 1,7% em um ano, para R$ 10,4 bilhões.

Carteira de crédito do Bradesco (BBDC4)

Mesmo com a economia mais fraca, o Bradesco (BBDC4) conseguiu expandir sua carteira de crédito.

O saldo avançou 4,3% no trimestre e 11,6% em um ano, alcançando R$ 1,1 trilhão. Na carteira de pessoas físicas, o crescimento foi de 8,4%, para R$ 479,7 bilhões.

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Entre pequenas e médias empresas, a carteira avançou 16,1%, para R$ 267 bilhões. Já no segmento de grandes empresas, o saldo chegou a R$ 389 bilhões, alta de 12,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

‘Nossa carteira de crédito avançou com segurança e continua evoluindo na participação das linhas com garantias. Destaque para o crescimento do capital de giro com garantias, consignado privado, veículos, rural no atacado, TVMs e avais e fianças’, afirmou o banco.

O Bradesco também elevou a despesa com PDD (Provisão para Devedores Duvidosos), reserva constituída para cobrir potenciais perdas com inadimplência. A linha avançou 22,6% em um ano e 3,3% no trimestre, totalizando R$ 9,9 bilhões.

Inadimplência e despesas

Outro indicador importante da qualidade da carteira, a inadimplência acima de 90 dias subiu 0,1 ponto percentual no trimestre, para 4,3%. Na comparação anual houve alta de 0,2 ponto percentual.

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‘Os indicadores de inadimplência estão dentro das nossas estimativas. Em linha com o trimestre anterior, houve mais atrasos acima de 90 dias no segmento de MPME, refletindo a dinâmica entre o atraso e a realização das garantias das operações de capital de giro’, disse o banco.

Ou seja, a instituição conseguiu expandir a carteira de crédito sem deteriorar de forma relevante a inadimplência, um dos principais termômetros da capacidade dos clientes de honrar suas dívidas.

As despesas operacionais somaram R$ 16,4 bilhões, alta de 1,6% na comparação trimestral e de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, em linha com as expectativas.

‘As despesas operacionais seguem controladas, mesmo considerando os investimentos na transformação’, destacou o banco.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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