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Selic abaixo de 7% entra na conta do mercado, mas Brasília vai deixar?

Brasília
A Selic abaixo de 7% começou a entrar na conta do mercado, mas Brasília vai deixar a economia seguir o seu rumo?

Os economistas do mercado financeiro começaram a admitir em massa nesta quinta-feira (21) a possibilidade de a Selic ir abaixo dos 7%. Os números do IBGE para a prévia da inflação de setembro foram determinantes para essa mudança nas expectativas. O índice IPCA-15 ficou em 0,11%, a menor leitura para o mês desde 2006. Além disso, o Relatório Trimestral de Inflação, produzido pelo Banco Central, mostrou que autoridade monetária agora projeta um avanço de 3,2% nos preços em 2017, de 3,8% da estimativa divulgada em junho.

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Além disso, o BC projetou a inflação de 2018 (4,3%), 2019 (4,2%) e 2020 (4,1%) em um nível abaixo do centro da meta. Isso, para o Bank of America Merrill Lynch, é uma indicação de que há apetite para empurrar a Selic abaixo do nível esperado pelo mercado até então. “A mensagem, em nossa visão, é de que os juros podem se manter mais baixos por mais tempo e eventuais altas podem ser limitadas”, avalia o banco em um relatório enviado a clientes. O BofA agora espera a Selic a 6,5% em 2018 com dois cortes de 25 pontos-base, em fevereiro e março, respectivamente.

O Credit Suisse também passou a aceitar a visão de um aprofundamento maior do ciclo atual de flexibilização, que assumiria mais um corte na primeira reunião de 2018. Com isso, a Selic iria para 6,75% ao ano. Isso, contudo, é o cenário alternativo do banco, que não era considerado até então. No cenário-base, a estimativa é ainda de 7%. Para o BTG Pactual, o BC abriu espaço para buscar os 6,75% em fevereiro do ano que vem. O Goldman Sachs é outro banco que passou a observar a possibilidade de o juro chegar abaixo de 7% antes de pensar em subi-lo novamente.

E depois?

Com os economistas aparentemente entrando em um consenso sobre até onde o juro pode chegar no ciclo atual, a questão agora é sobre quanto tempo o BC vai conseguir manter a Selic neste novo patamar. Para o Goldman Sachs, este nível inédito pode ser segurado, caso a taxa de câmbio permita, até 2019. E, quando precisar subir, o ajuste pode até ser menor do que os 100 pontos-base esperados atualmente.

Esta visão do Goldman, entretanto, ainda não é percebida por todos os agentes. Mais pessimista do que a média, a equipe da Roubini Global Economics avalia que os riscos políticos podem se sobrepor ao cenário inflacionário benigno e antecipar a reversão da trajetória do juro. “O mercado não está preparado para uma guinada para a esquerda na eleição do próximo ano - se isso acontecer, poderia minar a confiança”, diz o economista Pedro Tuesta.

O cenário-base do Credit Suisse, por exemplo, conta com duas elevações do juro em 2018, para 8%. É uma estimativa acima daquela vista no último relatório Focus, que mantém a taxa estável ao longo de todo o ano eleitoral. O BTG pontua ainda que um juro muito abaixo de 7% poderia ser um risco elevado para o possível impacto inflacionário de 2019 e 2020, o que anteciparia o início das altas para próximo às eleições e causaria desconforto.

A Selic abaixo de 7% começou a entrar na conta do mercado, mas Brasília vai deixar a economia seguir o seu rumo?


 

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