Suzano (SUZB3): BofA corta R$ 25 do preço-alvo e ações despencam
As ações da Suzano (SUZB3) despencam e figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa (IBOV) nesta terça-feira (7).
Por volta de 11h (horário de Brasília), SUZB3 caía 6,15%, a R$ 46,55, e entrou em leilão por oscilação máxima permitida na B3.
As negociações foram retomadas por volta de 12h20 e os papéis voltaram a ser negociados com queda de 6,09%, a R$ 46,58.
A pressão vendora continuou ao longo do pregão e SUZB3 encerrou cotada a R$ 46,43, com recuo de 6,39%, sendo a segunda ação com pior desempenho diário no IBOV.
Suzano também figurou como o papel mais negociado da B3 com 56,5 mil negócios e giro financeiro de R$ 2,122 bilhões.
Os papéis são pressionados pela revisão do Bank of America (BofA). O banco rebaixou a recomendação das ações de compra para neutra.
Além disso, a equipe de analistas cortou o preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 82 para R$ 57 – ou seja, uma redução de R$ 25. O novo preço-alvo, apesar da forte redução, ainda representa um potencial de valorização de 14,92% sobre o fechamento anterior, nos próximos oito meses.
Já o preço-alvo para o ADR da fabricante de papel e celulose, negociado na Bolsa de Nova York (Nyse), foi reduzido de US$ 16 para US$ 11. O novo preço-alvo representa um potencial de alta de 14% sobre o fechamento anterior. Por lá, SUZ caía 6,63%, a US$ 9,01, por volta de 12h20 (horário de Brasília).
Apesar da revisão, o banco avalia que a companhia continua apresentando um valuation “saudável” e um rendimento de fluxo de caixa livre “atrativo” de 5,4% em 2026.
Cautela com o mercado global
Segundo os analistas Caio Ribeiro, Guilherme Rosito e Mariana Leite, a revisão reflete uma visão mais cautelosa sobre o mercado global de celulose, com a expectativa de que os preços da commodity permaneçam pressionados por mais tempo devido a um excesso estrutural de oferta.
Com esse cenário-base, a equipe revisou a premissa de preço de longo prazo da fibra curta de US$ 600 por tonelada para US$ 500 por tonelada.
Ainda de acordo com o BofA, a China tem consolidado a sua posição como produtor relevante, reduzindo a dependência de importações e “remodelando” a dinâmica dos custos globais.
Além disso, uma nova onda de capacidade de baixo custo vinda da América Latina deve entrar no mercado nos próximos anos, elevando a deterioração do equilíbro estrutural entre oferta e demanda.
A Suzano, por sua vez, tem alta sensibilidade aos preços de celulose e deve ser pressionada por um cenário “mais cauteloso” para as commodities no longo prazo.
Ciclo positivo perto do fim
Os analistas do BofA também avaliam “sinais de que o ciclo positivo atual está próximo do fim”.
Entre eles estão: estoques de celulose acima da média nos portos chineses; baixa rentabilidade dos fabricantes de papel; preços de revenda e futuros negociando abaixo dos benchmarks; retomada da capacidade da Chenming e primeiros sinais de que as restrições florestais na Indonésia podem ser parcialmente revertidas ou flexibilizadas.
“Em conjunto, esses fatores apontam para uma dinâmica de preços mais fraca no curto prazo, o que deve pressionar o ritmo de crescim,ento dos resultados da Suzano”, escreveram Caio Ribeiro, Guilherme Rosito e Mariana Leite, em relatório.
O que esperar de Suzano?
O BofA espera que a fabricante de papel e celulose apresente uma receita de R$ 56,506 bilhões em 2026, o que representa uma redução de 3,6% em relação à estimativa anterior.
Para o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciaçao e amortização), a expectativa é de que a métrica alcance R$ 21,376 bilhões neste ano, 2,9% menor do que a projeção anterior.
Já o lucro líquido estimado é de R$ 5,953 bilhões, um ajuste de 14,1% abaixo da expectativa anterior.