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Camil (CAML3) tomba 14% após balanço; o que desagradou o mercado?

15 jul 2026, 14:24 - atualizado em 15 jul 2026, 14:29
Pacotes de arroz Camil
(Imagem: Reprodução)

As ações da Camil (CML3) recuam mais de 14% nesta quarta-feira (15) após divulgação dos resultados do primeiro trimestre fiscal de 2026 (março a maio). Apesar do forte crescimento dos volumes de vendas, o mercado avalia negativamente o aumento das despesas operacionais e o avanço da alavancagem financeira da companhia.

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No trimestre, a Camil registrou lucro líquido de R$ 28 milhões, queda de 57,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida somou R$ 2,6 bilhões, recuo de 0,7% na comparação anual.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 210 milhões, uma queda de 9,9% ano a ano, com margem de 7,9%, redução de 0,8 ponto percentual. Considerando os ajustes para efeitos não recorrentes, o BTG Pactual estima um Ebitda de aproximadamente R$ 200 milhões, 9% abaixo de suas projeções.

Apesar da pressão sobre os resultados, os volumes foram o principal destaque do trimestre. As vendas consolidadas cresceram 17,9%, para mais de 593 mil toneladas.

No segmento de alto giro, que inclui arroz, feijão e açúcar, o volume comercializado aumentou 13,9%. Segundo o BTG, apenas as vendas de arroz no Brasil avançaram 14% na comparação anual, superando a expectativa do banco, de alta de 12%.

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O desempenho foi favorecido por uma base de comparação fraca, uma vez que, no mesmo período do ano passado, varejistas haviam adiado a recomposição de estoques.

Na categoria de maior valor agregado, que reúne produtos como pescados, massas, cafés e biscoitos, o volume vendido cresceu 14,6%. Já as operações internacionais registraram expansão de 25,8%, impulsionadas pelo desempenho de países como Uruguai, Chile e Equador, além da contribuição da operação no Paraguai.

O que pressionou os resultados da Camil

Para os analistas, entretanto, o crescimento dos volumes não foi suficiente para compensar a queda dos preços das commodities. O Itaú BBA destaca que a dinâmica mais fraca dos preços do arroz e de outros produtos limitou o avanço da receita, enquanto o BTG observa que a companhia ainda enfrenta um ambiente de margens pressionadas.

Outro ponto de atenção foram as despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A). Segundo o Itaú BBA, os gastos continuaram elevados devido principalmente ao aumento dos custos de frete e à reestruturação da equipe comercial.

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A XP também chama atenção para a pressão das despesas de vendas, que passaram a representar 13% da receita líquida, ante 10% no mesmo período do ano anterior.

Além disso, a geração de caixa permaneceu pressionada pela necessidade de capital de giro. Tradicionalmente, o primeiro trimestre fiscal da companhia concentra a formação de estoques de arroz, que são monetizados ao longo do restante do ano.

Nesse contexto, a Camil registrou consumo de capital de giro de cerca de R$ 1,2 bilhão no período, o que elevou a dívida líquida e a alavancagem. Segundo o Itaú BBA, a relação dívida líquida/Ebitda alcançou 4,7 vezes, nível recorde para a companhia e um dos principais pontos de preocupação dos investidores.

Preço do arroz pode ser o principal catalisador

Apesar das preocupações de curto prazo, os analistas seguem acompanhando a evolução dos preços do arroz, considerado o principal fator para uma recuperação mais consistente dos resultados da companhia.

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Segundo o BTG Pactual, a área plantada de arroz no Brasil caiu 14% na safra atual, resultando em uma redução de 13% da produção. Os preços do cereal já começaram a reagir, mas ainda permanecem abaixo do custo estimado de produção no Rio Grande do Sul, em torno de R$ 80 por saca.

O banco projeta um preço médio de R$ 69 por saca em 2026, acima dos aproximadamente R$ 62 observados atualmente. Nesse cenário, as ações seriam negociadas a cerca de 11 vezes o lucro projetado.

Os analistas também veem potencial para uma valorização ainda maior do grão caso os efeitos do El Niño se intensifiquem. O fenômeno costuma aumentar o volume de chuvas na região Sul do país, principal polo produtor de arroz do Brasil, podendo afetar a produtividade das lavouras e reduzir a oferta.

Embora o Itaú BBA considere prematuro assumir interrupções relevantes na produção, o banco reconhece que a maior volatilidade climática pode influenciar as expectativas para os preços do arroz ao longo do segundo semestre de 2026.

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Para o BTG, uma eventual recuperação dos preços para níveis próximos a R$ 80 por saca poderia praticamente dobrar o lucro líquido da companhia até 2027, reforçando a tese de valorização das ações no médio prazo.

*Sob supervisão de Juliana Américo

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Jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Universidade Sapienza de Roma. É estagiária de redação na editoria de Trends do Money Times e Seu Dinheiro.
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