Ser (SEER3), Anima (ANIM3) e Cogna (COGN3): Ações de educacionais despencam após Enamed
A divulgação das notas do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) foi a responsável por derrubar diversas ações de companhias do setor de educação nesta segunda-feira (19).
Entre as maiores quedas, ficaram os nomes da Ser Educacional (SEER3), da Ânima (ANIM3) e da Cogna (COGN3). Elas tiveram baixas de, respectivamente, 6,77%, 6,48% e 1,91%. As ações da Yduqs (YDUQ3) caíram 1,90%.
Mais de 100 cursos de Medicina no Brasil, dentre os 351 avaliados, receberam os piores resultados (conceitos 1 e 2) existentes no exame aplicado pelo INEP. Como consequência, essas instituições poderão sofrer restrições no ingresso de novos alunos, cortes de vagas e impedimentos de acesso a programas federais.
“As graduações receberam notas 1 e 2, consideradas insuficientes pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e serão penalizadas com restrições ao Fies e suspensão de vagas”, afirmou a nota publicada no site do Ministério da Saúde.
A Ânima, por exemplo, é dona da Anhembi Morumbi — cujos cursos de medicina dos polos de Piracicaba, São Paulo e São José dos Campos receberam nota 2. Já a UNESA, de Angra dos Reis e vinculada à Yduqs, recebeu nota 1. A Afya, listada na Bolsa de Nova York (NYSE), teve nota 2 na UNIGRANRIO nos campus do Rio de Janeiro e em Duque de Caxias.
O anúncio ocorre em um momento em que as grandes companhias de educação intensificaram a disputa por vagas em cursos de medicina — hoje vistos como o principal vetor de crescimento e rentabilidade do setor.
Analistas do UBS BB consideraram a notícia negativa, citando que a lista inlcui Afya, Yduqs, Anima e Cogna.
Companhias vinham acelerando oferta de vagas em medicina
Segundo levantamento do BTG Pactual feito em setembro de 2025, desde 2022 a base de alunos da Afya cresceu 43,2%, para 25.733 estudantes, sendo a única empresa listada com foco exclusivo em medicina.
Em seguida aparecem Ser Educacional, com alta de 38,9% (4.188 alunos), e Yduqs, com avanço de 35,3% (10.193). Cruzeiro do Sul e Ânima vêm na sequência, com crescimentos de 28,8% e 12,5%, respectivamente. A Cogna não divulgou recentemente sua base de alunos em medicina.
As empresas que partiram de uma base menor vinham tentando acelerar para reduzir a defasagem. De acordo com analistas do Itaú BBA, também em relatório de meados de setembro, a Ser Educacional era a vencedora em 2025 na abertura de novas vagas: desde dezembro do ano passado, o grupo obteve autorizações para oito novos cursos de medicina, somando 480 vagas. Na sequência aparecem Cruzeiro do Sul (180 vagas), Cogna (110 vagas) e Ânima (50 vagas).
Para o BBA, a perspectiva de expansão no ensino médico ajudava a explicar a valorização de mais de 100% das ações da Ser em 2025, com o mercado acompanhando de perto as próximas decisões do MEC.
A base da competição está na elevada demanda e na lucratividade do curso. A diferença de margens ilustra esse cenário: no segundo trimestre de 2025, a Afya, que trabalha só com cursos de medicina, registrou margem Ebitda de 43,6%, contra 38,3% da Ânima, a segunda colocada entre as empresas com maior número de vagas no curso.
Agora, segundo um analista do setor, a visão é de que as notas negativas atrapalhem a liberação de novos cursos, mesmo de empresas que não têm nomes na lista.