Vulcabras (VULC3) lucra R$ 158,8 milhões no 4T25 e CEO conta dois ‘segredos’ para o desempenho da companhia
A Vulcabras (VULC3) registrou lucro líquido recorrente de R$ 158,8 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), um recuo de 6,1% na comparação com o mesmo período em 2024, mostra relatório de resultados divulgado ao mercado nesta terça-feira (3).
Apesar da contração, a dona das marcas Olympikus e Mizuno superou as expectativas. Consenso reunido pela Bloomberg apontava para um lucro líquido de R$ 152 milhões no quarto trimestre de 2025.
No acumulado de 2025, o lucro líquido recorrente totaliza R$ 572,9 milhões, um avanço de 5,3% ante o ano de 2024.
Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente somou R$ 220,7 milhões no 4T25, um avanço de 14,8% em base anual. Em 2025, o Ebitda recorrente totalizou R$ 763,1 milhões, alta de 13% em base anual.
A receita líquida avançou 11,4% na comparação anual, chegando a R$ 1 bilhão no quarto trimestre de 2025. No acumulado de 2025, a linha atingiu R$ 4,2 bilhões, um avanço de 16,7%.
O volume bruto de pares/peças no quarto trimestre de 2025 somou 9,2 milhões. No acumulado de 2025, o volume alcançou 33,7 milhões de pares/peças, uma expansão de 4,2% ante 2024.
As despesas operacionais da companhia subiram 7,1% no ano, para -236,2 milhões no quarto trimestre de 2025.
A companhia registra crescimentos consecutivos nos últimos 22 trimestres e vem passando por uma transformação ao longo da última década, que foca na especialização em esporte sustentada por um modelo de negócios único, que verticaliza os processos, disse Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras, em entrevista ao Money Times.
Enquanto outros nomes do setor administram a marca, mas terceirizam a produção, a Vulcabras optou por se especializar em todas as etapas do processo, sendo quem cria o produto, produz, entrega, cuida do marketing, entre outras frentes.
Essa verticalização, somada a capacidade de resposta rápida da companhia e flexibilidade no que diz respeito a carteira de produtos para os clientes para quem comercializa os produtos, são apontados como os “segredos” da Vulcabras para o desempenho, conforme o CEO.
“Um dos motivos pelos quais a Vulcabras tem tido um dos melhores resultados do setor é porque ela tem conseguido dominar bem todas as etapas do processo. Vemos o ano [de 2025] como muito bom. Estamos vivendo em um país de muitas incertezas”, diz Bartelle.
Recuperação de margens
O CEO da Vulcabras abordou a questão da diminuição de margens que a companhia reportou no ano passado, em especial à margem bruta.
“Isso aconteceu consciente, porque tivemos uma demanda muito maior do que esperávamos pelos nossos produtos e acabamos contratando mais pessoas. Isso gerou uma temporária ineficiência, controlada, que já sabíamos”, coloca o executivo.
Ele afirma que o quarto trimestre já mostra um retorno das margens para os patamares anteriores. “Nos vemos em um momento muito bom, de recuperação de margem e crescimento”.
A margem bruta da companhia teve contração de 0,2 ponto percentual na base anual, indo para 41,4% no quarto trimestre de 2025. No caso da margem líquida, houve recuo de 3 pontos percentuais, chegando a 15,7%.
Já a margem Ebitda subiu 0,7 ponto percentual no ano, atingindo 21,9% no quarto trimestre de 2025.
O CFO da Vulcabras, Wagner Dantas, acrescenta que o varejo no quarto trimestre viveu desafios relevantes relacionados ao consumo, embora o segmento esportivo permaneça um pouco fora da curva, impulsionado pela crescente busca por wellness (bem-estar).
“E a gente seguiu um pontinho ainda mais fora dessa curva, com crescimento muito qualificado, focado em alta performance com o portfólio. Isso nos permitiu não só recompor margens brutas à medida que eficiência foi evoluindo, conseguimos também expandir margem Ebitda. Conseguimos capturar um pouco de alavancagem operacional e ser mais eficiente nas despesas”, disse.
Crescimento do e-commerce
O e-commerce da Vulcabras cresceu ao longo de 2025, om alta de 25,0%, saltando de R$ 433,7 milhões em 2024 para R$ 543,1 milhões em 2025.
Com esse desempenho, o digital passou a representar 15,3% da receita líquida total, reforçando a relevância estratégica do canal.
De acordo com o CEO da companhia, o segmento contribui para a diversificação das vendas e o fortalecimento da relação direta com o consumidor, construindo valor para as marcas da companhia.
“É um e-commerce que cresce, vai continuar crescendo, ele é relevante, mas não é um e-commerce que vai crescer a qualquer custo”, diz Bartelle, acrescentando que o e-commerce e as lojas físicas são uma forma de impulsionar uma venda completa do portfólio de produtos da Vulcabras.
A exemplo disso, o executivo pontua que tênis são comercializados em muitas sapatarias, que não englobam a venda de roupas e outros artigos esportivos. Por meio do e-commerce e lojas próprias, a companhia avança nessa questão. De acordo com o CEO, inclusive, duas lojas devem ser abertas ainda neste início de ano, se somando as demais dezoito.
Ano promissor, mas de cautela
O ano de 2026 é promissor, de acordo com o CEO da Vulcabras, mas a tônica também é de cautela, tendo em vista que se trata de um ano de eleições, Copa do Mundo, muitos feriados e incertezas macroeconômicas.
Apesar disso, os executivos da Vulcabras contam — ainda que sem abrir números exatos — que a companhia iniciou o ano com carteira de pedidos recorde e confiante na manutenção do ritmo de crescimento. De acordo com Bartelle, a companhia recebeu pedidos o suficiente para planejar todo o primeiro semestre de 2026.
No que diz respeito ao atual patamar da taxa básica de juros (Selic), Wagner Dantas e Pedro Bartelle reconhecem que os juros elevados pressionam as operações do varejo e acendem um sinal amarelo, no entanto, aponta que a Vulcabras está em uma posição onde é menos afetada.
“A Vulcabras passou menos exposta a esse efeito de taxa de juros justamente pelas suas decisões e pela cultura de ser uma empresa um pouquinho mais conservadora dentro de sua alocação de capital. A gente nos últimos quatro anos trabalhando praticamente caixa líquido”, diz.