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‘Rei da Soja’ diz que Bolsonaro errou ao enfrentar a China, alerta para grande perigo no agronegócio e chama Trump de ‘doidão’

10 set 2026, 10:07 - atualizado em 10 set 2026, 15:04
blairo maggi agronegócio bolsonaro china trump (1)
(Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ex-presidente Jair Bolsonaro errou ao confrontar a China na tentativa de agradar aos Estados Unidos, colocando em risco a posição pragmática que o Brasil deveria preservar diante da disputa entre as duas potências.

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A avaliação é de Blairo Maggi, acionista do Grupo Amaggi e ex-ministro da Agricultura, conhecido como “Rei da Soja”.

“O Bolsonaro errou, e a nossa chancelaria errou, ao fazer aquele enfrentamento com a China para agradar os Estados Unidos. Foi o primeiro passo em que erramos ao não ficar totalmente isentos”, afirmou Maggi nesta quinta-feira (10).

A declaração foi dada durante o painel “O agro brasileiro visto de fora: como os mercados globais enxergam o Brasil nos próximos 10 anos”, no Agro Summit do Bradesco BBI, realizado no Hotel Rosewood, em São Paulo.

Para Maggi, o Brasil deveria adotar uma postura pragmática diante do avanço da rivalidade entre chineses e norte-americanos, evitando um alinhamento automático com qualquer um dos lados.

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“Vocês brigam lá, brigam aqui e deixam a gente vender no meio. O Brasil não tem nada a ver com essa história, não tem nada a ver com essas confusões”, disse.

“Espero realmente que o Brasil não tenha que fazer essa escolha, de ficar em um bloco ou em outro. Porque, se tivermos que fazer isso, teremos grandes problemas internos na produção brasileira”, acrescentou.

O grande perigo para o agro

A preocupação de Maggi está relacionada à dependência comercial do agronegócio brasileiro em relação à China e, ao mesmo tempo, ao esforço de Pequim para ampliar sua segurança alimentar e reduzir a exposição a fornecedores externos.

Durante sua passagem pelo Ministério da Agricultura, entre 2016 e 2018, Maggi afirmou ter viajado oito vezes à China para negociar pontos específicos das exportações brasileiras. Segundo ele, as autoridades chinesas já demonstravam preocupação, há quase uma década, com a posição que o Brasil adotaria diante da polarização entre as duas potências.

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“Todas as vezes que fui lá, a imprensa vinha perguntar qual era a posição do Brasil em determinados assuntos. Estamos falando de quase dez anos atrás. Já se olhava que teríamos uma bipolaridade nesse assunto”, recordou.

Na avaliação do empresário, a China procura parceiros capazes de assegurar o fornecimento contínuo de alimentos, uma condição considerada estratégica para a estabilidade social do país. Qualquer sinal de vulnerabilidade política do Brasil pode, portanto, acelerar a procura chinesa por alternativas.

“A China sempre quer contar com alguém confiável. Quer contar com alguém que amanhã esteja na mesma posição que está hoje, fornecendo alimentos para que a paz social permaneça. Onde não tem comida, tem briga”, afirmou.

“Quando a China percebe que o Brasil fica vulnerável nessa posição de escolher um lado ou outro, ela tem que fazer opções”.

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Esse movimento acende, segundo Maggi, um “sinal amarelo” para o agronegócio brasileiro. A China está buscando maior autossuficiência em alimentos e redução das compras de alguns produtos nos quais o Brasil conquistou participação relevante.

O empresário avalia que o país asiático tem condições de se tornar autossuficiente na produção de aves e suínos, segmentos nos quais as importações representam uma pequena parcela de seu consumo. A limitação está na oferta da proteína vegetal necessária para alimentar os animais.

“Para fazer a proteína animal, eles vão precisar da proteína vegetal. E é aí que está onde o Brasil está pendurado nesse negócio”, disse.

Soja ainda limita autonomia chinesa

Embora Pequim queira diminuir a dependência estrangeira, Maggi considera difícil que a China alcance a autossuficiência em soja. O país teria que deslocar terras utilizadas por outras culturas para produzir um grão disponível no mercado internacional a preços relativamente competitivos.

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“Hoje eles têm condições de fazer isso? Não, não têm. Teriam que substituir terras que estão produzindo alguma coisa para voltar a produzir soja, que é uma mercadoria encontrada no mundo de forma relativamente barata”, explicou.

A avaliação do “Rei da Soja” é que os chineses tentarão ampliar a produção doméstica, mas enfrentarão restrições físicas e econômicas. Essas limitações preservam uma oportunidade para o Brasil, desde que o país mantenha relações comerciais confiáveis e abra novos destinos para suas exportações.

“Não duvido que o chinês vá fazer, mas tem coisas que ele não pode fazer. O tempo não dará a ele essa oportunidade. E é aí que mora a oportunidade do Brasil.”

Apesar dessa vantagem, Maggi defendeu que o agronegócio não dependa excessivamente de um único comprador. A abertura de mercados é um processo permanente, mas exige o cumprimento de regras sanitárias, ambientais e comerciais cada vez mais rigorosas.

Barreiras e protecionismo

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O ex-ministro também alertou que alguns países utilizam exigências sanitárias e ambientais como barreiras comerciais disfarçadas para proteger seus produtores.

Maggi citou as restrições europeias à carne de frango brasileira e as dificuldades enfrentadas pelo país para habilitar produtos em mercados como Japão e Coreia do Sul.

“As coisas são impostas a nós, às vezes travestidas. Dizem que temos que atender a determinada exigência porque sabem que será difícil cumprir. Portanto, cria-se uma barreira de entrada”, afirmou.

Na visão do empresário, enfrentar essas restrições exige uma atuação conjunta das companhias, associações, federações, do Ministério das Relações Exteriores e dos adidos agrícolas.

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“O que nos garantiu chegar até aqui não é o que vai nos levar para a frente, ou poderá não ser. Nós vamos estar no jogo no futuro se atendermos às regras e exigências do futuro, sejam elas sanitárias, ambientais ou comerciais.”

Questionado pelo jornalista William Waack, que moderou o painel, sobre o que ele acha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Maggi se referiu ao lider norte-americano como “doidão”. “Acho ele muito imprevisível”.

Quem é o “Rei da Soja”?

Engenheiro-agrônomo formado pela Universidade Federal do Paraná, Blairo Maggi participou da expansão dos negócios familiares que deram origem à Amaggi. A companhia atua na produção agrícola, comercialização e processamento de commodities, logística e energia.

O avanço da família Maggi na produção de soja, especialmente durante as décadas de 1990 e 2000, fez com que Blairo ficasse conhecido como o “Rei da Soja”.

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Sua carreira política começou como suplente no Senado. Em 2002, foi eleito governador de Mato Grosso e conquistou a reeleição em 2006. Deixou o cargo em março de 2010 para concorrer ao Senado, sendo eleito naquele ano.

Em maio de 2016, licenciou-se do mandato para assumir o Ministério da Agricultura no governo de Michel Temer, permanecendo à frente da pasta até o encerramento da gestão, em 2018.

Como ministro, Maggi concentrou parte de sua atuação na abertura e ampliação de mercados para os produtos agropecuários brasileiros, com uma série de missões internacionais. Ao final do mandato, afastou-se da vida pública e retomou sua atuação no setor privado.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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