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Opinião

Sidnei Nehme: Ata do Fed benigna e sensata “acalma” mercado de câmbio. Bolsa iniciou “sell off”

Sidnei Nehme - 24/05/2018 - 14:34

Por Sidnei Moura Nehme, economista e diretor executivo da NGO

Sem alterar a perspectiva, mas atenuando de forma benigna e sensata a tendência imediata de elevação do juro nos Estados Unidos, O FED demonstrou sua maturidade e entendimento de que se fortalecesse o tom poderia contribuir para a intensificação do desarranjo que ocorre no momento no mercado global, principalmente nos mercados dos países emergentes.

Não desfez a perspectiva, mas conteve o imediatismo e assim permitiu um alívio no mercado global e isto repercutiu nas moedas emergentes e, naturalmente, em relação ao nosso real.

Acreditamos que o efeito sobre o recuo do preço da moeda no nosso mercado tenha repercutido mais a postura do FED exposta em sua Ata do que a intervenção do BC com a oferta de swaps cambiais.

Se observarmos que no final de março havia uma posição comprada total de câmbio futuro em torno de US$ 2,0 Bi e ao final de abril havia sido elevada para US$ 14,0 Bi, têm se a real dimensão da demanda que pressionou a taxa futura do dólar pela busca de proteção. A posição de “Câmbio contratado – financeiro detalhado”, relativo a capitais estrangeiros, divulgado pelo BC evidencia que o ingresso líquido de capitais estrangeiros em 2018 tem um saldo de US$ 13,448 Bi positivo.

A proximidade do saldo do câmbio futuro comprado e do câmbio financeiro contratado referente a capitais estrangeiros permite a ilação de que os investidores estrangeiros no mercado financeiro brasileiro estão protegidos por “hedge cambial”.

O BC por seu Presidente apontou que as empresas estão com níveis baixos de proteção e então é de admitir que a demanda presente mais acentuada advenha de empresas com passivos expostos em moeda estrangeira.

Assim, é bem possível que investidores que abruptamente pressionaram o preço da moeda estrangeira com a forte demanda por “hedge cambial” que elevou a taxa de câmbio futura possam até amargar uma pequena perda na saída com seus recursos, face ao discreto recuo do preço do dólar.

Este é só uma elucubração que se opõe a ideia de que a queda do preço do dólar beneficie os investidores estrangeiros de forma generalizada.

O fluxo cambial até 18 de maio revela tão somente um saldo positivo de US$ 314,0 milhões, evidenciando que o montante de saídas financeiras acumula US$ 3,834 Bi.

Todavia, acreditamos que a partir desta semana tem início um movimento de “sell off” na Bovespa e isto naturalmente elevará acentuadamente o volume de saídas de recursos do país.

Nada de grande impacto perturbador no mercado de câmbio, que poderá até sustentar após o ajuste em decorrência da sinalização da Ata do FED o viés de alta, pois, seguramente, o BC estará atento e deverá acentuar a oferta de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra aos bancos autorizados a operar em câmbio.

Queremos crer que até uma eventual questão geopolítica que possa ser causada pela truculência do Presidente americano, os efeitos externos estão precificados na cotação atual do dólar americano e a variável que o impulsionará para patamar mais elevado gradativamente será decorrente dos fatores internos, que passam pela inércia da atividade econômica que cada vez mais tendente a perder dinamismo, crise fiscal ainda sem solução, não recuperação do nível de emprego, renda e consumo, e não descartamos alguma repercussão nas tendências da inflação.

A questão eleitoral tem grande potencial de impacto nas perspectivas e deverá acentuar-se à medida que se aproxima o pleito, visto que há enormes indefinições e dúvidas no entorno desta questão e não se vislumbra, até o momento, pré-candidatos viáveis com perfil reformista.

Neste momento, há acirrada discussão em torno da dolarização dos preços dos combustíveis por parte da Petrobrás e se constitui num momento cria altamente perturbador num país cujo modal é rodoviário em 74%. Unicamente a título de observação notamos que o governo alega que não tem folga orçamentária para resolver a questão, porém não temos notado ninguém ressaltando que a elevação abrupta do preço provoca aumento imprevisto da arrecadação do governo federal e estadual, que assim a margem de redução tributária sobre os produtos.

Enfim, nossa visão indica que a Bovespa entrará em processo agudo de “sell off”, com o que os recursos dos investidores estrangeiros demandarão no mercado de câmbio a vista, levando o BC a prover a liquidez do mesmo com oferta de linhas de financiamento em moeda estrangeira com recompra.

O preço do dólar recuperará gradualmente o viés de alta e a nossa projeção continua sendo de R$ 3,75 em agosto.

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