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Sidnei Nehme: BC precisa atuar, também, de forma ampla no câmbio à vista, ofertando linhas

Sidnei Nehme - 08/06/2018 - 7:30

Por Sidnei Moura Nehme, economista e diretor executivo da NGO

O sentimento de que o nível de desarranjo dos preços dos ativos no mercado financeiro podem se agravar prospera fortemente, e o fato vem causando forte divergência entre os especialistas sobre as alternativas de intervenção e decisões do BC/COPOM e TN e consequências adicionais.

O BC e o Tesouro Nacional procuram atuar mais fortemente, ao que parece, sobre as consequências e parcialmente sobre as causas, enquanto que os analistas se apegam a pronunciamentos antecedentes das autoridades monetárias num ambiente em que a deterioração do balanço de riscos se agrava de forma intensa, o que não permite ilações convictas, para que não ocorra a mesma surpresa da decisão adotada na reunião passada do COPOM na próxima reunião do dia 20.

Toda e qualquer manifestação posta pelas autoridades “sugere” que seja válida se houver sustentabilidade do cenário atual, e o cenário está severamente mutante, portanto o melhor é não acreditar prematuramente no que vai acontecer, mas sim monitorar o andamento do comportamento dos vários vetores de influência nas decisões.

Fundamentos econômicos, suposições, etc., podem até vir a ser considerados de forma relativa. O hiato do produto não sugere que seja elevada a SELIC, a utilização da capacidade instalada é de somente 78%, mas o foco como bem salientou o BC não deve ser a dinâmica do preço do dólar, mas naturalmente não pode menosprezar os impactos que este fato possa causar na inflação, já que pode ser impulsionada pelo preço dos combustíveis, fretes, produtos e insumos importados, que afetem os preços dos produtos agrícolas etc… de forma contundente e impactar na inflação através da elevação imediata dos preços, em especial, os de primeira necessidade para a população.

No nosso entender o BC precisa demonstrar força e contundência nas ações, e no câmbio deve usar todo o seu potencial para evitar movimento especulativo, que até sinaliza estar combatendo com a oferta voraz de swaps cambiais, mas deveria também fazer uso das reservas cambiais de forma intensa “inundando” a liquidez do mercado à vista com oferta de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra, que, naturalmente, está pressionado pela intensificação da saída dos investidores, que tem viés crescente.

O TN vem realizando leilões de títulos e buscando adequar prazos as demandas, mas não está conseguindo conter a espiral altista do juro de longo prazo, com destaque para o longo prazo.

Por que o BC não pode ser previdente e agir de forma proativa elevando a SELIC antes que a inflação se instale? Provocaria maior retração da atividade econômica? Em realidade a atividade econômica já está em retração em decorrência das expectativas ruins presentes para curto/médio prazos e não reagiu, a despeito da forte queda da taxa de juro ocorrida até então, não tendo tido força para conduzir a economia a padrões medianos de recuperação.

O PIB que era projetado para 3% já passou para 2% e agora já tem projeção ousada para somente 1%.

Afinal, tudo sugere que o que se deveria esperar de 2018 na área econômica já está dado e as perspectivas só sugerem piora, e o foco aumenta para o cenário político.

Os estrangeiros acentuam aversão ao risco Brasil aumentando cautela com o país e sinalizando que estão se retirando do mercado financeiro brasileiro. Este movimento pode estar sendo antecipado face às expectativas presentes que trouxeram a “valor presente” o que era esperado mais para a proximidade das eleições.

Há também os fatores externos que a partir da retomada da evidência do desempenho da economia americana catalisam a atratividade dos investidores ao redor do mundo, em especial os que estão alocados nos países emergentes.

Observamos que há um notório conflito de pontos de vistas de analistas em torno do momento altamente confuso que determina expressiva reversão das expectativas, envolvendo o “status quo” da economia e seu desempenho fragilizado em todos os vetores de influência na sua atividade, e ainda, o crescente negativismo em torno das sinalizações das pesquisas relativas a sucessão presidencial.

Visões díspares a respeito de ações sugeridas e reações esperadas do mercado com a participação das autoridades monetárias prosperam, mas com muitas reticências.

No nosso ponto de vista a ação isolada do BC no mercado de câmbio com oferta intensa com swaps cambiais precisa ser maximizada com oferta de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra. Os bancos estão com pouco mais de US$ 4,0 Bi de posição vendida no câmbio e não tem nada de linhas de financiamento contratadas.

O BC precisa demonstrar força, pois está agindo deixando a impressão de que age contra a especulação, mas precisa ter contundência em demonstrar que o país, diferente de Argentina e Turquia e até outros emergentes, não tem o risco de crise cambial, detendo instrumentos derivativos e capacidade fortíssima de incrementar a liquidez do mercado de câmbio à vista, com base em suas reservas.

As reservas cambiais tão e entusiasticamente sempre propagadas não podem ser uma vitrine, mas devem ser colocadas estrategicamente como instrumento de efetiva defesa, já que podem ser utilizadas sem enfraquecimento do conceito de liquidez internacional, afetando momentaneamente o conceito de caixa.

Enfim, por que o BC reluta em ofertar linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra aos bancos mixando-as com as ofertas de swaps cambiais, que poderiam ser menores, deixando evidente que tem força para sustentar intervenção no câmbio pondo ordem e neutralizando os focos especulativos, se é que estes estão presentes como sinaliza pela forma atual de intervenção?

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