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Temer retorna para assombrar o mercado; Qual será o impacto da sua prisão?

Gustavo Kahil - 21/03/2019 - 13:47
O Ibovespa cede quase 2,5%, a 95.500 pontos, e o dólar vai a R$ 3,82 nesta quinta-feira (Imagem: Money Times)

O ex-presidente Michel Temer é pela segunda vez protagonista de uma forte desvalorização da Bolsa brasileira. A primeira vez foi em 18 de maio de 2017. Na ocasião conhecida como Joesley Day, o dólar disparou 7,9% e o Ibovespa despencou 8,8%. À época, um áudio gravado por Joesley Batista, da JBS (JBSS3), sugeria que o ex-presidente estava pedindo a continuidade do pagamento de uma mesada ao ex-presidente da Câmara, o ex-deputado Eduardo Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro para que estes ficassem em silêncio. Agora, Temer volta a assombrar o mercado.

Temer preso: Veja íntegra da decisão do juiz Marcelo Bretas

Em mais uma fase da Lava Jato, a força-tarefa do Rio de Janeiro prendeu Temer. Ao todo, foram expedidos oito mandados de prisão preventiva. Os agentes também cumprem um mandado contra os ex-ministros Moreira Franco, Eliseu Padilha e a “bancada” do ex-deputado federal Eduardo Cunha no Congresso. Moreira Franco também foi preso, enquanto os outros são ainda procurados. O braço direito e faz-tudo de Temer, coronel Lima, também é buscado.

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Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro com base na delação premiada do operador do MDB Lúcio Funaro. Ele teria detalhado o funcionamento do esquema de corrupção no Congresso operado por caciques do antigo PMDB, como os ex-presidentes da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha – preso em Curitiba – e Henrique Alves. Os documentos fornecidos indicavam como eram realizados os pagamentos aos alvos das investigações.

O Ibovespa cede quase 2,5%, a 95.500 pontos. O dólar vai a R$ 3,82.

Relação entre Maia e Moro azedou com declarações públicas ácidas (Antônio Cruz/Agência Brasil)

Para André Perfeito, economista-chede da Necton, o fato joga gasolina nas tensões entre a classe política e as forças da Lava Jato e pode tornar mais complexo o acerto por reformas. Ele cita as críticas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, feitas ao ministro da Justiça Sergio Moro.

“Eu acho que ele conhece pouco a política. Eu sou o presidente da Câmara e ele é funcionário do presidente Bolsonaro. Então, o presidente é que tem que conversar comigo. Ele está confundindo as bolas. Está ficando uma situação ruim para ele, porque ele está passando daquilo que é responsabilidade dele”, disse Maia, após se encontrar com Paulo Guedes no Ministério da Economia”, declarou Maia.

E, para piorar, o deputado federal, que é visto como fundamental para o avanço da reforma da Previdência, pode ter as suas ligações com Moreira Franco questionadas. Ele é sogro de Maia. A bancada do MDB, de Temer, é a terceira maior da Câmara e a mais expressiva no Senado. “Tudo isso em conjunto evidencia que teremos maior incerteza política num momento que o presidente não está com sua capacidade de articulação plena”, critica Perfeito.

Jogo de interesses

A equipe de política da XP Investimentos ressalta que Brasília vai mudar o foco da reforma para o assunto por alguns dias, o que pode atrasar o início do andamento.

“É inegável que o episódio da prisão de Temer, mesmo que não seja longa, turva o ambiente e aumenta a temperatura em Brasília. Ações geram reações (e pânico, já que uma vez que Lula e Temer estão presos, qualquer um pode ser), e a do Congresso, especialmente o reeleito, tende a ir pelo caminho de endurecer ainda mais sua relação com o governo e não votar o pacote de Moro, especialmente”, ressalta a corretora.

Por fim, vale lembrar que o Judiciário e MP, que hoje prendem Temer, são as mesmas categorias que, junto com outras da elite do funcionalismo, farão pressão pesada contra a reforma no Congresso. Quanto maior o empoderamento fora, maior o poder de fogo dentro das Casas, pontua a análise.

É hora de começar a refazer as contas sobre a aprovação da Nova Previdência. E é bom também recontar os votos favoráveis.

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