‘Termômetro do medo’ dispara mais de 50% e atinge menor nível desde a pandemia; Nasdaq se aproxima de ‘bear market’

O VIX (CBOE Volatility Index), indicador que mede a aversão ao risco de Wall Street, também conhecido como o “termômetro do medo”, saltou mais de 50% nesta sexta-feira (4), com a escalada do temor de uma guerra comercial após a retaliação da China ao plano tarifário dos Estados Unidos. O risco de recessão da maior economia do mundo também bate à porta mais uma vez.
Pela manhã, o VIX alcançou 45,31 pontos (+50,93%) — no maior nível desde março de 2020, auge da pandemia de Covid-19. Na máxima do dia, índice subiu aos 45,61 pontos.
O índice, que mede as expectativas futuras de volatilidade por meio de opções de ações do S&P 500, tem registrado forte avanço desde 21 de fevereiro, após dados de atividade econômica mais fracos e, agora, opera próximo das máximas do ano.
A disparada do índice, pelo segundo dia consecutivo, acontece ainda em reação ao plano tarifário do presidente norte-americano, Donald Trump — e as retaliações.
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Na última quarta-feira (4), Trump estabeleceu uma alíquota-base de 10% para todos os países que são parceiros comerciais, que entra em vigor em 5 de abril. Já as tarifas recíprocas serão aplicadas a partir de 9 de abril. De acordo com a Casa Branca, China (com taxa de 34%), Vietnã (46%), União Europeia (20%) e Taiwan (32%) serão os mais impactados.
Já nesta sexta-feira (4), em resposta, a China anunciou uma tarifa de 34% sobre a importação dos produtos norte-americano, que começa a valer na próxima quinta-feira (10) — um dia após a tarifa de 34% dos EUA contra os produtos chineses entrar em vigor.
“A resposta da China às novas tarifas dos EUA aumentou as preocupações do mercado. Não apenas com o impacto econômico direto dessas tarifas. A preocupação é que a medida possa levar a uma possível escalada adicional da guerra comercial pelo lado norte-americano”, disse Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.
Na avaliação do JP Morgan, a probabilidade de recessão dos Estados Unidos aumentou de 40% para 60%.
Nasdaq no ‘bear market’
As bolsas de Wall Street também derreteram nesta sexta-feira (4), estendendo as fortes perdas da véspera. O índice Nasdaq, que reúne as maiores empresas do setor de tecnologia, registrou queda de 5% e entrou em ‘bear market‘, que é quando um índice acionário tem baixa superior a 20% em relação às máximas registradas em dezembro.
O S&P 500 também caiu mais de 5%, no menor nível em cinco anos, e o Dow Jones já perdeu mais de 2,2 mil pontos desde a abertura.
Ontem (3), os índices de Wall Street registraram o pior desempenho diário desde 2020.