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Tenho R$ 30 mil na poupança. Como eu invisto esse dinheiro?

Opinião - 30/09/2018 - 18:25

Dinheiro

Por Papo de Grana

Você vendeu seu carro porque viu que não precisava mais dele. Ou conseguiu economizar bastante nos últimos meses. Ou ganhou uma superultra comissão no trabalho. Como resultado, você tem R$ 30 mil. E como não queria correr o risco de gastar, foi lá e depositou esse dinheiro na poupança.

Se existisse o recurso de acionar uma sirene, certamente ela estaria tocando exatamente neste momento.

Por quê?
Não queremos ser repetitivos, mas é importante ressaltar. Os tempos de amor entre o brasileiro e a poupança já não são mais os mesmos. Ou pelo menos, é um sentimento que já não é mais correspondido: 89% dos brasileiros que afirmaram ter aplicado em produtos financeiros em 2017 ainda deixam o seu dinheiro na poupança. Como contrapartida, a poupança está pagando 0,37% de juros ao mês. É pouco perto do que o seu dinheiro poderia estar rendendo em outras opções de investimento tão seguras quanto.
É, você precisa entender que talvez a poupança não te ame tanto assim.
Sim, é de quebrar o coração. E o seu bolso também.

Mas vamos deixar as emoções de lado e vamos aos números.
Se você depositar os R$ 30 mil que você tem na poupança:

  • Em um ano, você terá algo em torno de R$ 31.365*
  • Em 5 anos, R$ 37.474*
  • Em 10 anos, R$ 46.812*

Aqui estamos considerando o rendimento atual da poupança, que é de 4,55% ao ano.

Só para compararmos, o CDI, um dos parâmetros dos produtos de renda fixa, está em 6,39%. Se você investir em um fundo de renda fixa, com um mix de títulos públicos e privados, veja como o cenário muda de figura:

  • Em 1 ano: em torno de R$ 32.400
  • Em 5 anos: R$ 44.412
  • Em 10 anos: 65.748

Mesmo com desconto do Imposto de Renda em caso de resgate, você ainda sai ganhando.

Essas projeções nem levam em conta aportes mensais. Seria como se você investisse os R$ 30 mil e deixasse esse dinheiro rendendo pelo tempo que deseja. Agora, quer ver como os resultados podem ficar ainda mais interessantes?

Então vamos supor que você invista os R$ 30 mil no mesmo fundo de renda fixa e viu que pode potencializar seus investimentos com aportes mensais de R$ 250.

  • Em um ano, você poderá ter R$ 35.483
  • Em 5 anos: R$ 62.700
  • Em 10 anos: 109.114

Por que estamos comparando a poupança com o fundo de renda fixa?

Muitos dos que usam a poupança alegam que a segurança é o fator mais forte. Por isso, estamos comparando a poupança com produtos em que o risco de perder dinheiro é baixíssimo e também têm boa liquidez. O fundo de renda fixa da Warren, por exemplo, é bastante diversificado e, em caso de queda de um dos títulos privados, não há grande impacto nos rendimentos do investidor (já falamos sobre crédito privado aqui).

Agora, você pode ser mais ousado. Se você não se assusta com a ideia de acrescentar um tanto de risco para melhorar ainda mais os resultados, você pode investir os R$ 30 mil em um fundo que contenha renda fixa e ações. Vamos ao exemplo de uma alocação 95% em renda fixa e 5% em ações (entre brasileiras e americanas).

Apenas investindo os R$ 30 mil, sem aportes mensais:

  • Em 5 anos: em torno de R$ 44.918
  • Em 10 anos: em torno de 67.254

Com aportes mensais de R$ 250:

  • Em 5 anos: em torno de R$ 63.335
  • Em 10 anos: em torno de R$ 113.247

Nós nem falamos em investir em renda variável no prazo de um ano por causa da volatilidade da bolsa de valores. Ela não é nada recomendável para o curto prazo.

O que você precisa levar em conta para escolher o seu tipo de investimento?

Ok, você já entendeu que seus R$ 30 mil não serão muito bem tratados na poupança. Portanto, é hora de levar em conta a combinação de três fatores para escolher onde e como investir esse dinheiro: finalidade, tempo e perfil.

Finalidade

Quer usar esses R$ 30 mil para começar a investir em uma aposentadoria tranquila sem depender de INSS? Ou quer usar para dar de presente para a família aquela viagem incrível nas próximas férias? Ter um objetivo para esse dinheiro é fundamental. Uma porque você investe com propósito. Você sabe que esse valor está indo para algo realmente necessário e importante para você. E outra porque ajuda a definir o próximo ponto a ser levado em consideração.

Tempo

Em quanto tempo você vai querer usar esse dinheiro? Um ano? Cinco anos? Mais de 20? Quanto maior for o tempo, mais à vontade você pode ficar para investir em um portfólio que contenha um percentual em renda variável, por exemplo. Como falamos antes, as ações não são recomendadas para investimentos de curto prazo porque não há tempo hábil de recuperação caso a bolsa tenha uma sequência de queda. É uma característica natural da renda variável, que ocorre e continuará ocorrendo enquanto o mundo for mundo. Se o prazo for curto, vá de bons produtos de renda fixa que unam boa rentabilidade e liquidez.

Perfil

Seu perfil de investidor conta muito. Se você usava a poupança ou tem um pensamento mais conservador em relação ao seu dinheiro, escolha opções de renda fixa. Não é feio nem errado querer uma certa estabilidade nos seus rendimentos. É exatamente para essa linha de estratégia que existem ótimos produtos e fundos que contam com uma curadoria de títulos públicos e privados específicos para esse perfil, com baixo nível de risco e boa rentabilidade. Quanto menos avesso ao risco, mais aberto para a renda variável. Você pode saber e entender melhor que tipo de investidor você é, clicando aqui.

Faça a ponderação destes três pontos. Eles vão ajudar bastante.

Alguns exemplos:

“Saí da poupança e quero investir na viagem dos sonhos do casal, daqui três anos”

(Perfil conservador + objetivo de viagem + curto prazo)
Aqui, o melhor caminho é ir de bons produtos de renda fixa.

“Sou moderado e quero investir na faculdade dos meus filhos, que hoje tem 10 e 12 anos”

(Perfil moderado + faculdade dos filhos + longo prazo)
Considere acrescentar um pequeno percentual de renda variável ao seu portfólio.

“Tenho 30 anos e quero me aposentar aos 55 anos”.

Se for muito conservador, vá de renda fixa. Mas caso tenha perfil um centímetro mais moderado, pense com carinho em ter um percentual em ações. Como o prazo é de 25 anos, você tem um horizonte de tempo considerável para investir em renda variável, mascarar períodos de baixa e potencializar seus resultados.

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