Via (VIIA3): Benefícios com novo plano começarão a ser colhidos já em setembro, diz CEO
A Via (VIIA3) começará a colher benefícios de algumas iniciativas do novo plano de transformação da companhia já em setembro, afirmou o CEO Renato Franklin, em entrevista ao Money Times.
De acordo com o executivo, que assumiu o comando da varejista de e-commerce em maio, o terceiro trimestre já deve mostrar um pouco de contribuição das novas iniciativas, mas haverá também “alguns pênaltis”. Um exemplo é a linha de redução de pessoal, que provavelmente deve mostrar mais custos do que benefícios na próxima temporada de balanços.
A estruturação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) com o objetivo de facilitar a operação de crediário da varejista também deve demorar a entregar o resultado esperado.
“Assim que for lançado, ainda são mais ou menos 12 meses para a gente poder migrar todo CDC-I (Crédito Direto ao Consumidor com Interveniência) para o FIDC. E vai depender da demanda de mercado para a gente ir enchendo o pote do FIDC. Pode demorar um ano para migrar todo esse CDC-I”, disse Franklin.
Elcio Mitsuhiro, CFO da Via, destacou ainda que o plano divulgado ao mercado, que dá praticamente projeção de R$ 1 bilhão de caixa via redução de estoques, traz exemplos não exaustivos. A empresa entende que a maturidade das iniciativas já está “bem mais avançada ou até executada”.
“Existem outras alavancas que a gente vai mapeando e ganhando mais segurança e comunicando ao mercado, mas não estão no mesmo nível de maturidade”, contou.
Mitsuhiro destacou, portanto, que o potencial do plano vai além dos números projetados e divulgados ao mercado.
“O nosso potencial dentro desse plano de transformação é mais do que esse R$ 1 bilhão. Isso é o que anunciamos hoje e estamos mais seguros. E vamos estar trabalhando ao longo deste ano, de 2024, amadurecendo e executando outras iniciativas que estão em estágios mais iniciais”, completou o CFO.
Pausa no crescimento
O novo plano de reestruturação da Via foca em estabilização das operações, geração de caixa e melhoria da rentabilidade. Para isso, uma das iniciativas contempla a redução potencial entre 50 e 100 lojas ainda neste ano, com revisão de quadro de lojas, renegociação de aluguel e revisão de sortimento ideal e sublocação de espaço ocioso.
Franklin fez questão de ressaltar que as 100 lojas são pequenas e estão situadas em regiões onde já existe outra loja perto. Juntas, essas 100 lojas representam cerca de 3% da malha da companhia.
O CEO também destacou que os próximos dois anos não são com foco em uma agenda de crescimento, que deve vir só após 2025, quando a Via estiver mais forte, sólida e “bastante rentável”.
“Entendemos que esta pausa é necessária e adequada para o momento macro que a gente está vivendo. Está coincidindo de ser um bom período para a gente parar, arrumar a casa e depois acelerar”, concluiu.
Segundo a Via, no pós-2025, existem 200 cidades mapeadas com mais de 50 mil habitantes que parecem promissoras para receber uma Casas Bahia sem necessitar de um custo elevado de operação.
Rentabilizar as fortalezas
A deterioração do cenário macroeconômico foi levado em consideração na hora de traçar a nova estratégia, de acordo com os executivos. Um plano com baixo risco de execução foi o caminho mais seguro a ser adotado, priorizando as operações já construídas ao longo das últimas décadas.
“Não temos nada para construir. Está construído. Quando a gente fala de rentabilidade, é basicamente parar de fazer aquilo que perde dinheiro”, comentou Franklin.
“O risco fica muito menor. A gente consegue enxugar um pouco a companhia, porque não estou colocando pressão de crescimento. Tirar essa pressão de crescimento também aumenta a assertividade e o foco das pessoas. E aí conseguimos trazer as alavancas e deixar muito granular e transparente o que a gente vai fazer, o que a gente está fazendo e qual impacto traz”, acrescentou.
Sérgio Augusto França Leme, EVP People & ESG & IRO da Via, defendeu que a Via está fazendo uma mudança que “é muito consistente com o momento atual”.
“Nos faz voltar para nossas próprias fortalezas. É a busca do nosso espaço em um cenário concorrencial onde a gente é forte, reconhecido”, disse.
Questionado se acredita que o mercado vai comprar 100% do plano, Leme fez questão de lembrar que o plano é voltado para a criação de valor sustentável, e por isso demanda tempo.
“A gente não espera que o mercado veja em poucos dias e faça seu julgamento. Ele vai fazer o julgamento ao longo do tempo. Aí, a gente tem o benefício de ser premiado com a consistência da ação, que é orientada para a criação de valor a longo prazo”, reforçou o IRO.
A Via teve prejuízo líquido de R$ 492 milhões no segundo trimestre do ano, segundo relatório divulgado na quinta-feira (10).
O montante representa uma reversão de lucro sobre o mesmo período de 2022, quando a empresa mostrou ganhos de R$ 6 milhões.
A receita bruta ficou estável em R$ 8,98 bilhões. No segundo trimestre, houve avanço de 1,6% na receita das lojas físicas, enquanto a receita das vendas online recuaram 2,4%.
O desempenho do GMV (volume bruto de mercadorias) total somou R$ 11 bilhões, também estável. Enquanto o GMV omnicanal 1P (GMV bruto de lojas + GMV bruto 1P online) registrou recuo anual de 1,2%, o GMV Omnicanal 3P cresceu 9%.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) registrou tombo de 32,1% no comparativo anual, a um saldo positivo de R$ 469 milhões. A margem Ebitda recuou 2,7 pontos percentuais e atingiu 6,3%.
A Via atingiu no segundo trimestre uma posição de caixa, incluindo recebíveis, de R$ 2,8 bilhões.