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Sidnei Nehme: Principal preocupação pode estar sendo silenciada e encoberta pela crise turca

Sidnei Nehme - 15/08/2018 - 9:40

Por Sidnei Moura Nehme, economista e diretor executivo da NGO

Quem ainda não ouviu que em determinadas circunstâncias, o silêncio é a melhor mensagem?

No mercado financeiro, após o 1º debate televisivo, pouco se tem propagado sobre os prós e os contras do desempenho dos candidatos participantes, havendo um relativo silêncio em torno dos postulantes à sucessão presidencial.

Contrariamente, têm-se dado muita ênfase à crise em torno da Turquia, as ações do seu BC, os conflitos da mesma com os Estados Unidos, a magnânima desvalorização da lira turca, a expressividade do juro praticado, das repercussões nos bancos europeus grandes credores, enfim, dos impactos nos mercados emergentes.

Há a imponderável repercussão com sérios receios de que ocorram contágios às economias emergentes, mas cada país tem situação peculiar e pode ser ou não afetado, embora seja emergente.

O Brasil tem um quadro bastante diverso em relação ao da Turquia, com um déficit em conta corrente de tão somente 0,7% do PIB contra 5,4%, inflação projetada de 4,2% contra 15%, afora expressivas diferenças de taxa de juro, reservas cambiais, operações estruturadas de geração de liquidez para proteção ou para mercado a vista de câmbio, etc…, que a despeito da perturbadora crise fiscal brasileira tolerada pelo mercado e agências de rating até a definição da eleição presidencial, tornam o Brasil completamente diferente e num outro contexto que o deixa bastante defendido neste momento turbulento do mercado internacional.

Recentemente a Argentina, nossa parceira mais expressiva na área de comércio exterior e fronteiriça ao Brasil, teve perturbações fortes que a levaram até o ponto de buscar apoio do FMI para suporte financeiro, contudo, a despeito de estar no mesmo raio de ação, não criou nenhuma perturbação ao Brasil, salvo a diminuição de suas importações.

Então, por que haveria a Turquia de nos causar impactos relevantes desestabilizadores?

Por isso, temos insistido que o “pano de fundo” deste movimento relativamente nervoso é o prenúncio de momentos mais tensos em torno da sucessão presidencial e que aumentará de graduação na medida em que se aproximam datas estratégicas.

Diríamos com ênfase: “Nossos problemas são os nossos e estão sendo silenciados para não alardear uma situação que conflita diretamente com os interesses do mercado financeiro”.

O quadro sucessório “emite” sinais relevantes que ainda são habilmente mitigados que temos um quadro muito propenso ao desapontamento e que pode provocar forte estresse nos inúmeros segmentos do mercado financeiro.

O ex-Presidente Lula se auto confirma candidato num quadro que tudo leva a crer não o será, mas ocupa espaço dando entrevista ao importante jornal americano NYT alardeando crítica e fomentando a imagem de vítima. Como se costuma dizer, mantém acesa a chama, está na mídia, e se faz presente embora esteja recluso na prisão.

Ainda não disse, mas certamente dirá que Haddad é seu sucessor e será o candidato, mas o fará no momento certo, com grande ênfase e conclamando seus eleitores e indecisos a apoiá-los incisivamente.

A pesquisa RealTime Big Data/Record TV entrevistou 3.200 pessoas presencialmente entre os dias 10 e 12 e com uma margem de erro de 2% indicou Bolsonaro na frente em 21% das intenções de voto em pesquisa estimulada, seguido por Marina Silva (11%) Alckmin (9%) Ciro (8%) Haddad com 6% evidenciando 16% de indecisos e 20% de brancos e nulos, isto sem incluir Lula.

A mídia destaca que os estrategistas da campanha de Alckmin decidiram usar seus comerciais de 30 segundos no horário eleitoral no rádio e na TV para tentar “desconstruir” a candidatura de Bolsonaro. Salienta ainda que na avaliação do PSDB o candidato do PT estará no segundo turno (o que demonstra a crença de que Lula conseguirá transferir parte de seus votos), por isso o candidato Bolsonaro seria apontado como o principal adversário pela segunda vaga.

É extremamente relevante observar todo este contexto “silenciado” até agora o que não quer dizer que não percebido pelos players do mercado financeiro, que esperam novas pesquisas na esperança que Alckmin ganhe impulsão, antes de darem efetiva evidência aos seus temores.

Desta forma, não há como descolar-se comentários e observações acerca do comportamento dos ativos no nosso mercado financeiro, sem considerar o que ainda está no “silêncio dos bastidores” e que é efetivamente o grande problema brasileiro neste momento.

Então o dólar tem o preço em alta por causa da Turquia, a despeito de todos os instrumentos e liquidez que o Brasil possui, ou, por que oscilam as preocupações quanto as tendências menos favoráveis para o mercado financeiro e as perspectivas de reformas absolutamente necessárias pelo próximo governo para resgatar o país da grave crise em que se encontra?

O momento brasileiro sugere posicionamentos defensivos, e, se isto não ocorrer de forma gradual, poderá vir a ocorrer de forma abrupta.

O cenário prospectivo está eivado de dúvidas e incertezas que parecem resistir no tempo mais do que o esperado.

O dólar no nosso entender continua com o ponto de equilíbrio em R$ 3,80, e, se o estresse se intensificar subirá, mas não acreditamos com impulso para superar os R$ 4,00.

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