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Sidnei Nehme: Dólar está flutuando na zona de conforto

Opinião - 16/10/2018 - 10:39

Por Sidnei Moura Nehme, economista e diretor executivo da NGO

O mercado financeiro segue com otimismo, porém com absoluta sensatez que contém maior sentimento de euforia, muito embora tenha como certa a eleição do candidato Jair Bolsonaro para Presidente, independente inclusive do que possam indicar as pesquisas, que, contudo, apontam nesta direção.

Como já salientamos o mercado considera o resultado como dado para as eleições presidenciais, relegando como o faz desde as vésperas do 1º turno a plano absolutamente secundário os resultados das pesquisas, atualmente com seus prestígios muito abalados.

As expectativas estão centradas em conhecer as diretrizes efetivas do novo governo, além do nome de seus integrantes, para superação dos enormes desafios presentes no país, como a expressiva inércia da atividade econômica, dívida fiscal e todas as consequências em cadeia, sobejamente conhecidas.

Problemas só não existem na cena cambial, onde o país detém sólida situação a partir das contas externas equilibradas e portentoso estoque de reservas cambiais.

Neste quadro marcado pela sensatez, que já afastou a euforia imprópria do primeiro momento de confirmação da probabilidade de eleição de Jair Bolsonaro, o comportamento do mercado financeiro tem sido absolutamente compatível com o contexto presente.

O preço do dólar, depois de expurgados os efeitos do movimento especulativo que o circundou sem fundamentos por isso insustentável, flutua dentro da zona de conforto, entre R$ 3,70 a R$ 3,80, com uma volatilidade que se configura como um efeito “gangorra”, consequente do confronto de interesses entre os detentores de posições “compradas” e “vendidas” no mercado futuro de dólar.

Não se descarta que os “vendidos” busquem deprimir a taxa até abaixo de R$ 3,70, mas pode até ocorrer ocasionalmente, mas não de forma sustentável.

Preços abaixo de R$ 3,70/R$ 3,80 como tem sido propagados por alguns setores do mercado financeiro, por exemplo, R$ 3,50, da mesma forma que anteriormente o propagaram em R$ 5,00 ou mais, acreditamos prematuros pois dependeriam de implementação de efetivas medidas do novo governo na área econômica e, em especial, no quesito do déficit fiscal e isto, por mais que seja ágil o novo governo, tem uma relação causa/efeito lenta e poderá ocorrer ao final do 1º trimestre de 2019, caso haja convicção de sucesso.

O preço de equilíbrio que consideramos como efetivo ainda está no entorno de R$ 3,80, sendo até possível que em perspectiva para o ano que vem possa recuar abaixo disto dependendo do que o novo governo estabeleça para superar o expressivo déficit fiscal do país.

Não consideramos relevante o fato de o país ter retrocedido de 6º para 9º lugar no direcionamento de investimentos estrangeiros, visto que a deletéria situação da economia brasileira e as incertezas que circundaram as eleições impôs de forma natural a retração da decisão de investimentos sejam nacionais ou estrangeiros.

Por outro lado, há agora sinais mais concretos das medidas adotadas pelos Estados Unidos reduzindo sua carga tributária, ensejando retorno de investimentos para o país, que já provocaram redução de 41% no total de investimentos no mercado global.

Naturalmente, esta percepção mais consistente imporá aos demais países, com ênfase aos emergentes, absoluta necessidade de rever os parâmetros de seus tributos sobre os investimentos recebidos do exterior, caso contrário poderão ser preteridos.

Por outro lado, a B3 sem movimentos explosivos vem mantendo a sua dinâmica com suporte e assim que houver maior clareza por parte do novo governo sobre diretrizes econômicas e fiscais poderá experimentar momento de forte alta.

Na realidade a postura do mercado financeiro é de otimismo, mas com o comedimento sensato que o momento impõe devido ao desconhecimento do plano detalhado do novo governo.

Bom que seja assim, os riscos ficam bastante mitigados.

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