Buffett diz que mercado vive ‘humor de cassino’: ‘nunca tivemos pessoas tão propensas a apostar como agora’
O megainvestidor Warren Buffett, da Berkshire Hathaway, comparou o atual comportamento do mercado a um “cassino”, chamando a atenção para o entusiasmo dos investidores por opções de curto prazo em meio ao crescimento dos mercados preditivos.
“As pessoas podem transitar entre a igreja e o cassino, e eu diria que há mais pessoas na igreja do que no cassino, mas o cassino se tornou muito atraente”, disse ele em entrevista à CNBC durante o intervalo de almoço do eventual anual da companhia com acionistas. Dessa vez, ele acompanhou o evento da plateia com Greg Abel como novo CEO.
“Se você está comprando ou vendendo opções de um dia, isso não é investimento, não é especulação – é jogo de azar”, acrescentou Buffett. “Nunca tivemos pessoas tão propensas a apostar como agora.”
O Oráculo de Ohama, como Buffett também é conhecido, ainda comentou o caso recente de um soldado norte-americano que supostamente usou informações confidenciais relacionadas a uma operação militar na Venezuela para ganhar US$ 400.000 em um mercado de previsões.
“Ninguém consegue explicar por que alguém compraria uma opção para um único dia, a menos que tivesse a chance de ganhar mais de 400 mil dólares sabendo quando iríamos invadir a Venezuela. A quantidade dessas opções é simplesmente inacreditável”, disse ele.
O caso está sendo investigado pelo Departamento de Justiça do país.
O risco da inflação
Warren Buffett também comentou sobre inflação e política monetária. Durante a entrevista à CNBC, o megainvestidor disse que se “sentia seguro” com Jerome Powell no comando do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).
Ele ainda considerou que episódios de inflação descontrolada devastaram dezenas de países durante a Segunda Guerra Mundial e que a escalada dos preços segue como uma das maiores ameaças para uma economia. “O que destrói um país é as pessoas perderam a confiança na moeda. Se você perde a confiança no dinheiro, o país vira outra coisa”, disse Buffett.
O megainvestidor também afirmou que os Estados Unidos não estão imunes ao risco inflacionário e destacou que as autoridades possuem um “controle limitado” sobre os movimentos de juros.
‘Regra de Ouro’
Durante a entrevista à CNBC, Buffett ainda afirmou que a principal regra que os acionistas e sócios devem seguir é “tratar os outros como gostariam de ser tratados” — também conhecida como a Regra de Ouro.
Embora o ex-CEO da Berkshire Hathaway tenha dito que “não é um cara religioso”, ele enfatizou que nunca houve uma mensagem melhor transmitida “em alguns milhares de anos do que essa”.
“Se o mundo inteiro vivesse segundo a Regra de Ouro, seria uma sociedade muito mais maravilhosa”, disse Buffett. “Isso vale para tudo, desde a paternidade até ser um chefe.”
“Não te custa nada. Na verdade, isso se reflete num comportamento melhor para contigo, então, quero dizer, é uma coisa bastante egoísta em certo sentido, mas nunca vi ninguém infeliz que se comportasse dessa maneira”, disse ele.