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Femme Economicus: Elas mandam bem

Opinião - 23/01/2019 - 7:24

Por Elaine Fantini, jornalista – siga no Instagram

“Trading, after all, is not a function of sex; it is a function of the brain.”

Thais tinha apenas 11 anos quando decidiu o que queria ser quando crescesse: trader! Ela ficava fascinada com gráficos na tela do computador da irmã mais velha, Raissa – que na época cursava economia e já estagiava em uma empresa do mercado financeiro.

O que mais a encantava era o domínio que irmã tinha com aquele sobe e desce de cores, linhas, e como falava com firmeza na conferência online com outros traders. Para ela, tudo parecia muito divertido. Esse foi o início da carreira de uma das melhores traders que o Brasil tem hoje.

A história de Thais pode parecer uma exceção para garotas de 11 anos de 2019, mas em 2029 era comum as meninas se interessarem pelo mercado financeiro e tratarem essa apenas com mais uma das diversas carreiras que poderiam seguir.

Ok. Agora desde do Delorean e volte ao mundo real. Thais ainda não é a melhor trader do Brasil, nem sei se já nasceu (quem sabe vai ser minha filha), mas espero que em 2029 seja realmente comum ver cada vez mais mulheres em atividades core do mercado financeiro.

E se for levar em conta o desempenho delas, isso pode se tornar realidade logo logo.

Em 14 de janeiro desse ano, um artigo no The New York Times sugeria que as corretoras e bancos demitissem os traders homens. Isso porque uma pesquisa da Warwick Business School mostrou que as mulheres “tradam” melhor que os homens.

A pesquisa, realizada no Reino Unido, com 2800 investidores, revelou que as mulheres superaram não só o FSTE 100 (índice da bolsa de Londres que contempla as 100 ações mais líquidas) nos últimos três anos, como também o resultado dos investidores homens.

Considerando o retorno anual, os homens bateram o índice em 0,14%, enquanto as mulheres o superaram em 1,94%. Elas tiveram uma performance 1,8% maior que eles. Neil Stewart, Professor de Ciências Comportamentais da universidade e responsável pela pesquisa, detectou que o fato de a mulher girar menos a carteira (elas fazem alterações noves vezes no ano e eles, treze) e escolher ativos menos arriscados traz melhor retorno no longo prazo.

Essa não é a primeira vez que a Academia mostra melhor desempenho das mulheres no investimento em ativos de risco. Após analisarem os investimentos de 35 mil famílias norte-americanas, entre os anos de 1991 e 1997, os pesquisadores Brad Barber e Terrance Odean perceberam que as mulheres são melhores investidoras que homens.

O excesso de giro na carteira (olha ele aqui de novo, rapazes), reduz o retorno deles em 2,65% ao ano. Enquanto as perdas das mulheres ficam em 1,72%. Os pesquisadores concluíram que o homens são mais suscetíveis ao viés do excesso de confiança que as mulheres e isso atrapalharia o resultado final. O estudo completo pode ser lido no artigo Boys will be boys.

Diversas pesquisas de finanças comportamentais mostram que as mulheres têm um perfil de investimento mais conservador que o homem, e tendem a escolher ativos dessa natureza. Todavia é esse comportamento mais cauteloso que têm se mostrado bastante eficaz também para os ativos de risco, como acabamos de ver acima.

Logo, essa coisa de que “mulher não gosta de correr risco”, para mim, está começando a entrar para categoria de lendas urbanas. Na verdade, nós enfrentamos o risco de uma maneira diferente. Acredito sinceramente que quanto mais as mulheres forem expostas a estratégias diversas de investimentos, melhor irão investir.

Beatriz Aguillar é um exemplo de mulher que vai muito bem no trade, obrigada.

A afirmação início do artigo é o trecho de uma entrevista dada por um broker americano à revista North American Review, em 1929. Quando pregava-se por Wall Street que as mulheres não eram capazes de investir em ações por serem muito instáveis emocionalmente (juro que às vezes ainda ouço ecos de 1929 pela Faria Lima). Para ele, fazer trade não tinha a ver com uma função relacionada ao sexo, mas sim com o cérebro. Existem homens e mulheres frios, assim como aqueles e aquelas que entram em pânico. O que acontece é que os homens foram mais educados (ensinados) a operar ações do que as mulheres.

Ou seja, tudo é uma questão de educação financeira. Ensine uma mulher a investir e veja do que ela é capaz.

(*trecho retirado do livro Ladies of the Ticker, página 76)

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