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‘Vivemos a aberração de ter mais investidores de Bitcoin do que no agronegócio’, diz Octaciano Neto

17 abr 2026, 16:01 - atualizado em 17 abr 2026, 16:07
octaciano neto agronegócio bitcoin (1)
(Foto: Divulgação)

O Brasil vive um paradoxo no financiamento do agronegócio: mesmo sendo um dos setores mais relevantes da economia, ainda atrai menos investidores do que ativos alternativos como criptomoedas. Essa é a visão de Octaciano Neto, fundador da Zera.ag. e ex-diretor de agronegócio do Grupo Suno.

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“Vivemos a aberração de ter mais investidores de Bitcoin do que no agronegócio do Brasil. Temos 5 milhões de brasileiros que investem em bets e que acreditam que isso é investimento. Nós temos 15 milhões de brasileiros investindo em bitcoin e menos de 3 milhões investindo no setor mais importante da economia”, afirma.

De acordo com números de 2025 de um levantamento do instituto Locomotiva, o Brasil conta com 25 milhões de investidores em cripto (superando o número de brasileiros na bolsa de valores), com o bitcoin representando, em média, 60% do portfólio cripto local.

Segundo o executivo, o principal fator por trás desse descompasso é a forma como o próprio setor se comunica com o mercado.

Durante décadas, o financiamento da agricultura esteve concentrado no Plano Safra, o que levou produtores e agentes do setor a adotarem um discurso voltado à obtenção de recursos públicos.

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“Aprendemos a falar mal do nosso próprio negócio, porque precisávamos convencer Brasília a liberar mais crédito, renegociar dívidas e ampliar o Plano Safra. O Plano Safra passou a ser cada vez mais coadjuvante”, explica.

Esse cenário, no entanto, já não reflete a realidade atual. Hoje, cerca de 97% do funding do agronegócio brasileiro de um total de R$ 1,1 trilhão é de origem privada, enquanto apenas 3% vem de recursos públicos, considerando tanto orçamento direto quanto incentivos fiscais.

Para Neto, o problema é que o discurso não acompanhou essa mudança estrutural.

“Quando o produtor fala mal do agronegócio achando que está falando com o governo, ele está falando com o investidor que aplica em fundos e títulos do setor. O investidor tem entendido as vantagens de investir no agro”, diz.

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Na avaliação do especialista, esse desalinhamento ajuda a explicar por que instrumentos como LCA, CRA e Fiagros ainda têm uma base de investidores limitada no Brasil, apesar do crescimento recente.

Da ‘bala de prata’ à ‘colcha de retalhos’: a evolução do crédito rural no Brasil

O modelo de financiamento do agronegócio brasileiro passou por uma transformação profunda nos últimos anos.

Se antes o produtor resolvia praticamente toda a sua necessidade de crédito em uma única instituição — geralmente via Banco do Brasil — hoje a realidade é bem mais complexa.

“Eu costumo dizer que saímos da música Fernando & Sorocaba para Chitãozinho e Xororó. Antigamente, o crédito no agro era uma ‘bala de prata’: você ia a um banco e resolvia tudo. Hoje, virou uma ‘colcha de retalhos’, você vai resolver seu problema de diversas formas possíveis”, resume Octaciano Neto.

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Na prática, isso significa que o produtor passou a acessar múltiplas fontes de financiamento. Parte do crédito vem de bancos, outra de tradings, revendas de insumos e, cada vez mais, do mercado de capitais, por meio de instrumentos como LCA, CRA e Fiagros.

Segundo ele, o crédito está cada vez mais complexo e o produtor precisa estar atento em critérios como gestão e governança.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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