Este bancão cai demais — e agora pode disparar 66% e encostar nas máximas, segundo UBS BB
O Santander (SANB11) parecia que estava prestes a entregar mais resultados e, enfim, deslanchar na bolsa. Em janeiro, o papel chegou a bater em R$ 37. Porém, desde então, a ação acumula queda de 22%. Além da própria queda do Ibovespa, que vive momentos de incerteza em meio aos juros mais altos e à guerra do Irã, o banco também não fez a sua parte, com um primeiro trimestre considerado fraco.
Seja como for, o UBS BB segue confiante com o papel. Os analistas elevaram o preço-alvo de R$ 47 para R$ 48, o maior patamar desde 2020 e o que abre potencial de alta de 66% em relação à atual cotação. A recomendação é de compra.
Mesmo com o otimismo, o banco diz que o resultado foi fraco. Os analistas afirmam que a maioria das tendências operacionais foi negativa: contração da carteira de empréstimos e das margens de clientes, tarifas abaixo do esperado e menor posição de capital.
Na outra ponta, a qualidade dos ativos foi melhor do que o previsto, embora tenha apresentado deterioração sequencial em quase todos os indicadores.
Com os números em mãos, o UBS BB atualizou os modelos e diminuiu as estimativas em 3%, em média, entre 2026 e 2028.
Segundo os analistas, a revisão para baixo em 2026 deveu-se principalmente a uma recuperação maior do que a prevista na alíquota efetiva de imposto (que atingiu 15% no 1T26 contra 2,5% no 4T25), o que compensou parcialmente a notável recuperação da margem em linha com o mercado.
O próprio CEO, Mario Leão, que deixará o cargo no próximo trimestre, disse que pagou mais impostos, mas que isso não necessariamente é ruim. “Sendo prático, pagar imposto é bom sinal, é sinal de que eu estou oferecendo mais, eu estou gerando mais atividade orgânica, e com isso o lucro acaba caindo”.
Nos cálculos dos analistas, o Santander lucrará R$ 17,1 bilhões em 2026 e R$ 19,5 bilhões em 2027, com ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 17,0% e 17,8%, respectivamente.
Santander: Melhora em outros itens
Mas não é só o lucro que deve melhorar. Para o UBS BB, a margem com o mercado, por exemplo, deverá ser negativa em R$ 921 milhões, contra os -R$ 3,5 bilhões de 2025.
No primeiro trimestre, a margem já apresentou uma recuperação significativa, mas, segundo o UBS BB, ainda em níveis elevados (R$ -771 milhões no 1T26 vs. R$ -1,5 bilhão no 4T25).
A cifra no negativo tem um vilão: a alta da Selic. Por exemplo, em 2020-21, quando a taxa Selic estava em um dígito baixo, o banco registrou margens de mercado de cerca de R$ 9 bilhões/ano, em média, enquanto esse valor se transformou em prejuízo quando o juro saltou para dois dígitos em 2022.
Além disso, os analistas dizem que o Santander melhorou gradualmente seu índice de eficiência ao longo de 2025. O banco encerrou o ano em 50,6%, contra 53,5% do pico de 2023.
Durante o trimestre, o banco reduziu o número de agências em 4% (fechou 63 no primeiro trimestre de 2026 e 579 em 2025), o que foi um fator importante para a redução de despesas.
Anteriormente, a administração já havia informado que continuaria investindo em tecnologia, mas acredita que as despesas operacionais totais poderiam permanecer estáveis nominalmente.