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Rodolfo Amstalden: Pare de trabalhar e fique pobre

Opinião - 09/10/2018 - 17:58

Por Rodolfo Amstalden, da Empiricus Research

Para a maioria de nós, não há como pensar em investir sem antes considerar a renda obtida com o trabalho.

É justamente dessa renda mês a mês que nasce o excedente necessário para as primeiras aplicações.

Você pode até mirar uma meta previdenciária de longo prazo do tipo “invisto hoje para poder parar de trabalhar amanhã”.

Porém, durante a maior parte do tempo, trabalhar e investir são práticas complementares, e não substitutas.

Uma ajuda a outra.

Logo, não me parece surpresa que a ética profissional se assemelhe à ética investidora.

O executivo de destaque tem muito mais chances de ser também um investidor próspero – seja porque seu bônus é maior, seja porque os preceitos éticos que ele valoriza no ambiente profissional funcionam também dentro do jogo financeiro.

Embora existam vários desses preceitos, um deles me parece sintetizar aquilo que há de mais importante:

“A pessoa que só cumpre as tarefas pelas quais é remunerada não merece ser remunerada pelas tarefas que cumpre”.

Esse é o caso do indivíduo pragmático, que não oferece nenhum extra. Trabalha estritamente pelo dinheiro, nunca pelo amor próprio.

Veja, eu estou longe de chorar com aqueles discursos motivacionais que pregam que o indivíduo tenha que “dar a alma pelo trabalho”. Não sou fã dos melodramas corporativos.

Mas entre não oferecer nenhum extra e dar a alma, existe um intervalo gigantesco – majoritariamente ocupado pelo tesão e pela ambição (no melhor sentido da palavra).

O bom extra que oferecemos é um extra a nós mesmos, não aos outros.

Traduzindo às finanças, teríamos, por exemplo:

“A empresa negociada a full valuation não merece ser remunerada pelo valuation ao qual é negociada”.

Você pagaria 8x ebitda por uma empresa que, em tese, vale exatamente 8x ebitda?
Não há margem de segurança aí, nenhuma gordura para queimar.

Ao mapearmos as melhores oportunidades de renda, não estamos interessados em dividendos constantes, devidamente precificados pelo mercado.

Queremos alguma previsibilidade de fluxo, mas queremos também proventos crescentes nos próximos anos.

No fim das contas, desejamos pagar 6x ebitda por empresas que valem 8x, 10x ou 12x ebitda.

Será que existem estas oportunidades em Bolsa atualmente?

Repare bem.

Em que se pese o rali eleitoral aproveitado até aqui, o Ibovespa acumula ganhos de +13% desde o início do ano.

Já vi altas maiores, muita coisa vai acontecer.

Se for o caso, não se lamente de estar ainda no zero a zero: perder a rentabilidade passada não é garantia de perder a rentabilidade futura.

Aquele bom extra, a partir de agora, cabe apenas a você.

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