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Hypera tem resultado positivo, mas ofuscado por preocupações de governança

Gustavo Kahil - 27/04/2018 - 10:07
Na quinta-feira, o CEO da Hypera, Claudio Bergamo, e o presidente do Conselho de Administração, João Alves de Queiroz Filho, se afastaram dos cargos

A Hypera Pharma (HYPE3), ex-Hypermarcas, anotou um lucro líquido de R$ 299,8 milhões no primeiro trimestre de 2018, um crescimento de 76,9% em comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar de bom, o balanço pode ter o seu efeito prático no mercado ofuscado pelos recentes obstáculos enfrentados pela companhia em sua governança corporativa. O Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) da empresa somou R$ 362,7 milhões, aumento de 24,8%.

“Os resultados trimestrais foram bons em geral, e mantemos nossa visão estruturalmente positiva sobre as perspectivas de longo prazo como uma empresa 100% farmacêutica (e mais lucrativa). No entanto, no curto prazo, ele deve estar sob o escrutínio dos investidores, devido aos riscos de governança corporativa, embora tenhamos sinalizado que a empresa não está sendo formalmente investigada pelas autoridades brasileiras”, explicam os analistas Fabio Monteiro e Luiz Guanais.

Na quinta-feira, o CEO da Hypera, Claudio Bergamo, e o presidente do Conselho de Administração, João Alves de Queiroz Filho, renunciaram aos seus cargos pelo período necessário à conclusão da apuração interna e das investigações, pelo Ministério Público Federal, da Operação Tira-Teima deflagrada no começo de abril.

A empresa confirmou na última sexta-feira (20) que a companhia sofreu ordem de busca e apreensão que também alcançou a residência de João Alves (principal acionista com 21,4%) e Claudio Bergamo. A operação da PF teria ocorrido após relatos de que o ex-executivo da companhia Nelson Mello poderia ter omitido informações em sua delação para proteger João Alves e Bergamo.

Credit Suisse cortou ontem a recomendação para a Hypera de oupterform (desempenho acima da média do mercado) para neutra. O preço-alvo, contudo, foi elevado de R$ 31,52 para R$ 38 com o objetivo de incorporar o menor custo de capital, risco país e estimativas de inflação mais brandas em relação à última atualização.

“O rebaixamento reflete um potencial de alta relativamente limitado. Negociando a 17,9 vezes o preço da ação sobre a estimativa de lucro estimada para 2018 (15,9 vezes para 2019), o valor parece atrativo para o setor farmacêutico e de saúde, mas o crescimento de lucros é modesto e não há um claro catalisador de curto prazo”, apontam os analistas Tobias Stingelin, Leandro Bastos e Pedro Pinto.

Última atualização por Gustavo Kahil - 27/04/2018 - 10:07