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22 ações já subiram mais de 10% neste ano – quais delas têm fôlego para manter o ritmo?

14/01/2020 - 18:47
Corrida de cavalos, competição, disputa, liderança, valorização
Disparada: um pelotão de ações já se destaca da manada (Imagem: Unsplash/@vitreous_macula)

O ano mal começou, e um grupo de ações já disparou na B3 (B3SA3). Segundo o guia de ações da Mirae Asset, entre os dias 1º e 10 de janeiro, 22 papéis acumularam alta igual ou maior que 10%. Enquanto isso, o Ibovespa avançou apenas 1,5%.

Mesmo as principais bolsas do mundo não acompanharam esse ritmo. A Nasdaq, a que mais subiu no período entre as citadas pela Mirae, bateu em 3,7%.

Na liderança absoluta, está a Biosev (BSEV3), segunda maior processadora de açúcar e álcool do mundo, com uma valorização de 37,8%. Para se ter uma ideia do desempenho, basta dizer que 2019 será lembrado como um dos melhores anos do Ibovespa, com sua alta de 31,5%.

Endividada

É verdade que a empresa precisa ser vista com bastante cuidado. Primeiro, porque suas ações caíram 8,11% no ano passado. Segundo: a situação financeira da companhia é preocupante. A Biosev acumula anos de prejuízos, decorrentes da queda da cotação do açúcar no mercado mundial desde o fim do boom das commodities.

Atualmente, a empresa renegocia uma dívida de US$ 1,2 bilhão com os credores, que a pressionam a vender usinas. O objetivo das conversas é prorrogar o vencimento das parcelas de empréstimos previstas para 2021 e 2023. A direção da Biosev também não pode contar com uma nova injeção de capital do Grupo Louis Dreyfus, seu controlador.

Pressão: credores querem que Biosev venda usinas (Imagem: REUTERS/Paulo Whitaker)

Dois fatores recentes ajudam, contudo, a impulsionar os papéis. O primeiro é a permissão da B3 para que a companhia mantenha um free float (fatia de ações em circulação no mercado e que não pertencem aos controladores) reduzido em 2020. Assim, a fatia em mãos de investidores se limitará a 5,99% do capital.

O último elemento, mais conjuntural, é a recente alta do petróleo, em meio às tensões entre Irã e Estados Unidos. Ao subir, a cotação do óleo puxa também os preços do açúcar e do etanol, favorecendo as usinas sucroalcooleiras.

Em casa

Duas empresas empatam na segunda posição: a fabricante de móveis Unicasa (UCAS3) e a fornecedora de autopeças Fras-Le (FRAS3), com 21,6% cada uma. A primeira é dona de marcas como Dell Ano, Favorita e Casa Brasil, e vem promovendo um forte corte de despesas, o que elevou os lucros e as margens nos últimos meses.

Entre janeiro e setembro do ano passado, a receita bruta da Unicasa (excluindo-se o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI) recuou 3,5%, para R$ 130,760 milhões. A queda, porém, foi compensada pelo corte de 32,4% nas despesas gerais e administrativas. Com isso, o resultado operacional disparou de R$ 4 milhões para R$ 13,348 milhões.

A geração de caixa, medida pelo ebitda, cresceu na mesma proporção: de R$ 6,9 milhões para R$ 19,9 milhões, com a margem de ebitda subindo de 6,4% para 19% entre setembro de 2018 e setembro de 2019.

Ousadia

Já a Fras-Le foi beneficiada, sobretudo, pela aquisição da Nakata Automotiva, anunciada em 18 de dezembro. O negócio de R$ 457 milhões é considerado “a maior jogada da estratégia de crescimento não-orgânico da empresa”, segundo o BTG Pactual.

Com a compra, a Fras-Le busca completar seu portfólio de produtos, num momento em que os analistas apostam que o setor automotivo será um dos líderes do reaquecimento da economia neste ano.

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Além disso, os números da Fras-Le estão em ordem. Em novembro, a companhia elevou sua receita líquida consolidada em 39% na comparação com o mesmo mês do ano retrasado, somando R$ 128,9 milhões. No acumulado de 11 meses, a cifra avançou 26,7%, para R$ 1,25 bilhão.

Veja, a seguir, as 22 ações que subiram 10% ou mais nos dez primeiros dias de janeiro.

Última atualização por Márcio Juliboni - 14/01/2020 - 20:00

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