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Vale: A visão do Credit Suisse para o pós-tragédia

Gustavo Kahil - 27/01/2019 - 19:50

Vale

A Vale (VALE3) conseguiria, sem muitos esforços, remanejar o volume de produção do complexo de Paraopeba, que representou cerca de 7% da produção total do Sistema Sul, para operações “a seco” no Sistema norte, avalia o Credit Suisse em um relatório enviado a clientes após o rompimento de uma barragem em Brumadinho (MG) destruir a área administrativa da mineradora e causar enormes danos ao meio ambiente e dezenas de mortes.

O time de analistas do banco destaca que a Vale vem colocando as operações a seco dentro do Sistema Sul e substituindo-as pelo crescimento do Sistema Norte. “Isso se concentra em sua estratégia de entregar valor em relação ao volume e aumentar a proporção geral de minério de alta qualidade dentro de seu mix geral de produtos”, explica o relatório.

A mineradora está caminhando para uma produção de aproximadamente 400 milhões de toneladas a partir de 2019, embora sua capacidade instalada esteja próxima de 450 milhões de toneladas. “Portanto, a Vale tem, de fato, “capacidade ociosa” dentro de suas operações”, argumenta a avaliação.

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Visão regulatória

A avaliação sobre os efeitos da tragédia, contudo, supera a questão operacional. O Credit Suisse indica que o mercado tenderá a refletir uma abordagem mais rigorosa do ponto de vista regulatório no que diz respeito às licenças para barragens de rejeitos e novas minas. “Acreditamos que isso é válido, especialmente considerando que um desastre semelhante ocorreu há pouco tempo (a Samarco vazou em 2015)”, pontuam os analistas.

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O governo federal informou ontem que poderá mudar as regras de licenciamento ambiental e fiscalização das barragens. “Parece que algo está falhando nesse licenciamento”, disse o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. De acordo com o ministro, o governo fará novas auditorias para vistoriar barragens classificadas como “de risco”.

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No entanto, o Credit Suisse ressalta dois fatos:

1 – A Vale possui uma estratégia para mudar sua produção para processamento a seco (40% da produção total em 2016) atingindo um nível de 70% de processamento a seco em suas operações até 2022;

2 – A tese de investimento da Vale depende muito menos de novas expansões e novas licenças de barragens de rejeitos neste momento. Dada a sua estratégia contínua de mudar para o processamento a seco e sem dependência contínua de novas licenças, sentimos que as implicações gerais para a tese de investimento da Vale devem ser muito mais moderadas deste ponto de vista.

Samarco

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Outro ponto destacado pelo banco é o fato de que o mercado tenderá a olhar para a tragédia da Samarco em 2015 para tentar chegar a possíveis implicações em termos de multas para a Vale. O desastre da Samarco levou a Vale a provisionar US $ 5,2 bilhões, o que a empresa considera representativa de sua obrigação de 50% de reparações nos próximos 12 anos.

Portanto, o valor total para a BHP e para a Vale seguindo essa lógica neste momento deve ficar próximo de R$ 10,4 bilhões (US $ 2,76 bilhões).

Até agora, A Justiça mineira determinou o bloqueio de pelo menos R$ 11 bilhões para ressarcir danos e perdas de forma geral. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ainda multou a Vale em R$ 250 milhões. Além disso, outros autos de infração e multas relacionados ao licenciamento das atividades de mineração poderão ser aplicadas pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam).

Tudo isso também pode levar a um atraso do reinício das operações da Samarco. “No entanto, achamos que a maioria (incluindo nós mesmos) não incorporou a Samarco em expectativas de curto e médio prazo, por isso não cremos que isso deva alterar as expectativas de maneira significativa”, conclui o banco.

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Última atualização por Gustavo Kahil - 27/01/2019 - 20:02