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Conversão em ações, aporte da Shell e divisão da empresa: os detalhes do plano da Raízen (RAIZ4)

08 jun 2026, 9:19 - atualizado em 08 jun 2026, 9:19
raízen raiz4
(Foto: Divulgação)

A Raízen (RAIZ4) encerrou na última sexta-feira uma etapa decisiva de sua reestruturação financeira ao obter o apoio de credores que representam 75,45% dos créditos abrangidos pelo plano de recuperação extrajudicial.

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Com isso, a companhia protocolou na Justiça uma proposta para reorganizar aproximadamente R$ 64,7 bilhões em dívidas, na maior recuperação extrajudicial já registrada no país.

O plano combina conversão de dívida em ações, emissão de novos instrumentos de dívida, aportes dos acionistas e uma reorganização societária que prevê a separação dos negócios de energia e combustíveis.

Entre os principais pontos da proposta está a conversão de 45% dos créditos sujeitos à recuperação em participação acionária da companhia. A operação será feita por meio de units da Raízen, compostas por uma ação ordinária e uma ação preferencial, ao preço de R$ 0,50 por unit. Os 55% restantes serão substituídos, refinanciados ou aditados por novos instrumentos de dívida.

O acordo também prevê uma injeção de capital novo pelos acionistas. A Shell se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões, enquanto a Aguassanta Participações, veículo de investimentos da família de Rubens Ometto, poderá investir outros R$ 500 milhões, caso decida aderir à operação.

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A reestruturação inclui ainda uma reorganização dos negócios da companhia. A meta é concluir até o fim de 2027 a separação das operações em duas estruturas independentes. A futura Raízen Energia reunirá os negócios de açúcar, etanol e bioenergia. Já a Raízen Combustíveis ficará responsável pela distribuição de combustíveis e lubrificantes licenciados da marca Shell.

Além disso, a companhia pretende avançar com desinvestimentos, segregação de ativos e outras reorganizações societárias para reduzir a alavancagem e adequar a estrutura de capital à sua capacidade de geração de caixa.

A atual administração será mantida durante a implementação do plano. O CFO Lorival Nogueira Luz Jr. acumulará a função de Chief Restructuring Officer (CRO), responsável por conduzir a execução da recuperação financeira e operacional.

A reestruturação marca o desfecho de meses de negociações com credores, após a deterioração da situação financeira da empresa.

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O plano agora seguirá para análise da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Pela legislação, os credores terão prazo para apresentar eventuais objeções antes da homologação judicial.

O caso Raízen

A Raízen estreou na bolsa de valores (B3) em meio ao boom de IPOs de 2021, avaliada em R$ 76 bilhões e com a promessa de liderar uma revolução dos combustíveis verdes, impulsionada pelo etanol de segunda geração (E2G).

No entanto, a tese encontrou obstáculos relevantes: o arrefecimento do apetite global por investimentos ESG, o avanço do etanol de milho — alternativa mais barata e escalável — e um cenário de preços pressionados para açúcar e etanol.

Quase cinco anos após o IPO, realizado em 5 de agosto de 2021, a joint venture entre Cosan e Shell perdeu valor de mercado e se transformou em uma penny stock, quando uma ação negocia na casa dos centavos. Ao mesmo tempo, a companhia acumulou uma dívida bilionária após um ciclo agressivo de aquisições e expansão de ativos.

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Na tentativa de reverter essa trajetória, a Raízen iniciou, no fim de 2024, um processo de reestruturação focado na redução da alavancagem. O movimento incluiu uma ampla troca no comando executivo, com a chegada de Nelson Gomes ao cargo de CEO, após passagens por ExxonMobil, Cosan, Compass, Comgás e Moove.

Até fevereiro de 2026, a companhia já havia levantado cerca de US$ 5 bilhões com iniciativas de desinvestimento, incluindo a venda de usinas e outros ativos.

No terceiro trimestre da safra 2025/2026, porém, veio outra pancada: a companhia reportou prejuízo de R$ 15,65 bilhões. A dívida líquida saltou de R$ 38,6 bilhões no 3T25 para R$ 55,3 bilhões no 3T26, enquanto a alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda passou de 3 vezes para 5,3 vezes no mesmo intervalo.

O cenário desencadeou rumores, negociações e promessas de aporte por parte de Cosan e Shell, em discussões que se arrastaram por semanas. Até que, em 11 de março, a Raízen protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para suspender, por 90 dias, o pagamento de dívidas que somam cerca de R$ 65 bilhões.

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O movimento levou à exclusão da companhia do Ibovespa e outros índices da bolsa brasileira.

* Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo

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É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país – entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora-chefe do Money Times.
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