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Sidechains e Futuro das Criptomoedas

Investing.com Brasil - 17/10/2018 - 16:39

Por Jamil Civitarese/Investing.com

Um grande desafio de investir em criptomoedas é monitorar todo o universo de projetos interessantes que surgem. Um bom monitoramento de novidades na área envolve seguir um bom conjunto de desenvolvedores no twitter, entrar frequentemente em reddits e, no caso de uma análise mais profunda, seguir githubs e fóruns de discussão técnicas. Infelizmente, essa é a parte fácil: agregar o conhecimento sobre projetos de maneira comparada é um consideravelmente mais complicado.

Contudo, para a infelicidade dos aficcionados pelas novidades, temos que compreender as tecnologias não são condição nem necessária nem suficiente para ter retornos acima da média do mercado. Atualmente, o mercado se comporta com razoável correlação interna. Há também diversas evidências acadêmicas de ineficiência do mercado, com a tecnologia possivelmente influindo menos que deveria na precificação. Nesse caso, para um investidor pequeno, seguir todas as tecnologias não faz muito sentido.

Apesar do pessimismo, ainda há tecnologias que valem ser seguidas. É o caso das sidechains. Essa tecnologia consiste em blockchains secundárias ligadas a uma blockchain mãe (mainchain). Há uma paridade entre os ativos das duas blockchains e as duas mineram independentemente. Dessa maneira, haveria maior capacidade de transação na blockchain mãe, as duas seriam razoavelmente independentes (problemas na sidechain não afetam gravemente a mainchain) e segurança garantida por mineração (ou Proof-of-Stake) nas duas.

Vale notar que pode haver incentivos para forte mineração nas duas redes, desde que se use merged mining. Nessa ferramenta, ambas as redes usam os mesmos hashs gerados para minerar blocos. Ao se minerar a blockchain de maior dificuldade, o minerador pode usar os hashes gerados na rede de menor dificuldade para recolher as recompensas. Entretanto, há a possibilidade de ganhar numa blockchain e não na outra: as redes são relativamente independentes nesse sentido, apenas a mineração é facilitada.

Além de alguma escalabilidade, as sidechains possibilitam maiores possibilidades que as blockchains tradicionais. Há o caso da RootStock, uma sidechain já lançada para a blockchain do Bitcoin, que permite não somente transações com confirmações mais rápidas, mas também a criação de smart contracts. Esses smart contracts são compatíveis com o Ethereum, ou seja, é fácil migrar entre as redes caso haja algum problema. A RootStock usa merged mining com o Bitcoin, portanto é possivelmente segura. Um projeto dessa magnitude merece algum cuidado e dedicação de quem se interessa.

Ainda que a curto prazo a tecnologia não seja determinante, a possibilidade de smart contracts pode vir a ser de grande valor no futuro. Vale notar que o Ethereum se destaca justamente por ser a única plataforma que usa smart contracts para algo relativamente útil. O Bitcoin pode ser uma plataforma de smart contracts caso fique provado que, por exemplo, o Ethereum não escala e a RootStock é, de fato, seguro e algo escalável. Não vejo isso acontecendo tão cedo porque a criptoeconomia das Sidechains ainda é algo inexplorada e há muitas incertezas quanto ao funcionamento correto dessa tecnologia. Há também expectativas de projetos da Ethereum – Sharding, Casper, Plasma e uso de ZK-Snarks – resolverem a escalabilidade da rede.

Portanto, ainda há alguma incerteza no que diz respeito a essa tecnologia, porém as sidechains adicionam possibilidades fantásticas às blockchains tradicionais. No que diz respeito às maiores criptomoedas, vale a pena se dedicar um pouco a compreender quais são as SideChains sendo desenvolvidas e seus potenciais. Nosso tempo é escasso, porém o potencial de retorno dessas tecnologias pode ser grande o bastante para compensar.

 

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