The Money Office: Atrasado, Fed já afeta os indicadores de lucros nos EUA (agora vem as ações)
O estrategista-chefe de investimentos Michael Hartnett do Bank of America manteve, em um relatório enviado a clientes nesta semana, sua visão de retornos negativos este ano devido a um choque nas taxas de juros. Segundo ele, o Federal Reserve está bem atrás da curva de aumento das taxas de juros.
O BC americano decide sobre o rumo da taxa hoje, às 16h (horário de Brasília). Não é esperada uma elevação, mas uma sinalização de que ela aconteça no encontro de 16 de março.
Além disso, os principais indicadores de lucros corporativos, como o NY Empire Manufacturing Survey (altamente correlacionado com o S&P 500), estão começando a desandar. Simplificando, Hartnett acha que a combinação de taxas para cima e lucros para baixo é ruim para crédito e ações.
Esta visão é corroborada por Savita Subramanian, chefe de ações americanas e estratégia quantitativa do BofA. Ela lembra que alguns dos temas de baixa para as ações com os quais os mercados se preocuparam em 2021, como política monetária mais apertada e pressões de margem do trabalho, agora estão se desenrolando.
“O fim da pandemia significa o fim do excesso de estímulo, o que provavelmente significa o fim dos retornos excessivos de ativos, basta olhar para Zoom (ZM; Z1OM34), Peloton (PTON) e Netflix (NFLX; NFLX34)”, aponta.
Embora os investidores ainda não estão vendidos com US$ 52 bilhões de entradas em ações no acumulado do ano, Hartnett recomenda uma posição comprada em volatilidade, nomes de alta qualidade e defensivas em condições financeiras mais apertadas.
Taxas para cima, lucros para baixo = combinação ruim para ativos de risco
Gustavo Kahil é fundador do Money Times. Antes, foi repórter de O Financista, Editor e colunista de Exame.com, repórter do Brasil Econômico, Invest News e InfoMoney.